Trilha Transcarioca sofre com a violência rotineira da metrópole

Trilha Transcarioca sofre com a violência rotineira da metrópole

Duda Menegassi
quarta-feira, 29 março 2017 23:21
Pegada da Transcarioca que marca a chegada no Parque Lage. Foto: Duda Menegassi.
Pegada da Transcarioca que marca a chegada no Parque Lage. Foto: Duda Menegassi.

A Trilha Transcarioca possui aproximadamente 180 quilômetros de extensão que costuram um caminho por entre muitos dos morros da cidade do Rio de Janeiro. E, justamente um dos mais famosos, está em estado de alerta. O trecho Paineiras x Parque Lage, que passa aos pés do Cristo Redentor e desce pela encosta do Corcovado até chegar ao parque, registrou desde janeiro pelo menos 9 ocorrências de assalto, com cerca de 76 pessoas vitimadas.

A estimativa é do Coordenador de Segurança da Trilha Transcarioca, Eduardo Frederico de Oliveira, que lembra ainda que muitas pessoas não registram Boletim de Ocorrência, logo, é impossível garantir a precisão do número. Eduardo explicou ainda o trecho, por estar dentro do Parque Nacional da Tijuca (PNT), é de responsabilidade federal. Segundo ele, há patrulhamento da Guarda Municipal e da Polícia Militar no Parque Lage e na parte alta, no entorno do Cristo Redentor e do Centro de Visitantes Paineiras, por se tratarem de áreas com fluxo turístico. Porém, não existe uma polícia encarregada de monitorar as trilhas. “Quando possível, em especial nos finais de semana, o Comando de Polícia Ambiental da Polícia Militar [CPAm] envia guarnições ao Parque Nacional da Tijuca para executar o policiamento nas trilhas”, esclarece Eduardo.

Para buscar soluções, o Movimento Transcarioca criou um grupo de trabalho para discutir a segurança na trilha. Um dos principais articuladores da Trilha Transcarioca e responsável pela comunicação do grupo, Pedro da Cunha e Menezes esclarece que “o problema de violência nas trilhas do Rio não é um problema exclusivo da Trilha Transcarioca e, infelizmente, tampouco algo incomum no cenário nacional”. Segundo ele, para tentar sanar a situação na Transcarioca, o grupo têm se articulado com a Polícia Militar e com a Guarda Municipal, que já apoiam a segurança em alguns trechos, para montar um plano de fiscalização integrado para toda a trilha.

Enquanto isso, foram feitos alertas na página da Transcarioca no Facebook e no site da trilha que desaconselham os montanhistas e visitantes a fazerem este trecho.

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Em comunicado oficial, a coordenação do Parque Nacional da Tijuca informou que conta com o apoio da Polícia Militar, em especial através do Comando de Polícia Ambiental (CPAm) e do Batalhão de Polícia Turística (BPTur), assim como da Guarda Municipal, que mantém equipes no parque todos os finais de semana. A nota frisou, entretanto que “o parque não está isolado do contexto da metrópole, sofrendo também o impacto do aumento da violência”. Ainda segundo o comunicado, a administração do parque está trabalhando junto com a Secretaria de Segurança para criar estratégias que melhorem as condições de segurança.

Por medida de prevenção, a atividade regular de voluntariado que acontecia no Parque Lage toda quarta-feira foi suspensa. De acordo com o coordenador de voluntariado do parque, Felipe Martins, a atividade foi remanejada para a área do Horto, próxima ao Jardim Botânico.

 

 

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4 comentários em “Trilha Transcarioca sofre com a violência rotineira da metrópole”

  1. É um problema insolúvel e históricamente não é um problema da Transcarioca que apenas articulou trilhas em um grande roteiro mas de segurança nas trilhas da região agravada nos últimos 5 anos com o reaquecimento do lazer em trilhas.

    Uma saída seria a utlização de aplicativos de plataformas colaborativas para mapear e monitorar as manchas criminais para melhor ordenar os esforços de gestão. Embora o impacto no marketing de UCs, produtos e serviços sejam certos, a segurança seria mais efetiva por diminuir a demanda em pontos criticos.

    No fundo, a grande questão que se estabelece é que elementos devem ser considerados no projeto de trilhas em UCs urbanas, sobretudo de grandes dimensões, já que apenas projetar o percurso e facilitar acesso não é suficiente para garantir o manejo quando as demandas não são antecipadas e consequentemente não existem previsão de custos e recursos humanos e materiais.

    Complicado mesmo.

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