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Vale o que está escrito: a assinatura do presidente ampliando áreas protegidas. Foto: Gilberto Soares/MMA.

Vale o que está escrito: a assinatura do presidente ampliando áreas protegidas. Foto: Gilberto Soares/MMA.

Até as árvores do bosque dos Constituintes já sabiam que o governo pretendia tirar da gaveta a ampliação de pelo menos duas unidades de conservação: o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros e a Estação Ecológica do Taim. É a tradição do Dia Mundial do Meio Ambiente. Mas o pacote de bondades não parou por aí: o governo acrescentou mais uma área protegida que teve seu tamanho aumentando: a Reserva Biológica União, e criou um novo Parque Nacional, o dos Campos Ferruginosos, no Pará.

A mais nova unidade de conservação do país tem 79.029 hectares e fica numa parte sensível do Pará, entre os municípios de Canaã de Carajás (82,9%) e Parauapebas (17,1%). O parque fica bem ao lado Floresta Nacional de Carajás, região conhecida por conter umas das maiores reservas minerais do planeta.

O parque protege uma vegetação de campos rupestres conhecidos como ferruginosos, daí o nome da unidade, um tipo raro de ecossistema associado aos afloramentos rochosos ricos em ferro. O parque abriga cavernas e ambientes aquáticos. A mineradora Vale, como parte de condicionante para receber a Licença de Instalação (LI), investirá na estruturação do parque.

Veadeiros

A aguardada ampliação do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, que saiu de 65 mil hectares para 240 mil hectares, finalmente foi oficializada. A luta para aumentar o tamanho da Unidade já dura mais de 15 anos.

Segundo o ICMBio, o parque passará a ter duas áreas descontínuas, cortadas pela BR 239 – uma maior, de 222 mil hectares, que engloba a atual poligonal, por onde passa o rio Preto; e outra menor, de 18 mil hectares, que inclui a região do rio dos Macacos.

Além de Alto Paraíso, Cavalcante e Colinas do Sul, que já eram abrangidos pelo parque, os novos limites vão incluir partes dos municípios de Teresina de Goiás, Nova Roma e São João da Aliança.

Taim

O Taim é lindo e agora está maior. Foto: Leila Fachinetto/Wikiparques.

O Taim é lindo e agora está maior. Foto: Leila Fachinetto/Wikiparques.

Anunciada há dois meses pelo ministro Sarney Filho, a ampliação da Estação Ecológica de Taim foi oficializada nesta segunda-feira. A Esec passa a ter 32,7 mil hectares. Até ontem, a unidade protegia apenas 10,7 mil hectares, entre os municípios de Rio Grande e Santa Vitória do Palmar, no Rio Grande do Sul.

O Taim foi criado em junho de 1979 com a finalidade de preservar um grande viveiro natural de animais e vegetais distribuídos em banhados, campos, lagoas, praias arenosas e dunas litorâneas.

União

Localizada entre os municípios de Rio das Ostras, Casimiro de Abreu e Macaé, no estado do Rio de Janeiro, a Reserva Biológica União teve a área ampliada em 6 mil hectares, passando dos atuais 2,5 mil hectares para 8,6 mil hectares. A Rebio protege uma população endêmica de mico-leão-dourado no local.

Ao todo, o Brasil ganhou hoje 282 mil hectares de áreas protegidas. Isso é metade do que o Congresso conseguiu diminuir ou flexibilizar com a aprovação das Medidas Provisórias 756 e 758, que recortaram quatro Unidades de Conservação, sendo três no Pará e uma em Santa Catarina. As MPs reduziram ou flexibilizaram a proteção de mais de 600 mil hectares na Amazônia. O presidente da República, Michel Temer, ainda não sancionou as medidas aprovadas pelo Congresso.
 

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