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A Fotografia de Natureza perde Luiz Claudio Marigo

Fotógrafo sofreu enfarto dentro de um ônibus que passava em frente ao Instituto Nacional de Cardiologia, que negou atendimento médico

Redação ((o))eco ·
3 de junho de 2014 · 7 anos atrás
Luiz Claudio Marigo em um mini-cursos de Birding Guide e Fotografia de Aves, no Parque Estadual da Serra da Cantareira. Foto: Dario Sanches.

Morreu na manhã de ontem, aos 63, anos, o fotógrafo Luiz Claudio Marigo, um dos principais fotógrafos de natureza do país, vítima de um grave enfarto e do descalabro da saúde pública do país.

Em dezembro de 2004, ((o))eco publicou um ensaio com 20 fotografias de Luiz Claudio, que teve seus trabalhos divulgados nas mais importantes publicações do mundo, incluindo a National Geographic americana, a Natural History, a International Wildlife, BBC Wildlife, Terre Sauvage e Das Tier. Entre os muitos prêmios que ganhou está o “Wildlife Photographer of the Year”, o mais importante concurso do gênero, organizado pela BBC e Natural History Museum, de Londres.

Suas fotografias também foram eternizadas em livros de pesquisadores como José Márcio Ayres, Adelmar Coimbra Filho, Carlos Toledo Rizzini e Luiz Soledade Otero, e mais de 30 publicações editadas em outros países.

Luiz Claudio também era conhecido por produzir as imagens de animais que vinham nas embalagens do chocolate Surpresa, que mereceu verbete da Wikipédia, com referência obrigatória a Marigo.

Em ensaio sobre lobos-guará, para a National Geographic Brasil, feito em agosto de 2011 na Serra da Canastra, ele descreveu assim a fêmea guará que capturou em imagens:

A ruiva exuberante é alta, ágil e esbelta. Desde antes do amanhecer acompanho suas andanças, tentando observar melhor seus hábitos secretos. É julho, faz frio na serra da Canastra, em Minas Gerais, e nessa época o lobo-guará, um animal noturno, caça até depois de o sol raiar. Meus pés estão molhados e doem de tanto andar. A loba cheia de estilo, que batizamos de Clara por sua pelagem dourada brilhante, finalmente se retira para dormir no meio de uma macega de arbustos. Eu faço o mesmo: tento descansar um pouco.

 

Morte em frente a hospital especializado em cardiologia

É provável que a morte de Luiz Claudio Marigo pudesse ter sido evitada. No fim da manhã (02), ele voltava de uma corrida no Aterro do Flamengo, na Zona Sul do Rio de Janeiro, e pegou um ônibus de volta para casa, em Laranjeiras, bairro próximo. No ônibus, começou a passar mal, com fortes dores no peito.

O motorista parou o ônibus em frente ao Instituto Nacional de Cardiologia, também em Laranjeiras, mas nenhum médico surgiu para atender Luiz Claudio, sob a desculpa de que o hospital não tem atendimento emergência, além de estar em greve. Uma ambulância do SAMU (Serviço de Atendimento Médico de Urgência) foi chamada, mas levou 30 minutos para chegar ao local. O Corpo de bombeiros também foi mobilizado e tentou reanimar Luiz Cláudio por cerca de 40 minutos, mas já era tarde. Ele morreu dentro do ônibus, estacionado em frente ao hospital.

Diz a reportagem de O Globo que, “Segundo o motorista do ônibus, Amarildo Gomes, quando os passageiros pediram ajuda na unidade de saúde ouviram que não havia emergência e, por isso, Luiz Cláudio não podia ser atendido”.

Em nota, o Instituto Nacional de Cardiologia informou que “uma senhora chegou à recepção do Instituto pedindo atendimento a um cidadão que ‘estava passando mal na rua. Por não ter sido dimensionada a gravidade do caso, o segurança do hospital orientou a senhora a chamar o serviço de emergência móvel “.

A Polícia Civil instaurou inquérito policial para apurar a responsabilidade pela morte de Luiz Cláudio Marigo. O Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (CREMERJ) também vai investigar se houve negligência do hospital.

Luiz Claudio Marigo deixa esposa e um filho, além de, como comentou no Facebook o fotógrafo Ciro Albano, uma legião de fãs “que comprava os chocolates Surpresa pela ‘surpresa’ da foto”.

 

*Editado às 20h44, do dia 15/12/2020, para dar crédito ao fotógrafo Dario Sanches

 

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