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Candidato à superintendência do Ibama no Pará é denunciado por desrespeito ao Código de Ética

Para servidor do Ibama, declarações de Everaldo Eguchi são uma ameaça indireta a servidores do órgão. Wallace Lopes pediu para a corregedoria da PF investigar a conduta do delegado federal

Vandré Fonseca ·
7 de janeiro de 2019 · 2 anos atrás
Delegado afirmou que, se assumir superintendência no Pará, Ibama deixará de ser pedra no sapato dos produtores. Acima, ação de fiscalização de desmatamento na Terra Indígena Cachoeira Seca, Pará. Foto: Vinícius Mendonça/Ibama.

Manaus, AM ‒ O superintendente em exercício do Ibama no Tocantins, Wallace Rafael Rocha Lopes, pediu a corregedoria da Polícia Federal que investigue a conduta do delegado federal Everaldo Eguchi, candidato derrotado à Câmara do Deputados e cotado para assumir a superintendência do órgão ambiental no Pará.

O pedido está em um ofício enviado nesta segunda-feira (07), ao presidente da Comissão de Ética e Disciplina da Polícia Federal, Omar Gabriel Haj Mussi. No texto, ele cita o Inciso 20 do artigo 7º do Código de Ética da instituição, que veda ao policial federal “ expor, publicamente, opinião sobre a honorabilidade e o desempenho funcional de outro agente público”.

Após o vazamento de um áudio em que promete não atrapalhar produtores rurais, Eguchi deu entrevistas onde acusa o Ibama de abusos e de extorsão contra produtores rurais. “O Ibama vai parar de extorquir, falando o português claro”, afirmou ao jornal O Globo, em reportagem publicada na sexta-feira (04/01). Ele acusa ainda o Ibama de outros crimes, como disparar tiros de fuzil e atear fogo em caminhões.

As acusações deixaram os servidores do Ibama perplexo, segundo Wallace Lopes. “Se ele tem conhecimento de alguma irregularidade acontecendo dentro da instituição Ibama, ele tem que investigar e não simplesmente alegar num meio de comunicação que o órgão está agindo de forma errada, sem dar a oportunidade de contraditório de defesa’, afirma o superintendente em exercício do Ibama no Tocantins. “Não vamos deixar essa situação sem esclarecimento”, completou.

O presidente Jair Bolsonaro e o ex-candidato a delegado federal, Everaldo Eguchi (PSL). Foto: Reprodução/Facebook.

Wallace destaca ainda que declarações como as do candidato derrotado são uma ameaça indireta aos servidores e causam insegurança para fiscais do órgão, pois legitimam ações de grupos contrários às ações de controle de desmatamento. “Quando uma pessoa veicula informações como esse, acaba que algumas pessoas se acham legitimadas para tacar fogo no carro do Ibama ou agir contra o órgão. Esse tipo de discurso é uma apologia ao crime”, declara.

No ofício, Wallace afirma que as palavras do delegado “soam com apologia ao crime e provocam injúria”. O servidor do Ibama escreve ainda que as ações do Ibama são pautadas pela legislação ambiental e que não existe a intenção da instituição ou dos servidores de “atrapalhar a produção”.

No texto, ele faz ainda uma comparação entre a atuação do Ibama e da Polícia Federal: “A propósito, dizer que o Ibama é uma pedra no sapato de todos os produtores seria o mesmo que dizer que a polícia federal é uma pedra no sapato de todos os políticos, o que nem de longe seria uma verdade, já que as ações do Estado somente se dão sobre aqueles que cometem algum tipo de ilegalidade”.

Candidato a deputado federal pelo PSL, Eguchi teve 52.393 votos e não conseguiu se eleger. Ele estaria sendo cotado para assumir a superintendência do Ibama, um cargo que normalmente é indicado por políticos do estado. Segundo o que falou ao jornal do Rio de Janeiro, ele não recebeu nenhum convite para assumir o cargo, mas produtores de soja teriam dito que iriam indicá-lo.

 

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