Bomba no Congresso é ‘fake news’, diz Greenpeace

Vandré Fonseca
segunda-feira, 25 junho 2018 21:27
A organização não governamental, que assumiu ter levado o equipamento dentro de uma pasta de plástico, acusa os deputados de criarem uma “fake news” ao divulgarem a suspeita de bomba. Foto: Greenpeace/Flickr.

A noticiada suposta bomba encontrada na Câmara dos Deputados na semana passada nada mais é do que uma buzina de motocicleta, afirma o Greenpeace. Ela seria usada para fazer barulho contra contra o “Pacote do Veneno”.

A organização não governamental, que assumiu ter levado o equipamento dentro de uma pasta de plástico, acusa os deputados de criarem uma “fake news” ao divulgarem a suspeita de bomba.

“Única bomba é essa lei de agrotóxicos que eles querem aprovar”, reagiu o coordenador de Políticas Públicas do Greenpeace, Marcio Astrini.

A falsa notícia de bomba foi uma artimanha, de acordo com Astrini, para que a comissão se reunisse de portas fechadas, fugindo da pressão dos manifestantes.

A Assessoria de Imprensa da Câmara dos Deputados não quis dar detalhes sobre o caso, que está sob investigação.

Em nota, informou que, na quarta-feira da semana passada, uma pasta foi achada no Plenário 6 do Anexo II, com “um simulacro de artefato explosivo dentro”.

Uma ocorrência foi aberta pela Polícia Legislativa. Logo depois, foi divulgada a informação de que o suposto artefato havia sido levado por integrantes do Greenpeace.

PL dos agrotóxicos

O Projeto de Lei 6299/2002, chamado de Pacote do Veneno pelos críticos, reduz as exigências para o uso de venenos na agricultura e passa a chamar os agrotóxicos de “defensivos fitossanitários”.

Defendida por deputados ligados ao agronegócio e indústrias químicas, a proposta vem sendo criticada por ambientalistas e cientistas.

Em nota, a Fundação Oswaldo Cruz divulgou afirma que o projeto negligencia a promoção da saúde e  proteção da vida.

Entre as mudanças criticadas está a centralização sobre a liberação de agrotóxicos no Ministério da Agricultura, tornando tanto a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) quanto o Ibama órgãos meramente consultivos nessa questão.

A nota da Fiocruz chama a atenção também para a inserção pela proposta na “análise de risco”, que segundo a fundação vai permitir a liberação de produtos perigosos, que podem causas câncer, mutações e más-formações congênitas e desregular hormônios, se o risco for considerado “aceitável”.

Apesar das críticas, a proposta foi aprovada na comissão especial, nesta segunda-feira, por 18 votos a 9. Ela não precisa passar por comissões permanentes e já pode ser incluída na Ordem do Dia no Plenário.

Se aprovada, precisará passar pelo Senado e por sanção do presidente da República.

 

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