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Dique ilegal causou a morte de milhares de peixes no Pantanal

Pescadores gravaram vídeos mostrando peixes de diversas espécies agonizando até a morte. Ibama autuou fazendeiro por construção irregular

Fábio Pellegrini ·
3 de julho de 2017 · 4 anos atrás
Canal tem mais de 40 km de extensão e foi fechado sem licenciamento ambiental para impedir que campos de pastagem sejam inundados. Foto: Ibama.
Canal tem mais de 40 km de extensão e foi fechado sem licenciamento ambiental para impedir que campos de pastagem sejam inundados. Foto: Ibama.

Coxim (MS) – A equipe do Ibama de Mato Grosso do Sul autuou um fazendeiro no dia 20 de junho por construir um dique para impedir a entrada de água do rio Taquari em um canal natural em sua propriedade. Não houve flagrante, mas os fiscais ambientais constataram milhares de peixes agonizando, entre outros já mortos. A multa pode chegar a R$ 4,5 milhões.

O crime foi constatado em uma área praticamente inóspita, conhecida como Caronal, entre as sub-regiões do Pantanal do Paiaguás e da Nhecolândia, no município de Corumbá. O Ibama recebeu uma denúncia anônima pela Linha Verde no dia 16 de junho e a equipe chegou ao local no dia 18, pela manhã, devido à distância e ao difícil acesso, que exige deslocamento terrestre e fluvial.

Lá os fiscais constataram o fechamento de um canal na margem esquerda do rio Taquari, no qual foram utilizados sacos de ráfia preenchidos com areia dragada do leito do rio. Os sacos de areia foram amarrados em troncos extraídos da mata ciliar e enterrados.

O dique tinha menos de 20 metros de largura e cerca de um metro acima do nível do rio, vedando a conexão entre o leito do rio e as baías e áreas de inundação adjacentes. Segundo os fiscais ambientais, o canal se estende por 40 km, no mínimo, até seu leito desaparecer em meio a área alagada.

Somente no trecho inicial do canal fechado havia milhares de peixes de diversas espécies agonizando, outros já mortos. Foto: Ibama.
Somente no trecho inicial do canal fechado havia milhares de peixes de diversas espécies agonizando, outros já mortos. Foto: Ibama.

“Os galhos de árvores cortados tinham folhas ainda verdes, indicando que a obra era recente. Canal adentro havia milhares de peixes, das mais diversas espécies, muitos já mortos e outros tantos agonizando junto à superfície, devido à falta de oxigênio na água. Dada a extensão do canal, é possível que a mortandade que registramos (veja vídeo abaixo) seja uma parcela ínfima do dano ambiental causada pelo fechamento da baía”, diz Michel Lopes Machado, analista ambiental do Ibama, que coordenou a operação.

Os responsáveis pelo crime ambiental não estavam no local. Os fiscais apuraram que a chegada deles foi alertada previamente, pois a draga utilizada na vedação do canal foi levada a 3 km rio abaixo antes da chegada dos agentes. Uma segunda draga foi encontrada próxima dali mas estava sem uso, pois fora embargada em situação semelhante, em fevereiro passado.

O Ibama notificou o proprietário da fazenda Santa Fé da Boa Vista, já que o crime ambiental foi registrado na propriedade dele. Ele tem até o dia 6 de julho para apresentar sua defesa, podendo ser condenado a um ano de prisão, segundo a lei de crimes ambientais.

A multa a ser aplicada varia entre R$ 3 milhões a R$ 4,5 milhões, por dragagem de leito de rio sem licença ambiental, construção de dique sem licença ambiental e intervenção em área de preservação permanente, incluindo cortes de árvores, além do dano ambiental pela mortandade de peixes, o que influencia no valor da multa.

“Nossa intenção era reabrir o canal, mas não dispúnhamos de ferramentas. Ou se os responsáveis pela construção estivessem lá, seria dada a ordem de reabertura do canal”, revela o analista do Ibama.

 

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Comentários 8

  1. José diz:

    E importante fiscalizar, as áreas vulneráveis , para impedir as ações dos fazendeiros que nunca deveriam esta usando essas área de preservações permanentes, para preservar os recursos naturais do pantanal mato-grossense.


  2. Ivis diz:

    Infelizmente a baía foi fechada novamente, o rio taquari esta totalmente sem peixe, me parece que só a mão de Deus para resolver isso.


  3. Zaira diz:

    Meu Deus.
    Vou postar no meu canal no YouTube. Não me blobloqueiam PF.
    Nós precisamos divulgar aos quatro cantos isso, quem sabe a justiça tome uma atitude cabível.


  4. Carlos Akagi diz:

    Crime ambiental parecido com o que ocorreu no ano de 1997 , há vinte anos atrás, na mesma região, quando fecharam a BOCA DO ZÉ DA COSTA. Eu estive lá e presenciei o desastre que me comoveu tanto quanto o rapaz que fez esse video aqui apresentado. A gente sente e ouve pela sua voz a amargura, a indignação nas cenas chocantes. Na época, o fechamento da BOCA DO ZÉ DA COSTA ocasionou o desvio do rio Taquari para as bandas do Paraguai Mirim, engolindo o rio Negrinho e Pacú. O Taquari que desaguava no rio Paraguai , ali próximo ao Porto da Manga, próximo também da desembocadura do Rio Negro, que vem da Nhecolandia. Em um mês secou tudo por lá. Imagina a mortandade de peixes nesse trecho do Taquari. Imagina a quantidade de peixes mortos quando secava o alagado da CRUZINHA, o CAPÃO DA FORMIGA, a PALMEIRAS. Todo esse alagado que dependia de um só ARROMBADO: a BOCA DO ZÉ DA COSTA. Vejam o tamanho do desastre ambiental. Parabens a equipe do IBAMA que registrou essa ocorencia agora. Após vinte anos, vejo uma luz no fundo do túnel!


    1. Zaira diz:

      Muito bem lembrado, eu me lembro.
      Hoje escuto as pessoas reclamando e falo sobre esse desastre.
      Só Deus para punir esse vagabundo.


  5. Carlos Magalhães diz:

    Essas multas do IBAMA são de um ridículo atroz. Esta varia entre 3 e 4,5 milhões. Eu gostaria de ver um só fazendeiro que alguma vez na vida pagou uma multa dessas. É para não pagar mesmo. Ou alguém acha que um pantaneiro tem esse dinheiro?

    Uma multa de R$ 1.000,00 COBRADA E RECEBIDA seria muito mais eficaz.

    Qualquer infrator prefere uma multa de milhão ou mais… sabe que não pode e não vai pagar.


  6. paulo diz:

    Governo federal fraco.


  7. Ariel diz:

    Crime comum que ocorre todos os anos no pantanal do rio Taquari. Os Coronéis do Século XXI não respeitam ninguém e, como ficam impunes, riem de tudo e de todos.