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Copa do Mundo das áreas protegidas: Gana

Com problemas dentro e fora do campo, Gana encara a eliminação na Copa do Mundo, ao mesmo tempo que tenta frear a destruição de seus recursos naturais.

Daniele Bragança ·
26 de junho de 2014 · 7 anos atrás

Os “black stars” possuem uma das mais prestigiadas seleções da Confederação Africana de Futebol. Tetracampeã da Copa Africana de Nações (torneio equivalente a Copa América e a Eurocopa), duas vezes campeã mundial Sub-17 e campeã mundial Sub-20, Gana se destaca como reveladora de talentos para o futebol mundial. Destacam-se Abedi Pelé, o melhor jogador da história do país e pai de Jordan e Andre Ayew, jogadores da seleção atual.

A seleção profissional participa de sua terceira Copa do Mundo. Em 2006 passou da primeira fase, mas foi eliminada pelo Brasil nas oitavas de final. Em 2010 teve a sua melhor campanha, chegou ao sétimo lugar, derrubada nos pênaltis para o Uruguai.

Entretanto, como acontece com outras seleções africanas, a desorganização de sua federação local, os conflitos entre cartolas, comissão técnica e jogadores (costumeiramente com relação a premiação, um problema constante para os africanos que vão disputar um Mundial) e a falta de disciplina tática impedem Gana de alçar vôos mais altos. Prova disso é a campanha da seleção atual que, mesmo com jogadores de nível internacional (os irmãos Ayew, Muntari, A. Gyan, K. Asamoah, Mensah e Kevin-Prince Boateng), não conseguiu se classificar para a próxima fase.

No campo das áreas protegidas, Gana conta com 7 parques nacionais e 5 áreas de gestão de habitats ou espécies (como o Santuário de Aves de Kumasi), um total de 12 áreas protegidas, que protegem mais de 1,3 milhões de hectares, ou cerca de 5% do território do país.

E mesmo as áreas protegidas não estão tão seguras assim. A maioria sofre com a caça desenfreada e desmatamento ilegal, o que fez o país da África Ocidental a perder 90% de suas florestas primárias nas últimas décadas.

A falta de investimentos nos parques, que são sub financiados, agrava o problema. A demora em implementar as áreas também causou grandes danos ao ambiente local. O Parque Nacional Digya, por exemplo, foi declarado como Área Protegida em 1900, mas só recebeu o status de Parque Nacional no começo da década de 70. É o segundo maior parque nacional do país, com uma área de 374.3 hectares (3.743 quilômetros quadrados). O parque é lar de pelo menos seis espécies de primatas. A população de elefantes também é o segunda maior em Gana. Há também peixes-boi e lontras ao longo do Lago Volta, que se estende ao longo do parque.

A maior área de conservação do país é o Parque Nacional Mole, com 484 mil hectares. Em 1958, o local virou refúgio de vida selvagem e, em 1971, a pequena população humana da área foi transferida e as terras foram designadas Parque Nacional. Apesar dos problemas de caça furtiva, o parque consegue proteger importantes espécies de antílopes, além de ser o lar de mais de 93 espécies de mamíferos. Os grandes mamíferos do parque incluem uma população de elefantes, hipopótamos, búfalos e javalis.

O talento para preservar grandes espécies também é compartilhado pelo Parque Nacional Nini Suhien, localizado na área de floresta da Região Ocidental de Gana. Estas áreas são tão ricas em biodiversidade que cerca de 300 espécies de plantas foram registradas em um único hectare.

Mais 4 parques nacionais (Parque Nacional Kakum, Parque Nacional Bui, Parque Nacional de Bia e Parque Nacional Kyabobo) completam o número de áreas protegidas do país, com o acréscimo dos santuários da vida selvagem de Owabi, Agmatsa, Tafi Monkey, Boaben-Fiema Monkey e o Complexo Lagoa Keta, que tem área de gestão de 120 mil hectares e área da lagoa de 30 mil ha, estabelecido como uma área protegida das zonas úmidas (sítio Ramsar) com manejo de uso múltiplo.

Veja abaixo algumas das figurinhas carimbadas das unidades de conservação de Gana.

Parque Nacional Mole
Parque Nacional Mole
  

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  • Daniele Bragança

    É repórter especializada na cobertura de legislação e política ambiental. Formada em jornalismo pela Universidade do Estado d...

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Comentários 7

  1. Silvio diz:

    Os “soldados” subiram no dia dois de setembro, antecipando a preparação para o apocalipse, previsto pelo Messias para acontecer no sete de setembro, quando tocariam o seu berrante (desculpe, mas aquilo não é uma trombeta.) do alto do Dedo de Deus. Imaginem só, que apoteótico! Infelizmente, para eles, o apocalipse foi apenas mais um fake.


  2. joão oliveira botelho diz:

    Deixem os pobres sujeitos curtirem seu apocalipse pessoal. É a escatologia da imbecilidade.


  3. Alzira diz:

    Fanatismo exacerbado, irresponsabilidade total… Mas ao mesmo tempo… Tem minha admiração, boa sorte para eles na descida. Meu Deus!!! Corajosos.


  4. Marcos diz:

    Ótima reportagem!
    Em si. Pura adrenalina.
    Meu sonho passar um dia por ali com meu Parapente.


  5. Moraes diz:

    O registro da infração é válido e qualquer ato não autorizado deve ser apurado. Há que se apurar também o responsável pelo sobrevôo não autorizado. Dito isto, fica claro também que boa parte da indignação demonstrada na matéria é relativa à prática religiosa. Uma clara demonstração de preconceito. Fico imaginando se fosse o caso de um ritual oriental ou de matriz africana, se haveriam os adjetivos pejorativos, ou se a matéria trataria somente do ato infracional.
    É preciso ficar de olho no “eco”, mas também na intolerância religiosa!


  6. epocavital diz:

    “EXERCITO DE CRISTO”; Tem que Deixa-los lá no Topo, já que é um ‘exercito’,..Devem Possuir Algum Armamento Bélico, Elicópteros,..?
    OBS: deve ser investigado, Qual o Objetivo,..pois pode ser ‘Artimânha do AGRONEGÓCIO’.


  7. Fabio Olmos diz:

    Para que arriscar a vida para resgatar os trompetistas? Deixem deus cuidar dos seus. Ou que eles ganhem um merecido Prêmio Darwin