Notícias

Contêineres caem no mar e lixo se espalha pela costa de São Paulo

Acidente ocorreu há 12 dias. Milhares de lembrancinhas de natal, mochilas, bicicletas e produtos eletrônicos caíram na água. Resíduo já aparece nas praias do litoral

Daniele Bragança ·
23 de agosto de 2017 · 4 anos atrás
Contênier resgatado. Foto: autor desconhecido.
Contênier resgatado. Foto: autor desconhecido.

Milhares de bolinhas de árvore de natal, mochilas, eletrônicos e escovas de dente poluem o litoral norte de São Paulo após 46 contêineres caírem no mar há 12 dias. Os resíduos já aparecem em praias e no mar em Peruíbe, Paranapuã, Santos, Bertioga, São Sebastião e Ilha Bela e, embora a empresa afirme que nenhum material poluente tenha sumido no mar, o lixo pode trazer consequências para a fauna marinha.

Isopor, bolinhas natalinas e plástico são confundidos com alimentos por peixes, tartarugas, golfinhos, aves e até baleias. A Log-in, empresa dona do navio que perdeu parte da carga, afirma que já contratou uma empresa especializada para realizar a limpeza das praias e encontrar a carga perdida. Dos 46 contêineres, apenas 18 foram achados. Até o momento, 4 foram retirados do mar.

“Como foram 46 contêineres que caíram é óbvio que houve um impacto, um impacto ambiental, mas não com produtos químicos, nada disso. […] Eram brinquedos, produtos de natal, calças, eletrodomésticos, ar-condicionado, impressoras, produtos diversos […]. Mas há o impacto da própria ocorrência e todo esse material que caiu no mar e esses contêineres”, explica Ana Angélica Alabarce, analista ambiental do Ibama, que está monitorando o acidente.

O navio segue atracado no Terminal da Libra, em Santos, e a operação de retirada dos contêineres que não caíram no mar vem sendo realizada com cuidado.

“A operação em curso para localização dos contêineres, desde seu início, já envolveu quatro embarcações, um helicóptero e mapeamento do fundo do mar. A equipe, que trabalha em diversas frentes, soma mais de 50 pessoas dedicadas à operação”, afirma, em nota, a assessoria de imprensa da Log-in.

Lixo que vai e volta

Limpeza na praia de Itaquitanduva. Foto: Log-in/Reprodução.
Limpeza na praia de Itaquitanduva. Foto: Log-in/Reprodução.

A ressaca do último final de semana espalhou o resíduo pelas praias e sujou outras que já haviam sido limpas pela empresa Hidroclean, contratada para realizar o serviço de recolhimento do material.

O Ibama está monitorando o acidente. A empresa foi notificada e já apresentou o plano de ação para localização e retirada dos contêineres da região. A empresa envia um relatório detalhado da operação diariamente para o órgão ambiental.

“Estamos insistindo na parte de resíduo e eles [a empresa] estão atendendo tudo o que a gente fala. Ontem, na hora do almoço, fiquei sabendo que em São Sebastião eles tinham investigado algumas cargas, que seriam enfeites de natal, de roupas, tábuas, algumas coisas assim. Então, de imediato, liguei e eles já tinham estado lá, já iam recuperar tudo para limpar as praias. Só que são muitas praias, são muitas equipes, mas estão fazendo, até porque se não atenderem, a gente [o Ibama] vai sair com os autos de infração”, disse Ana Angélica.

Por enquanto, não se têm notícias se a carga espalhada atingiu santuários da vida marinha, como a Estação Ecológica de Tupinambás, o Parque Estadual Marinho da Laje de Santos e o Refúgio de Alcatrazes, mas a extensão do acidente é grande. Nas redes sociais, fotos reunidas por pescadores, ambientalistas e membros do setor de turismo mostram resíduos que vão de Peruíbe a São Sebastião. Separamos algumas.

Rastro de lixo na praia. Foto: Divulgação.
Rastro de lixo na praia. Foto: Divulgação.
Bolinhas de natal, escovas de dente e tampas de privada fazem parte do resíduo que caiu no mar. Foto: Divulgação.
Bolinhas de natal, escovas de dente e tampas de privada fazem parte do resíduo que caiu no mar. Foto: Divulgação.
Mais artefatos natalinos. Foto: Divulgação.
Mais artefatos natalinos. Foto: Divulgação.
À deriva. Foto: Divulgação.
À deriva. Foto: Divulgação.
Foto: Divulgação.
Foto: Divulgação.

 

Leia Também 

O Petróleo é nosso e a poluição também

Poluentes de vida curta aumentam nível do mar

O Homem e o Mar: desafios da conservação dos oceanos

  • Daniele Bragança

    É repórter especializada na cobertura de legislação e política ambiental. Formada em jornalismo pela Universidade do Estado d...

Leia também

Análises
5 de novembro de 2012

O Homem e o Mar: desafios da conservação dos oceanos

Entenda a convenção da ONU que dita os direitos dos países sobre suas águas territoriais e porque ela é insuficiente para salvar os mares

Reportagens
10 de janeiro de 2017

Poluentes de vida curta aumentam nível do mar

Impacto causado por gases como o metano e HFCs pode durar 800 anos, mesmo que esses poluentes permaneçam por poucas décadas na atmosfera, dizem cientistas norte-americanos

Análises
29 de outubro de 2013

O Petróleo é nosso e a poluição também

Derramamento de óleo na costa são problemas comuns e longe de solução, principalmente pela postura evasiva das empresas petrolíferas.

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Comentários 1

  1. ICMBio Alcatrazes diz:

    O ICMBio Alcatrazes lavrou na data de hoje auto de infração em desfavor da empresa Log In Logística Intermodal Ltda, com base em constatações de vistoria realizada ontem na área do Refúgio Alcatrazes, de aporte de materiais oriundos dos contêineres que foram lançados ao mar após queda de um navio da empresa LOg IN Logística no último dia 11.

    A infração ambiental autuada foi capitulada no Art. 90 do Decreto Federal n° 6.514/08, e a multa foi de R$ 10.000,00 – valor máximo previsto, dado o porte da empresa autuada. Uma vez que a sede da empresa situa-se na cidade do Rio de Janeiro, o auto de infração está sendo enviado por correio, e como prevê também o Decreto 6.514/08, a empresa tem 20 dias após o recebimento do mesmo para exercer seu direito ao contraditório e à ampla defesa no âmbito do processo administrativo decorrente da autuação, já instaurado no ICMBio. Também em consonância com a legislação ambiental vigente, o ICMBio comunicará o Ministério Público Federal sobre a autuação, para que este avalie e decida acerca das medidas cabíveis na esfera judicial.

    As ações do ICMBio Alcatrazes não se encerram com a autuação. Novas vistorias serão realizadas a fim de averiguar quaisquer impactos do aporte de materiais sobre o ecossistema protegido, especialmente a fauna, tanto a aquática quanto a terrestre. Estamos também em comunicação com a empresa que está realizando o serviço de limpeza desses materiais, a fim de propiciar os meios necessários para que os responsáveis cumpram com sua obrigação de recolhimento dos mesmos também em Alcatrazes.