Notícias

Abelhas podem ajudar a proteger o café dos impactos do aquecimento

Aumentar as variedades do inseto na plantação pode manter a produtividade do grão e compensar parte das perdas causadas pelas mudanças climáticas na América Latina

Observatório do Clima ·
17 de setembro de 2017 · 4 anos atrás
Tire esse aquecimento global do caminho do cafezinho. Foto: Waferboard/Flickr.
Tire esse aquecimento global do caminho do cafezinho. Foto: Waferboard/Flickr.

As transformações no clima vão afetar drasticamente o cultivo de um grão que é matéria-prima para a bebida mais popular do Brasil e ajuda na subsistência de centenas de milhares de pessoas. De acordo com um estudo publicado nesta segunda-feira (11) no periódico Proceedings of the National Academy of Sciencesas mudanças climáticas podem reduzir drasticamente (de 73% a 88%) a área destinada ao cultivo de café na América Latina até 2050, assim como diminuir (de 8% e 18%) a quantidade de espécies de abelhas na maioria das plantações, em cenários de aquecimento médio e alto. As abelhas são os polinizadores dos cafezais – portanto, sem elas suas manhãs seriam um verdadeiro pesadelo.

A pesquisa considerou 39 espécies de abelha, variedades de café comuns na América Latina, 19 variáveis climáticas e cenários diversos de aquecimento; regiões montanhosas, que produzem café de alta qualidade, estão entre as mais vulneráveis às alterações do clima.

Elas sofrerão duplamente: além de perder área de cultivo, terão de lidar com a falta de abelhas. São casos extremos, mas que não devem ser tão raros caso a temperatura do planeta supere o limite de 2° Celsius estabelecido pelo Acordo de Paris.

Plantação de café. Foto: Imaflora.
Plantação de café. Foto: Imaflora.

Com uma quantidade menor de espécies de abelhas, os cafezais que ainda tiverem condições de produzir deverão apresentar uma quantidade menor de frutos por falta de polinização. A consequência imediata é a redução do volume de grãos e do número de sacas por hectare, prejudicando o abastecimento da população e a subsistências de pequenos e médios agricultores, que produzem, apenas no Brasil, mais de 43 milhões de sacas por ano.

“Viveremos situações desafiadoras, em que os agricultores podem ter de substituir a cultura do café por outro grão, mais apropriado para as condições climáticas futuras”, disse Pablo Imbacha, um dos autores do estudo. “O mais comum, no entanto, é que as regiões tenham de lidar com pelo menos um dos fatores negativos: perda de espécies ou de áreas cultiváveis”, afirmou.

Apenas em casos raros, como em pequenas regiões da América Central, o sinal se inverte e o benefício poderá vir em dobro: mais variedade de abelhas e mais áreas de cultivo.

A boa notícia é que há como compensar, pelo menos em parte, a perda de produtividade dos cafezais. Isso porque as abelhas são mais resistentes que os pés de café às variações climáticas – e podem ajudar a compensar as perdas causadas pelo aquecimento da Terra. De acordo com o estudo, aumentando o número de espécies para 10 ou 12, é possível manter a produtividade das regiões.

A dica de ouro, portanto, é investir no aumento de variedades de espécies de abelhas e conservar as florestas próximas aos cafezais, uma forma de manter a polinização em alta o ano todo. Também recomenda-se ajustar as técnicas produtivas às novas necessidades da plantação, como ampliar a área de sombra e aumentar a irrigação.

 

logo Republicado do Observatório do Clima através de parceria de conteúdo.

 

 

Leia Também 

Beija-flores bem dotados, corolas profundas e o verdadeiro mestre da humanidade

Mudanças climáticas põem advogados para trabalhar

Chocolate com sustentabilidade

 

 

  • Observatório do Clima

    O Observatório do Clima é uma coalizão de organizações da sociedade civil brasileira criada para discutir mudanças climáticas

Leia também

Análises
25 de agosto de 2010

Chocolate com sustentabilidade

Fundada por francês aventureiro, Fazenda Abracadabra, no sul da Bahia, é um projeto de agrofloresta para produção de cacau na Mata Atlântica

Reportagens
3 de setembro de 2017

Mudanças climáticas põem advogados para trabalhar

Ciência levanta provas robustas sobre o papel da humanidade na transformação do clima, impulsiona ações judiciais e pode levar governos e empresas a investir em mitigação

Análises
15 de julho de 2014

Beija-flores bem dotados, corolas profundas e o verdadeiro mestre da humanidade

Economia e ecologia compartilham mais semelhanças do que o prefixo em comum, pois lidam com oferta, demanda e competição por espaços.

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Comentários 1

  1. Mariana diz:

    Sei que postaram um link para o periódico, mas ele não leva ao artigo citado, e não estou conseguindo encontrar o artigo nas buscas. Vocês poderiam colocar um link para o artigo? Obrigada.