Perigo

As autoridades americanas, diz o The New York Times (gratuito, pede cadastro), começaram a ficar novamente preocupadas com com reatores nucleares de pesquisa que se utilizam do mesmo tipo de urânio que as armas nucleares como combustível. Há 139 reatores deste tipo espalhados pelo mundo. Um terço deles, graças a um programa iniciado há duas décadas pelos americanos, converteu seu combustível para urânio menos explosivo. Mas os outros, incluindo seis reatores que estão em universidades americanas, continuam como estavam. Teme-se que venham a virar alvo da cobiça terrorista. Em especial os que estão em centros acadêmicos, onde a segurança está longe de ser invulnerável.

Por Cristina Matos
17 de agosto de 2004

A sutileza do vilão

O The Washington Post (gratuito, pede cadastro) acaba de publicar uma série de reportagens sobre a estratégia do governo de George Bush para tirar da frente das grandes empresas quaisquer barreiras ou custos ambientais ao seu negócio. Ao invés de tentar mudar leis, levando adiante uma luta pública contra ambientalistas, ele tem mexido nas regulamentações sobre saúde pública ou meio ambiente, de preferência em dias onde ninguém está prestando atenção, ou faz mudanças sutis, difíceis de perceber. A primeira tática ele usou em relação à tuberculose, doença que voltou a crescer nos Estados Unidos. Regras do departamento do Trabalho, que levaram mais de uma década para serem escritas, obrigavam funcionários de prisões ou hospitais que mantivessem qualquer contato com pacientes de tuberculose a serem testados sobre a doença. No dia 31 de dezembro de 2003, sem qualquer justificativa, a nova regulamentação foi cancelada. A opção pela sutileza foi aplicada à regulamentação que afetava as mineradoras. Nos anos 80, elas desenvolveram técnica de extração que dinamitava os topos dos morros e montanhas em exploração. Além de brutal, a técnica criava novo problema. Onde colocar o excesso de pedras e cascalhos que o método produzia. Em 1999, diante de uma conta que estimava em 1200 quilômetros a extensão de rios aterrados por dejetos da mineração despejados em vales, o governo mudou sua qualificação na regulamentação. Passou a chamá-los de lixo mineral. Com isso, parou com o despejo e a técnica de arrasar topo de morro praticamente sumiu. Reapareceu no ano passado, depois de Bush ter trocado a palavra que qualifica os dejetos de lixo para aterro, coisa que lhes dá o direito, segundo a legislação americana, de serem jogados em qualquer buraco.

Por Cristina Matos
17 de agosto de 2004

Casamento verde

Não chega ainda a ser uma mania, mas já é grande o suficiente para merecer uma reportagem no Guardian Unlimited (gratuito). Na Inglaterra, casais estão fazendo casamentos ecológicamente corretos. Pedem como presente que os convidados plantem árvores. Para quem mora em cidade, estar numa lista de casamento desses era dor de cabeça até pouco tempo atrás. Agora, para socorrer os convidados aflitos, existe a Future Forest, uma empresa que se especializou em dar consultorias à empresas de grande porte sobre ações de reflorestamento. Por 10 míseras libras esterlinas, ela planta a árvore, a fotografa e manda a imagem para o simpático casal com um certificado em nome do sujeito que contratou o serviço. Texto curto. Lê-se em dois minutos.

Por Cristina Matos
17 de agosto de 2004

Mais dementes

A história saiu no The Observer (gratuito) e foi publicada no domingo, 15 de agosto. O número de pessoas com diagnóstico de demência ou de doenças neuromotoras aumentou assustadoramente nas duas últimas décadas. A reportagem se baseia em artigo publicado numa revista de medicina, a Public Health. Seus autores compararam a incidência em 7 países industrializados de gente demente ou com problemas neuromotores entre 1977 e 1997. Viram que os primeiros mais do que triplicaram em número e o grupo onde estão os segundos dobrou de tamanho. Os números têm precisão científica. As causas para tamanha mudança nas estatísticas, nem tanto. A turma que fez a pesquisa acha que a culpa pode estar no aumento da poluição, principalmente química, nos países industrializados. Existem hoje 80 mil produtos químicos industrais. Alguns são pesadamente regulados. A esmagadora maioria, entretanto, não tem qualquer tipo contrôle. A leitura é rápida.

