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 Acessar uma ferramenta online, gratuita, capaz de fazer análises integradas de dados sobre clima, ambiente e saúde pública do Brasil e de prever cenários climáticos, para orientar a tomada de decisão relacionada a eventos extremos, seria possível? Agora é, através do lançamento da plataforma PULSE-Brasil (Platform for Understanding Long-term Sustainability of Ecosystems).

Desenvolvida por pesquisadores brasileiros e britânicos, com apoio da FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e do Natural Environment Research Council (NERC), do Reino Unido, a ferramenta permite a visualização de dados de clima, observado entre 1950 e 2012; projeções de clima futuro, baseado nos modelos mais recentes do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas); dados de saúde pública, com as principais doenças como dengue, malária, leptospirose, além de níveis dos rios.

Por enquanto, ainda está funcionando em formato piloto, no qual o usuário pode acessar, em detalhe, dados referentes ao estado do Acre. A escolha por este local para o lançamento da PULSE está relacionada ao fato de este ser um dos estados mais afetados pelos eventos extremos recentes, como as secas de 2005 e de 2010 e as enchentes de 2009, 2012, 2013 e 2014, explica o coordenador do estudo, Jose Antonio Marengo Orsini, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Entretanto, dados de clima passado e futuro, como temperatura média, anomalias de temperatura, precipitação e temperaturas mínimas, podem ser visualizados para cada um dos estados brasileiros, bastando clicar em cima da região desejada. A partir dessa seleção, é possível gerar um gráfico de informações que pode ser anual, entre 1950 e 2012, ou mensal (ver exemplos abaixo).

Entre os principais objetivos dessa nova ferramenta estão: projetar as futuras mudanças do clima, principalmente para a Amazônia, usando os modelos de previsão climática globais, e integrando as informações de cenários de emissões de gases de efeito estufa e uso do solo. Além disso, a PULSE pretende servir tanto para consulta do público em geral, quanto para a do governo e de tomadores de decisão, a fim de que esses possam entender as interações entre o clima, os ecossistemas e a saúde humana na Amazônia e, assim, pensar nas consequências das diferentes escolhas políticas.

O próximo passo, em desenvolvimento, é usar as informações existentes para fazer avaliação de impactos, ou seja, para investigar como um determinado evento climático pode ter resultado em uma enchente ou uma epidemia, por exemplo.

 

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