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Concurso para manter guardas-parques mineiros preocupa ambientalistas

Nova contratação exigirá prova e pode desempregar guardas-parques antigos e já treinados. Contratos com terceirizadas terminam agora

Sabrina Rodrigues ·
14 de fevereiro de 2017 · 4 anos atrás
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Parque Estadual do Rio Preto. Foto: Liana Carvalho.

Deco é um guarda-parque que trabalha há 20 anos no Parque do Rio Preto, localizado em São Gonçalo do Rio Preto, em Minas. Embora tenha estudado só até o segundo ano primário, de tanto trabalhar guiando especialistas, tornou-se autodidata em botânica. Conhece, pelo nome científico, todas as espécies que ocorrem no parque. Mas com os fins dos contratos das empresas terceirizadas, Deco e outros guardas-parques terão que prestar concurso público para continuar a exercer a função que desempenham há tantos anos. O perigo, alerta a Associação Mineira de Defesa do Ambiente (AMDA), é a seleção perder a mão de obra já treinada que tanto contribuiu para a manutenção da biodiversidade das áreas protegidas estaduais.

Os repetidos atrasos nos pagamentos dos terceirizados pelas empresas contratantes já causou o fechamento de 12 unidades de conservação em novembro. Agora, com o fim dos contratos da empresas Cristal Serviços Especializados Ltda — cuja vigência do contrato termina na próxima quinta-feira (16) –, e Verso — que deixará de prestar serviço em março –, os novos contratos serão assumidos pela Minas Gerais Administração e Serviços S/A (MGS), empresa pública que, por meio de concurso público, mantém parte do quadro de funcionários do Estado.

A solução para o fim dos atrasos nos salários, elogiada inclusive pela Amda, pode se converter em prejuízo pras unidades se as provas, marcadas para acontecer no próximo dia 5 de março, não focarem na realidade da formação dos profissionais atuantes. O grau de escolaridade exigido para a função guarda-parque é ensino fundamental incompleto. “Em nosso entendimento, as questões da prova deveriam ser focadas no conhecimento que eles têm de sua região e dos parques. Não vemos qualquer utilidade saberem, por exemplo, qual é a divisão política do Estado ou quem são cantores ou atores de projeção nacional”, diz Dalce Ricas, superintendente da Amda.

A entidade conversou com diversos gerentes de UCs que expressaram grande preocupação em perder funcionários que têm longa experiência e conhecimento aprofundado do seu trabalho e a contratação de pessoas que não têm ligação com a realidade local. Alguns reclamaram do fato de não terem sido chamados a opinar sobre o assunto.

As provas do concurso público estão previstas para acontecer no dia 5 de março. No intervalo entre as provas e a efetiva contratação, os parques ficarão sem funcionário.

*Com informações da Assessoria da Amda.


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  • Sabrina Rodrigues

    Repórter especializada na cobertura diária de política ambiental. Escreveu para o site ((o)) eco de 2015 a 2020.

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Comentários 3

  1. er123ay diz:

    Esse Concurso foi divulgado amplamente no site pci concursos que foi muito útil


  2. fa123na diz:

    Seria muito ruim perder a mão de obra já treinada que tanto contribuiu para a manutenção da biodiversidade das áreas protegidas estaduais.


  3. umbrios27 diz:

    Seria ruim perder profissionais experientes, e espero que o concurso seja bem feito, com questões de foco específico na realidade dos parques. Isso dito, é bem perigoso o que fica implícito no artigo. Funcionários públicos devem sim ser concursados, e as provas devem selecionar os mais aptos, e não aqueles com mais contatos ou experiência ou que já trabalham no cargo. Querer "dar um jeitinho" para que não perca o emprego quem já está lá é uma das formas como a corrupção começa.