MMA demite pai de plano de recuperação florestal uma semana após seu lançamento

Claudio Angelo e Luciana Vicária, do Observatório do Clima
quinta-feira, 23 novembro 2017 18:16
O ecólogo Carlos Alberto de Mattos Scaramuzza.
O ecólogo Carlos Alberto de Mattos Scaramuzza.

Exatamente uma semana depois de o ministro Sarney Filho (Meio Ambiente) anunciar o Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg) na COP23, em Bonn, o ministério demitiu seu idealizador, o ecólogo Carlos Alberto de Mattos Scaramuzza. O diretor do Departamento de Conservação de Ecossistemas teve sua exoneração publicada nesta quinta-feira (22) no Diário Oficial.

A pasta não informou a razão para a demissão. Segundo o OC apurou, a justificativa dada pelo ministério aos funcionários foi um pedido da Casa Civil para que pessoas ligadas ao governo anterior (Scara, como é conhecido, entrou no ministério no primeiro governo Dilma) fossem retiradas. No entanto, contrariando a praxe do governo do PMDB de distribuição de cargos, ninguém foi nomeado para o posto.

Scaramuzza vinha tendo escaramuças com o secretário-executivo do MMA, Marcelo Cruz. Os desentendimentos começaram em maio, quando o diretor criticou Cruz pelo lançamento de um edital de R$ 80 milhões para monitorar biomas, amplamente criticado pela comunidade científica por duplicar funções do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

Questionado, o Ministério do Meio Ambiente afirmou em nota que a “prerrogativa de exonerar/nomear é do Ministro de Estado” e que “não houve divergência alguma entre o diretor exonerado e qualquer servidor”.

Planaveg, elaborado por Scaramuzza e sua equipe, é considerado um dos pilares da meta brasileira no Acordo de Paris, a NDC. Para cumprir seu compromisso de reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 37% em 2025 em relação a 2005, o Brasil se comprometeu a restaurar e reflorestar 12 milhões de hectares. O objetivo do Planaveg, segundo sua ementa, é “ampliar e fortalecer políticas públicas, incentivos financeiros, mercados, tecnologias de recuperação e boas práticas agropecuárias para a recuperação da vegetação nativa, especialmente em áreas de preservação permanente e reserva legal, mas também em áreas degradadas com baixa produtividade agrícola”. A ideia é trabalhar sobre o passivo que precisa ser regularizado pelo Código Florestal, que chega a 24 milhões de hectares de florestas.

Para isso, o plano prevê ações em oito áreas: sensibilização de produtores rurais; sementes e mudas; fomento a mercados; arcabouço institucional; novos mecanismos financeiros para a restauração; extensão rural; monitoramento; e pesquisa e desenvolvimento.

Scaramuzza teve papel fundamental na concepção e “destravamento” da portaria interministerial, publicada no último dia 16 no Diário Oficial da União. A portaria foi anunciada com pompa e circunstância por Sarney Filho na quinta-feira passada, em Bonn, e foi considerada a única ação concreta anunciada pelo Brasil na COP23 para o cumprimento da NDC – a outra novidade do Brasil, o programa RenovaBio, ainda depende de aprovação no Congresso.

A ex-ministra do Meio Ambiente Izabella Teixeira considerou a exoneração do diretor “um retrocesso”. “Acho ruim o ministério perder um profissional como ele, principalmente porque é um especialista em biodiversidade fazendo a ponte estratégica com a agenda de clima.”

Questionado sobre a própria exoneração, o ex-diretor disse apenas que “batalhou o quanto foi possível”

 

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11 comentários em “MMA demite pai de plano de recuperação florestal uma semana após seu lançamento”

  1. Confesso que estou lendo e relendo esse artigo pra tentar entender se o tom é apenas a esquerdice explícita do Observatório do Clima em tempos de não-PT, ou se o pessoal ficou ouriçado que tiraram um amiguinho de alguém. Eta materinha pouco relevante pro tema. Deveria estar no Brasil 247 ou outro blog partidário,

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  2. Mais um comentário estúpido de Truda! Que surpresa! Como ele nunca deve ter conhecido o Scaramuza, fica trazendo seu discurso esquerdopata míope sem considerar o retrocesso que é sua saída do MMA. Ao contrário do Scara, Truda nunca vai conseguir mostrar competência e trabalhar sem tomar partido.

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  3. O ódio é sem limites mesmo em qualquer área…O artigo traz a informação que a pessoa entrou no governo Dilma e continuou no governo Temer. Informa ainda que, no governo Temer, liderou um plano que foi utilizado pelo governo Temer (via Sarney Filho); mais que isto, apresenta que este plano foi apresentado na COP23 pelo Brasil, ou seja, deve ser um plano que tem lá a sua importância. Ou seja, segundo o texto, o cara trabalhou independente de "ser PT" ou "ser PMDB" (ou DEM, ou PSC, ou qualquer outra legenda que apoia o atual governo). Dai, na falta de uma crítica ao plano – até porque o mesmo foi utilizado pelo atual governo… – tentam desqualificar a notícia falando que ela tem viés partidário e é chororô de “mortadela”…Dai eu consigo realmente entender a notícia (que saiu há cerca de um mês atrás em alguns jornais) de que no Brasil, menos de 20% das pessoas que lêem conseguem interpretar um texto e fazer uma análise crítica do que lêem.

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  4. Ele era concursado de carreira ou só comissionado? Se era concursado, o MMA não perdeu ninguém, como disse a ex-ministra. Se era só comissionado…"a prerrogativa de exonerar/nomear é do Ministro de Estado”!

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  5. Independentemente de ter vindo de governo "A" ou "B" a matéria deixa claro que é um profissional competente.A Administração Pública brasileira, seus políticos em geral( de todos os partidos) e a população nunca vão levar o meio ambiente à sério . Daqui a algum tempo será tarde demais.

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