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Manaus, a capital da fumaça

Queimadas no interior encobrem o céu da capital do Amazonas de fumaça. Estado já bateu este ano o recorde de registro de focos de incêndio.

Vandré Fonseca ·
5 de outubro de 2015 · 6 anos atrás
Manaus-Queimadas-2015
Manaus sofre com fumaça e estado do Amazonas quebra recorde de queimadas a 3 meses do fim do ano. Foto: Vandré Fonseca

Manaus, AM — O céu de Manaus começa outubro da mesma maneira que terminou setembro: coberto de fumaça. A densa névoa apareceu há cerca de uma semana encobrindo o sol no horizonte e reduzindo a visibilidade nas ruas da capital do Amazonas. Ela é provocada pelas queimadas em áreas próximas a cidade, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O fogo, aliás, castiga o estado como nunca.

Até domingo (04/10), já tinham sido registrados 11.439 focos de calor no Amazonas este ano, contra 7.543 no mesmo período do ano passado, um aumento de 51%. Ainda faltam quase três meses para o ano acabar, e já é batido o recorde de registros em apenas um ano no estado. A notícia ruim continua nos primeiros dias de outubro, com 399 focos registrados.

Há um grande número de focos na Região Metropolitana de Manaus e municípios próximos. Dois municípios na área sob influência da BR-319 estavam entre os recordistas no estado de registros de queimadas no período de 01 a 29 de setembro: Careiro, a 102 quilômetros de Manaus, com 350 focos; e Autazes, a 108 quilômetros da capital, com 222 foco. Esses dois municípios sofrem grande pressão devido à expansão agropecuária.

As consequências do fumaceiro são percebidas no sistema de Saúde. De acordo com dados da Secretaria Municipal de Saúde, as chamadas ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) aumentaram 15% nos primeiros dias de outubro. A maioria dos casos era de pedidos de informação sobre como proceder para cuidar de crianças que estavam passando mal devido à inalação de fumaça.

Entre os sintomas da intoxicação pela fumaça estão dificuldade de respirar, tosse, congestionamento nasal e irritação dos olhos. “Orientamos a população a tomar bastante líquido, a evitar exercícios físicos em locais com grandes focos de fumaça, que colocasse soro fisiológico nas narinas e em casos graves de asma e outras doenças respiratórias, que procurasse o médico”, disse o secretário municipal de Saúde, Homero de Miranda Leão.

Após vacilar no primeiro momento e culpar queimadas nos estados vizinhos, Pará e Mato Grosso, pela fumaça em Manaus, o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) só se mobilizou para enfrentar o problema no fim de semana, em uma ação conjunta que inclui também Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Corpo de Bombeiros e o Batalhão Ambiental da Polícia Militar. No sábado (3 de outubro), as ações  do Centro Integrado Multiagências para o Combate às Queimadas no Amazonas (Cimaam) começou a agir.

As queimadas no Amazonas estão crescendo nos últimos anos, a ponto de desde 2012 o estado registrar mais focos de calor do que Rondônia. O descontrole ocorre justamente no ano em que o governo estadual desmontou o sistema de gestão do Meio Ambiente, com cortes profundos na Secretaria de Meio Ambiente. Mas o clima também não está colaborando.

As queimadas são favorecidas por um ambiente muito quente e mais seco do que o normal, efeito do fenômeno El Niño. Além disso, conforme o Inpe, ventos fracos e que oscilam de direção tem dificultado a dispersão da fumaça provocada pelas queimadas próximas a Manaus. À noite, quando a temperatura diminuiu, a fumaça concentrada na atmosfera tende a baixar e provocar a névoa em Manaus. Durante o dia, quando a temperatura aumenta, a tendência é a fumaça diminuir um pouco. Mas ela retorna nas primeiras horas da noite. A situação deve continuar a se repetir, se as queimadas não forem contidas e os ventos noturnos, que poderiam dispersá-las, não ajudarem.

 

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