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Tamanho de ilha não é documento para a diversidade na Amazônia

Estudo indica que a preservação da floresta no entorno é mais importante do que tamanho de ilhas para manter a diversidade de mamíferos na Amazônia

Vandré Fonseca ·
9 de agosto de 2017 · 4 anos atrás
Viagem ao rio Jutai: Foto: Amanda Lelis.
Viagem ao rio Jutai. Acima, um Uacari encara a câmera (cacajao calvus): Foto: Amanda Lelis.

Manaus, AM — A diversidade de mamíferos em ilhas fluviais da Amazônia depende mais da floresta encontrada no local e nas redondezas do que do tamanho da área cercada pelo rio. Ou seja, pequenas e grandes ilhas na mata preservada tendem a manter o mesmo número de espécies. Já o desmatamento, mesmo em áreas próximas, pode fazer alguns bichos desaparecerem.

A conclusão foi publicada por pesquisadores do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (ISDM) no Journal of Biogeography Wiley. Eles monitoraram oito espécies de mamíferos encontrados em árvores na região da RDS Mamirauá, no Médio Solimões, Amazonas. Entre as espécies está a onça-pintada, que durante a cheia na região passa a maior parte do tempo em ganhos nas áreas alagadas.

O biólogo Rafael Rabelo, pesquisador do instituto e atualmente cursando doutorado no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), é um dos autores do artigo. De acordo com ele, o resultado indica que manter áreas contínuas de floresta é melhor para a manutenção da diversidade do que um conjunto de áreas menores. “A gente mostra que a qualidade de floresta é mais importante e eficiente para buscar respostas mais rápidas para a conservação”, afirma.

Oito grupos de mamíferos foram analisados (guaribas, esquilos, quatis, macacos-de-cheiro, macacos-prego, onças-pintadas, tamanduás-mirins e preguiças). De acordo com Rabelo, era de se esperar que nas ilhas menores a diversidade fosse também reduzida, em comparação com ilhas maiores.

Mas o monitoramento indicou que em amostragens padronizadas, feita em trilhas de um quilômetro, não importava se a extensão de terra era maior ou menor. Porém, em pontos de amostragem em áreas onde a floresta ao redor sofria impactos da proximidade de cidades, como Tefé (AM) e Fonte Boa (AM), o número de espécies diminuía.

O estudo, no início, buscava outra informação. Os pesquisadores iriam utilizar os dados de monitoramento para saber se a origem da ilha poderia interferir na diversidade. Rabelo explica que seriam comparadas ilhas formadas de duas maneiras diferentes, pela sedimentação do rio e pela erosão que ele provoca, abrindo novos canais e isolando áreas de floresta.  Mas não foi possível identificar essa diferença durante a pesquisa.

 

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Comentários 4

  1. AvatarGASPAR diz:

    A qualidade do ambiente sem sombra de duvidas proporcionara benefícios para Fauna local e migratória. Trabalhamos na 4ª menor UC do pais, e aqui podemos constatar que o ambiente bem conservado, com o mínimo de interferências (ações antropicas) gera atrativo para permanência da fauna e aparecimento de mais e novas espécies. Não sei voces sabem, mas a Floresta Nacional de Palmares/ICMBio/PI abriga tanto espécies botânicas da Amazônia e mata atlântica como de aves e répteis. Bioma. Caatinga. Caracterizada como Zona de Transição entre Caatinga e Cerrado.


    1. AvatarPragmatismo diz:

      Desse tamanho, devia ser um Parque ou Floresta Estadual. Repasar pro Estado, e deixar a União focar em áreas maiores. Isso não é um "down-grade", pois certamente essa UC nas mãos do Estado teria mais atenção/recursos/prioridade do que sendo uma pequena unidade federal, dentre 300 e tantas outras…


  2. AvatarEcologia2001 diz:

    SLOSS…Smithsonian-INPA fazem isso faz tempo…


  3. Avatarpaulo diz:

    É a ciência comprovando com dados reais, as suspeitas empíricas.
    Muito bom.