Notícias

Nenhum macaco bugio do Horto Florestal sobreviveu à febre amarela

Os 86 macacos pertencentes a 17 famílias de bugios foram exterminados desde a aparição do vírus, em São Paulo, em outubro do ano passado. Parque foi reaberto na terça (10)

Sabrina Rodrigues ·
11 de janeiro de 2018 · 4 anos atrás
Os macacos-bugios ou bugios-marrons (Alouatta guariba) são extremamente vulneráveis à febre amarela. Foto: Peter Schoen/Flickr.
Os macacos-bugios ou bugios-marrons (Alouatta guariba) são extremamente vulneráveis à febre amarela. Foto: Peter Schoen/Flickr.

A febre amarela é uma doença infecciosa grave, causada por vírus e que se espalhou pelo Brasil ameaçando não só os humanos, mas que atingiu em cheio a população de macacos bugios ou bugios-marrons (Alouatta guariba). De acordo com pesquisadores, esses animais são extremamente vulneráveis à febre amarela. No Horto Florestal, localizado na zona norte de São Paulo, todos os 86 macacos pertencentes a 17 famílias de bugios foram exterminados desde a aparição do vírus, na região, em outubro do ano passado.

Os macacos não são os transmissores da doença para humanos, eles são picados pelo mesmo mosquito que pode infectar os humanos e a sua morte indica que o vírus da febre amarela está circulando em uma determinada região. Um surto pode provocar extinções locais, especialmente se as populações de macacos sobreviventes forem muito pequenas. E foi o que aconteceu no Horto, onde a primeira morte de bugio ocorreu no dia 9 de outubro.

Com os óbitos dos animais, o governo de São Paulo decidiu fechar o Horto Florestal e os parques da Cantareira e Ecológico do Tietê, onde também foram encontrados macacos mortos.

 

Reabertura de parques

Depois de 2 meses fechados, os Parques da Cantareira, Ecológico do Tietê e Horto Florestal foram reabertos nesta quarta-feira (10). O anúncio da reabertura feito pelos secretários de Estado do Meio Ambiente, Maurício Brusadin, e da Saúde, David Uip, veio com uma recomendação: só deve visitar os parques quem tiver sido vacinado 10 dias antes.

Não será exigido comprovante de vacinação, mas os visitantes irão se deparar com diversos cartazes e faixas fixados em todas as entradas: ‘Área de risco de febre amarela. Tome vacina 10 dias antes de visitar o parque.’

“Em todas as nossas unidades em que há indícios da febre amarela, estamos informando a população de que aquela é uma área de risco e, portanto, só deverá ser visitada por quem estiver vacinado. Para que a população fique ciente, nós estamos trabalhando em conjunto com a Polícia Militar Ambiental, Fundação Florestal e Instituto Florestal”, afirma Maurício Brusadin.

O secretário ressaltou a importância de proteger os macacos. “O macaco é o nosso sentinela. Nós temos que proteger nossos macacos, pois são eles que salvam as vidas humanas. Então estamos pedindo que toda a população ajude a proteger os nossos macacos. Eles não são os vilões”.

A decisão de reabrir os parques veio depois das recomendações da Secretaria de Saúde que garantiu a cobertura da vacinação de toda a região.

Leia Também

Febre amarela está matando os bugios brasileiros

Febre amarela ameaça população de muriquis-do-norte

Febre amarela: primeira morte no Rio ocorre próximo de santuário dos micos-leões-dourados

 

  • Sabrina Rodrigues

    Repórter especializada na cobertura diária de política ambiental. Escreveu para o site ((o)) eco de 2015 a 2020.

Leia também

Notícias
15 de março de 2017

Febre amarela: primeira morte no Rio ocorre próximo de santuário dos micos-leões-dourados

Duas ocorrências foram confirmadas em Casimiro de Abreu. Município é vizinho da Reserva Biológica de Poço das Antas, onde vive população endêmica do primata

Notícias
19 de janeiro de 2017

Febre amarela ameaça população de muriquis-do-norte

Mortal para humanos e macacos, a epidemia está ocorrendo muito próxima de local que concentra parte fundamental da população de muriquis, espécie criticamente ameaçada de extinção

Reportagens
29 de março de 2017

Febre amarela está matando os bugios brasileiros

A febre amarela se espalhou rapidamente pelo Brasil, destruindo populações de bugios-marrons nos estados de Minas Gerais e Espírito Santo.

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Comentários 5

  1. Marcus diz:

    Moro na cantareira, nunca mais os ví.
    Nada foi feito para ajudá-los a sobreviver a febre amarela.
    Triste viver em um país tão negligente em tudo.


  2. olar diz:

    se vê que ninguem liga quando não tem nem mais de 10 comentários


  3. Paulo diz:

    Pergunto? Quais as ações do governo de São Paulo(estado mais desenvolvido e rico da Federação), para frear a morte destes macacos, e recuperar as populações que foram exterminadas .


  4. umbrios27 diz:

    É de uma tristeza difícil de explicar, ver uma coisa dessas. Moro em Mairiporã, perto de área de mata, e os roncos dos bugios não se ouvem mais de manhã. Das duas famílias que costumavam visitar em casa quase que diariamente, uma que tinha 10 bugios e outra com 6, só vi três sobreviventes na semana passada, uma fêmea com dois filhotes, assustados e aflitos. A vacinação dos humanos precisava ter sido iniciada muito antes do que foi, era esperado que a epidemia viesse de Minas pela Fernão Dias, nas rodas de carros e nos seus incubadores que são os humanos. Essas mortes podiam ter sido evitadas, tanto as dos bichos quanto das pessoas.


  5. Alfredo diz:

    acredito que houve um atraso no combate ao vírus , pois poderíamos ter evitado a morte de tantos animais .