Por Cristina Matos
17 de agosto de 2004

Muita dúvida, uma certeza

Richard Muller, um físico que fez parte do grupo de cientistas da Universidade de Berkley que formulou, 25 anos atrás, a teoria mais aceita atualmente sobre a extinção dos dinossauros há 65 milhões de anos – foram varridos da Terra, junto com outros organismos vivos, por cataclisma causado por impacto de corpo celeste – comemora o aniversário de sua descoberta refletindo, em artigo para a MIT Technology Review (gratuita, pede cadastro), sobre o papel do cientista. Diz que ele está mais para Sísifo, que todos os dias rolava uma pedra montanha acima, do que para Diógenes, que com sua lanterna ajudava a encontrar o caminho do conhecimento. A descoberta da qual participou sobre o destino dos dinossauros, gerou uma centena de perguntas e apenas uma certeza. O ser humano não sabe quase nada sobre extinções em massa. E isso o deixa mais vulnerável ao seu futuro. O texto é bem curto.

Por Cristina Matos
17 de agosto de 2004

Esquentando

A capa da National Geographic Magazine (acesso gratuito ao site) do mês de setembro é dedicada a um assunto, como o próprio texto da reportagem diz, cercado de desconfiança e, em larga medida, olhado com total despreocupação. Trata-se do fenômeno de aquecimento do planeta. A revista afirma, no entanto, que a Terra e sua flora e fauna dão claros sinais de que o problema não é nem remoto e nem tampouco incerto. Mesmo nos lugares mais frios do planeta, como o norte do Alaska ou os Himalaias, há claras evidências de que a temperatura está subindo. Como a revista não tem um tom alarmista, pelo menos vale prestar atenção ao seu alerta e ler a reportagem, que junto com ela, como sempre, traz ótimas fotografias. Na Internet, o texto é curto. Leva-se 5 minutos para lê-lo.

Por Cristina Matos
17 de agosto de 2004

O conhecimento é meu

Há um ano, o Brasil discute com 49 outras nações a formação de um sistema global de observação do planeta. Ele já tem um nome, Sistema dos Sistemas de Observação Global da Terra, um objetivo, integrar mundialmente dados gerados por estruturas nacionais, e uma boa noção do seu tamanho no início de 2015, data prevista para entrar em funcionamento. Serão 50 satélites, 10 mil estações metereológicas, mil bóias, 7 mil navios e 300 mil aviões. Os países envolvidos na discussão têm até dezembro para acordarem sobre um plano de implementação com prazo de 10 anos. A coordenação de toda esta estrutura não chega a ser problema na mesa de negociações. Mais sensível é o debate sobre quem terá acesso aos dados uma vez que estejam processados. É que os principais modelos matemáticos e computacionais capazes de dar sentido a estas informações estão nas mãos de americanos e europeus. Eles querem os dados, mas resistem à idéia de repartir o conhecimento.

Por Manoel Francisco Brito
13 de agosto de 2004

Sem perdão

Nem a resistência dos ruralistas impediu a goleada (326 a 10) conquistada na Câmara pela emenda constitucional que expropria fazendas que utilizem trabalho escravo. No Senado tramita um projeto de lei semelhante. A diferença é que ele determina que se considerem improdutivas não apenas as propriedades que pratiquem trabalho escravo, mas também aquelas que usam trabalho infantil ou cometem crimes ambientais. Isto quer dizer o seguinte: prejudicou o meio ambiente? Não tem mais multa, castigo, reprimenda pública, reparação do dano. Perde o direito à propriedade e pronto. A idéia só tem um porém. Decretar a propriedade improdutiva resultará, naturalmente, em destiná-la para a reforma agrária. Cristóvam Buarque, autor do texto, não vê problema: “Os novos proprietários também têm que cumprir a lei”.

Por Lorenzo Aldé
13 de agosto de 2004

Passivo ambiental comunista

Moscou, uma cidade de 11 milhões de habitantes, tem que enfrentar um tipo de poluição que lhe é bastante peculiar: a de rejeitos nucleares. Herança do regime comunista, que desenvolveu seu programa nuclear sem qualquer tipo de cuidado ambiental, Moscou hoje tem que conter e limpar 1200 sítios com material radioativo, conta o The New York Times (gratuito, pede cadastro). Esses são os que se conhece. Imagina-se que haja ao menos centenas de outros. Na época da União Soviética, esses locais eram segredos tão bem guardados que as infomações sobre seus endereços acabaram se perdendo pela burocracia dos militares e do governo. A situação é tão grave que a Rússia foi obrigada a criar uma empresa estatal dedicada a procurar áreas desconhecidas onde exista poluição nuclear. Leitura um pouco mais longa. Leva-se pouco menos de 10 minutos.

Por Manoel Francisco Brito
13 de agosto de 2004