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Número de toninhas mortas no Espírito Santo sobe para 12

Os animais morreram enroscados a redes de pesca. Sua carne e gordura foram retiradas provavelmente para vira isca de tubarão.

Vandré Fonseca ·
20 de fevereiro de 2014 · 7 anos atrás
Foto: Projeto Baleia Jubarte.

Em fevereiro, mais cinco toninhas (Pontoporia blainvillei) foram encontradas mortas no litoral do Espírito Santo. No início do mês, ((o))eco já havia divulgado a preocupação de ambientalistas com o alto número de animais que estavam aparecendo mortos nas praias de Guriri e Pontal do Ipiranga, no norte do estado. Em janeiro, 7 carcaças já haviam sido enviadas para exames no Instituto Baleia Jubarte (IBJ), na Bahia. A toninha é um tipo de golfinho ou boto, que pode ser encontrado nas águas costeiras do Espírito Santo até a região Sul e a Argentina.

O Instituto enviou um ofício informando o problema no dia 22 de janeiro, mas depois disso animais mortos continuaram a aparecer nas praias. A situação foi relatada também ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), ao Ibama e às autoridades estaduais. “O IEMA (Instituto Estadual do Meio Ambiente) disse que não tem legislação que lhe permita assumir esta fiscalização, mas se dispôs a apoiar uma ação conjunta em que disponibilizaria uma embarcação para as atividades de fiscalização. O IBAMA não nos respondeu até agora”, informou o diretor de Pesquisas do Instituto Baleia Jubarte, o veterinário Milton Marcondes.

O IBJ fez a necropsia dos 12 animais e está elaborando um laudo sobre as mortes, mas já identificou sinais de que vários morreram ao se enroscar em redes de pesca. “Ou estão sendo capturados propositalmente ou não, mas está havendo a retirada de tecidos, das vísceras e da musculatura, aí sobram apenas ossos e pele”, afirmou Marcondes. De acordo com o veterinário, a gordura de golfinhos encontrados mortos pode ser usada como isca para pesca de tubarões. Esse uso é preocupante, segundo Marcondes, porque pode incentivar a matança de golfinhos.

Se o pescador capturar por acidente o animal durante a pesca de outras espécies e ele ainda estiver vivo, o correto é devolvê-lo ao mar. Caso esteja morto, deve-se entregá-lo às autoridades, mas muitos preferem evitar a encrenca.

Relação do número e local dos animais mortos (fonte: Instituto Baleia Jubarte)

07/01 – 2 animais em Guriri – São Mateus
18/01 – 1 animal – Guriri – São Mateus
21/01 – 1 animal – Guriri – São Mateus
21/01 – 1 animal – Pontal do Ipiranga – Linhares
23/01 – 1 animal – Guriri – São Mateus
25/01 – 1 animal – Pontal do Ipiranga – Linhares
05/02 – 2 animais – Pontal do Ipiranga – Linhares
07/02 – 1 animal – Povoação – Linhares
08/02 – 1 animal – Povoação – Linhares
11/02 – 1 animal – Guriri – São Mateus

 

 

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