Quatro barragens da Vale entram em nível de alerta máximo

Sabrina Rodrigues
quinta-feira, 28 março 2019 17:32
Há dois meses da tragédia de Brumadinho, mais quatro barragens encontram-se em nível de alerta máximo. Foto: Felipe Werneck/Ibama.

Dois meses após o rompimento das barragens de rejeitos da Vale S.A. em Brumadinho (MG), mais um acontecimento deixou em estado de alerta a população de Minas. Na quarta-feira (27), a Vale elevou para o nível 3 − rompimento ou risco de rompimento −, de três barragens no estado: B3/B4, da Mina Mar Azul, em Macacos, no distrito de Nova Lima, na região Metropolitana de Belo Horizonte e Forquilha I e Forquilha III, da Mina Fábrica, em Ouro Preto. A Defesa Civil está preocupada com uma quarta barragem, a de Barragem Sul Superior, da Mina Gongo Soco, em Santa Bárbara, que entrou em alerta nível 3 no dia 22 de março.

Todas as barragens pertencem à mineradora responsável pela maior tragédia ambiental com vítimas humanas da história recente do país. O rompimento da barragem em Brumadinho, no dia 25 de janeiro, em Minas Gerais, deixou um saldo de 226 mortos confirmados e 88 desaparecidos, de acordo com o último boletim divulgado pelo Corpo de Bombeiros de Minas. O rio Paraopeba, que abastece a região metropolitana de Belo Horizonte, está morto no trecho atingido pelos rejeitos.  

A Vale elevou o risco depois que os auditores contratados pela mineradora terem informado que a empresa não conseguiria a Declaração de Condição de Estabilidade (DCE), pois a segurança das barragens estão abaixo das condicionantes da Portaria No. 4 /2019, da Agência Nacional de Mineração (ANM).

Mais uma vítima do rompimento da barragem. Foto: Felipe Werneck/Ibama.

Em nota, A Vale informa que as barragens B3/B4, Forquilha I e III são barragens a montante inativas, ou seja, que não recebem mais rejeitos e que acionou de forma preventiva o protocolo para início do nível 3 do Plano de Ação de Emergência de Barragens de Mineração (PAEBM) para as três barragens. O nível 3 de emergência do PAEBM desencadeia a evacuação de toda zona de auto salvamento projetada da barragem.

A Agência Nacional de Mineração (ANM), por sua vez, declara que não foram atestados a estabilidade das barragens, devido aos fatores de segurança estarem abaixo dos recomendados pela autarquia federal, “mas que nenhuma barragem possui sinais visíveis de rompimento”.

Já a Defesa Civil de Minas Gerais informa que, nos próximos dias, cerca de cinco mil moradores da região serão treinados para simulação de evacuação em caso de rompimento.

Santa Bárbara passará por simulação

Na sexta-feira (29), às 15h, será realizado, no município de Santa Bárbara, cidade a 14 quilômetros de Barão dos Cocais, região central de Minas Gerais, um simulado de evacuação de emergência. O treinamento é para que a população saiba como proceder em caso de ruptura da Barragem Sul Superior, da Mina Gongo Soco, pertencente à Vale, que corre risco iminente de rompimento. No dia 22 de março, a barragem passou para o nível 3.

A Defesa Civil de Minas Gerais disponibilizou em seu site, o mapeamento da mancha de inundação (área a ser atingida em caso de rompimento da barragem) e pontos de encontro a serem utilizados pelos moradores da Zona de Segurança Secundária (ZSS), em Santa Bárbara.

Ainda segundo a Defesa Civil, em caso de rompimento da barragem Sul Superior, o município começa a ser atingido após 02h30min, atingindo aproximadamente 1.864 pessoas que vivem nos locais da mancha de inundação.

 

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