Noventa macacos foram assassinados este ano no estado do Rio

Daniele Bragança
quinta-feira, 25 janeiro 2018 22:29
Micos-leões-dourados. Foto: Andréia Martins/Associação Mico Leão Dourado.

Por mais que as autoridades expliquem que a febre amarela é transmitida por um mosquito, e não pelo macaco, a matança contra os primatas se intensificou com o avanço da epidemia. Só este ano, 131 macacos morrem no estado do Rio de Janeiro, segundo o último dado divulgado nesta quinta-feira (25), sendo que 32 ocorreram na capital do estado. Mais da metade deles (69%) foram envenenados ou mortos a pauladas.

Todos os macacos mortos no estado estão sendo levados para necropsia no Instituto Jorge Vaitsman, órgão do município do Rio de Janeiro. Do grupo que chegou desde que o ano começou, 41% foi morto por contrair febre amarela, a outra parte foi assassinada por humanos quem acham que macacos causam a doença. O animal é vítima duplamente.

A maior parte das agressões sofridas pelos macacos são de espancamento e envenenamento. Dentre as espécies assassinadas, há 3 micos-leões-dourados (Leontopithecus chrysomelas), espécie em perigo de extinção. Bugios e saguis são as maiores vítimas.

Matar animais silvestres é crime ambiental, com pena de até um ano de prisão e multa, de acordo com a lei de crimes ambientais. A matança desenfreada, além de atentar contra a conservação de espécies que já sofrem pressão por perda de habitat, atrasa a confirmação de febre amarela, importantíssima para que as autoridades consigam localizar onde há a presença do mosquito com vírus. Além de ser um crime ambiental, o assassinato de macacos é um crime contra a saúde pública.

 

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