No Dia do Meio Ambiente, Bolsonaro destaca quem produz

Sabrina Rodrigues
quarta-feira, 5 junho 2019 20:06
Cerimônia de lançamento do programa Juntos pelo Araguaia. Foto: Alan Santos/PR.

Em cerimônia ao Dia do Meio Ambiente, comemorado nesta quarta-feira (05), o presidente Jair Bolsonaro reforçou a visão de que meio ambiente precisa estar subordinado à economia. “Esse momento da revitalização da bacia do Araguaia bem como outras que terão pela frente é o maior exemplo que podemos dar ao mundo que estamos sim preocupados com o meio ambiente, mas também, perfeitamente casados com a economia, com o que se desenvolve nesta região, com o que o povo precisa e com o que o povo quer”, afirmou, em evento para a inauguração do inauguração do programa Juntos pelo Araguaia, que visa revitalizar a bacia do Araguaia, cerimônia que ocorreu em Aragarças, em Goiás.

“A primeira missão nossa é não atrapalhar quem quer produzir. Os senhores não mais terão em nosso governo aquela velha máxima de antigamente ‘criar dificuldade para vender facilidade’. Vamos atendê-los naquilo que vocês precisam e naquilo que vocês merecem”, declarou o presidente.

O Juntos Pelo Araguaia é uma parceria entre o governo federal, o governo do estado de Goiás e Mato Grosso. O programa tem o objetivo de levar cerca de R$ 500 milhões em investimentos para a revitalização do rio. O governo repassará parte do dinheiro (R$ 100 milhões) para bancar a recuperação da bacia do rio Araguaia com dinheiro da conversão de multas aplicadas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

A cerimônia de inauguração contou com a presença do ministros do Desenvolvimento Regional, Gustavo Canuto; Meio Ambiente, Ricardo Salles; Agricultura, Tereza Cristina; Turismo, Marcelo Álvaro Antônio e Casa Civil, Onyx Lorenzoni. Bolsonaro assinou o protocolo de intenções e o acordo de cooperação junto com os governadores de Mato Grosso e Goiás para execução do projeto.

A primeira fase do programa fará a recuperação de 10 mil hectares da bacia hidrográfica, sendo 5 mil em Goiás e 5 mil em Mato Grosso. O investimento custa em torno de R$ 500 milhões. Essa primeira etapa visa a recuperação de voçorocas, construção de barragens de contenção, curva de nível, fazer plantio de mudas e cercamento das áreas mais deterioradas.

Nos próximos anos, o programa atuará na recomposição florestal, conservação de solo e água, além de ações paralelas nos municípios envolvidos.

Conversão de multas

A retomada da conversão de multas para bancar recuperação de grandes bacias foi noticiado no evento. As bacias dos rios São Francisco, Taquari e Parnaíba também serão recuperadas. As 3 bacias já estavam no processo iniciado pelo Ibama para a conversão indireta da multa. Não se sabe se o governo tentará a conversão direta, onde as próprias empresas autuadas executam seus projetos de recuperação.

A conversão de multas ambientais indiretas estava em andamento no governo Temer, mas foi interrompido pelo governo Bolsonaro por causa da contratação de ONGs para a implementação dos projetos, algo criticado por Bolsonaro desde a campanha eleitoral.

Um novo decreto publicado em abril mudou parte do programa de conversão, transformando em conversão direta. Nessa modalidade, as próprias empresas que infringirem a lei ambiental tenham seus próprios projetos de recuperação.

Outra mudança foi a criação de “Núcleo de Conciliação Ambiental”. Isto significa que, antes mesmo de qualquer defesa do autuado, os núcleos de conciliação poderão analisar a multa para confirmá-la, ajustá-la ou anulá-la, caso se entenda que houve alguma irregularidade, após pronunciamento da Procuradoria-Geral Federal.

“Esse decreto de conversões de multas traz muitas melhorias, dentre elas a conciliação ambiental entre os autuados e aqueles que os atuam, que poderão conversar e com isso, demonstrar que muitas das injustiças não precisam esperar um término de um processo administrativo para serem resolvidos. Com isso, ganham os produtores, os brasileiros e o meio ambiente”, afirmou Ricardo Salles, ao final do seu discurso na cerimônia desta quarta-feira.

“O setor agro é que tem dado lições para todo o mundo de como produzir em larga escala com qualidade e com cuidado com o meio ambiente”, disse o ministro.

 

Leia Também

Governo institui anistia prévia a criminosos ambientais

Projeto ameaça Araguaia

Bacia do Taquari será recuperado através do programa de conversão de multas

 

6 comentários em “No Dia do Meio Ambiente, Bolsonaro destaca quem produz”

  1. O Ambientalismo militante que se locupletou com o aparelhamento do estado enquanto a corrupção grassou na era petista com terriveis impactos na questão ambiental que vai da farra das hidroletricas ao Código Florestal rifado por apoio no congresso, está em um dilema existencial…
    A primeira questão é que o abandono do conceito de desenvolvimento sustentável como forma de "resistência" e boicote ao desenvolvimento e minoração da pobreza.
    A segunda é demonstrar ao distinto público que muitas ONGs, Ambientalistas, academia e veículos de comunicação são plenamente identificados com a esquerda e partidos que conduziram o pais ao caos econômico e social em nome de um projeto de poder autoritário transnacional.
    A tragédia anunciada é a perda da relevância do ambientalismo dado o seu caráter militante revolucionário e autoritário enquanto a Direita constrói uma alternativa política para a questão.

    Responder
  2. Jornalismo opinativo, e somado a comentários de ctrl+c depois ctrl+v, completamente sem entender o intuito ou a realidade da situacao…ė tipo criticar o atual presidente na educação, onde o que aconteceu foi -3,4% de redução e os super professores que são "referência" sequer entenderam a conta com chocolatinhos(dificiílima né…kkk),conseguiram transformar 3,4 em 30 pra causar o caus, e a verba despedicada dos governos anteriores? E só pra informar…tudo que estão acusando o atual presidente de ser culpado, sempre existiu por que vocês acham que antes dele estava bom?(e se não estava, por que não fizeram esse bafafa?)se não estava…

    Responder
  3. Bom dia.
    Vão aplicar 50000 por hectare! Tem cálculo errado nesta empreitada.
    Se for verdade, tem espertalhões "comendo", vejo práticas iguais a administrações ambientais de governos passados.

    Existe um monte de trabalhos de recuperação , já feitos em vários biomas, muito, mas muito baratos e de qualidade.

    Responder
  4. Sim, várias estão e razão da suspensão de diversos contratos com ONGs .
    Ou seja, no lugar de se entrar em uma guerra de fontes, é mais interessante você se informar e para isso é importante que você faça um minimo de pesquisa. Há farto material disponivel e de acesso gratuito na internet,
    Se houver interesse, vai encontrar ver que o assunto não é novo, havendo inclusive referencias a uma cpi das ongs no 1º governo Lula e repetindo por volta de 2006-2007 e 2011…

    Responder
    • Bom, se houver interesse, você pode pesquisar, não faz sentido transferir para mim este trabalho.
      Mas pensando bem, também é um opção sua continuar ignorando o que está acontecendo. 😉

      Responder

Deixe um comentário

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.