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Turista é multado por capturar sucuri no Pantanal e divulgar vídeo

Polícia Militar Ambiental do Mato Grosso do Sul multou em 500 reais um homem acusado de maltratar uma cobra. Cena dura quase um minuto

Fábio Pellegrini ·
24 de setembro de 2017 · 4 anos atrás
Homem foi multado por não ter autorização de manusear a cobra. Acima, uma Sucuri nada num rio. Foto: Wikipédia.
Homem foi multado por não ter autorização de manusear a cobra. Acima, uma Sucuri nada num rio. Foto: Wikipédia.

Um turista residente em Divinópolis (MG) foi autuado pela Polícia Militar Ambiental de Mato Grosso do Sul (PMA-MS) por ter manuseado indevidamente uma sucuri e divulgar a cena em vídeo pelas redes sociais.

No vídeo, o homem segura a cauda da serpente, de mais de dois metros, que estava submersa no rio Paraguai, e puxa o animal para fora da água, enquanto outras pessoas filmam e fotografam a cena. O animal tenta retornar ao rio, mas é puxado para fora, até ser solto. A cena dura quase um minuto.

“Olha aí, vocês que gostam de nadar no rio. Vão nadar agora”, diz ele. Outro diz: “Traz ela aí, vou meter um facão nela”. “Vai não, não vou deixar”, retruca o homem que manipula a serpente. Poucos segundos depois, ele a solta: “Vai com deus, menina!”

O vídeo circulou por cerca de dois dias nas redes sociais até que a PMA fosse acionada e conseguisse identificar o local. Tratava-se de uma pousada em que o turista e seu grupo se hospedaram, no distrito de Albuquerque, em Corumbá (MS), à margem do rio Paraguai. Veja:

O proprietário da pousada informou que o grupo realmente gravou o vídeo no local e a origem do grupo. Os policiais conseguiram identificar o homem e aplicaram multa de R$ 500.

O acusado responderá por crime ambiental por ter capturado a serpente sem a devida permissão, licença ou autorização do órgão ambiental competente. A pousada onde o fato foi registrado estava operando irregularmente e o proprietário foi autuado e multado em R$ 2 mil.

O biólogo e fotógrafo de natureza Daniel De Granville, que atua como guia de documentaristas de natureza pelo Pantanal, lamenta que vídeos como esse sejam divulgados: “Algumas pessoas, talvez influenciadas por programas de televisão em que os apresentadores manipulam animais, acham bacana fazer o mesmo. Infelizmente é falta de educação ambiental, mas há um fato positivo nesse vídeo: em nenhum momento o animal ataca, mesmo sendo agredido, só tenta fugir. É mais uma prova de que a sucuri é um animal inofensivo e só pode atacar em casos extremos”.

 

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Comentários 8

  1. José Luiz de Sanctis diz:

    Subscrevo o comentário do Sr. Carlos Magalhães. Nenhum daqieles apresentadores citados foi autuado ou mereceu a crítica de quem quer que seja. Qual a diferença deles para esse cidadão? Pura hipocrisia de quem critica. Isso é vergonhoso, ridículo, nojento como policiais que confiscam garruchas velhas de sitiantes deixando-os à merce da bandidagem, pelo bônus que parte de R$ 300,00 a R$ 500,00 conforme o estado, ao invés de prenderem bandidos.


  2. Daniela diz:

    Idiotas esses cara o ser humano e ser humano se é que pode chamar isso de ser humano uma vergonha e triste e lamentável vê issso sabe!!! Nem sei mais aonde vai parar tanta ignorância!!!!


    1. Carlos Magalhães diz:

      Não sabe? Eu acabei de ver.


  3. Ricardo Montagna diz:

    Me parece perfeita a atuação da Policia Militar Ambiental de Mato Grosso, as pessoas precisam aprender a NÃO maltratar nem perturbar os animais, Imagina se isto promove que os turistas peguem as cobras pela calda para diversão. E se a cobra pega-se o cara? seguramente teriam que matar o animal para salvar o tonto agressor… PARABÉNS PMA !!!


    1. Carlos Magalhães diz:

      Se a cobra pega-se o cara (sic), aí a jiripoca vai piar.

      Eu nunca vi calda de cobra. Só guizado.


  4. Fábio diz:

    Perturbar um animal é crime ambiental, que sirva de exemplo e que todos passem a ter mais respeito pelos animais.


    1. Carlos Magalhães diz:

      Claro. Quando um gambá entrar na casa de um sitiante, ou mesmo uma simples serpente, venenosa ou não, o que ele deverá fazer para não ser multado?

      Chamar o ICMBIO, IBAMA, Bombeiros ou ligar para a PMA ? E enquanto as autoridades não vêm, melhor ele ir para um hotel…

      Formidável.


  5. Carlos Magalhães diz:

    Nossa "valorosa" policia militar ambiental está se destacando cada vez mais pelas cenas e fatos ridículos e risíveis que promove e proporciona. E o pior é o apoio dos basbaques em geral.

    O turista maltratou a sucuri? Ele apenas a segurou "por quase um minuto" (sic) e, depois de filmado e fotografado, a soltou. Isso é "maltratar"? E os apresentadores de programas de TV como por exemplo sir David F. Attenborough OM, CH, CVO, CBE, FRS, FZS, FZS, do alto de seus 91 anos, ou o simpático Nigel Marven, e seus programas de TV de muito sucesso, mundial, onde ele, inclusive, simula lutas e rola pela lama com sucuris… Já esteve algumas vezes no Brasil e não me consta que tenha sido multado. E o nosso brasileiríssimo Richard Rasmussen, que pega e manipula diversos animais de nossa fauna, enquanto é filmado e fotografado?

    Isso tudo sem falar da modalidade de pesca "catch & release" que vemos frequentemente em muitos programas televisivos, nos quais pescadores esportivos fisgam, com anzóis de aço inoxidável, pontiagudos, dotados de farpa, vários peixes de nossa fauna, e depois os livram do anzol mediante um alicate, filmam e fotografam o peixe por muitos minutos, enquanto o bicho se esforça por ficar vivo, privado que foi de respirar… Esses não estão "maltratando" animais de nossa fauna?

    Ora, façam o favor! Multar um turista brasileiro e um pequeno empreendedor, pousadeiro do pantanal, esforçando-se para vencer na vida… Que vergonha. Eu até imagino a cena… Na porta da pequena pousada, desembarcando das viaturas, as pistolas de serviço Taurus .40 empunhadas,
    a redigirem B. O.'s e Relatórios Circunstanciados, emitindo multas e intimações. E o acusado (turista) responderá por CRIME AMBIENTAL!!!

    Ninguém fica com vergonha? Ninguém questiona nada? Acham isso natural, ou, pior, bom e meritório?

    Que nojo.