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Brasil pode aumentar 45% produção de fontes renováveis

Greenpeace apresenta relatório [R]evolução Energética e defende mais energia limpa até 2050. No mesmo dia, Governo zera imposto do carvão.

Redação ((o))eco ·
27 de agosto de 2013 · 8 anos atrás

No mesmo dia em que o governo brasileiro zera impostos sobre o carvão mineral usado na geração de energia elétrica, o Greenpeace apresenta o 3ª relatório [R]evolução Energética e diz que o governo caminha na direção errada ao fazer novos investimentos em energia fóssil, quando poderia avançar no uso de fontes renováveis, como eólica, solar fotovoltaica, solar heliotérmica, biomassa e pequenas centrais hidrelétricas. O total de energia renovável produzido no Brasil foi de 45,8% (em 2011), contra apenas 13% de média mundial. Mas o Greenpeace advoga que poderemos chegar a 66,5% de fontes renováveis em 2050, quase uma vez e meia maior. Seguindo o rumo atual do governo, em vez de crescer, a parcela das renováveis cairia para 45,1%, de acordo com as projeções da ONG.

As projeções do Greenpeace são comparadas a um cenário alternativo que extrapola as projeções do governo brasileiro, feitas até 2021, levando-as até 2050.

Entre os pontos principais do relatório [r]evolução energética estão:

  • A produção de energia no Brasil precisará crescer 4 vezes até 2050
  • Hoje, 89% da eletricidade produzida no Brasil é renovável devido as hidrelétricas. Pelo [r]evolução, subiria ligeiramente para 91,9%. No cenário alternativo que extrapolar números do governo, a geração elétrica renovável cai para 69,9%.
  • No cenário do [r]evolução, a quantidade de carbono emitida em 2050 será de 312 milhões de toneladas ou 60% menos do que os 777 milhões do cenário alternativo.
  • Aumentando a eficiência no uso de energia, o Greenpeace acredita que é possível que a demanda cresça de 8.173 peta-joule para 12.600. No cenário alternativo, seriam necessários 17.040 peta-joule.
  • As chamadas novas fontes renováveis, principalmente solar, eólica e biomassa atingiriam 38% da geração total de energia elétrica.
  • Até 2050, os investimentos em energia no cenário do [r]evolução seriam de R$2,39 trilhões, contra R$1,87 trilhão do cenário alternativo, uma diferença de R$520 bilhões. Em compensação, o Greenpeace afirma que a operação em um cenário intensivo em energias alternativas economizaria nesse período mais do que o dobro dessa diferença, ou R$1,1 trilhão.

“É técnica e economicamente possível atender à crescente demanda de energia do país de modo limpo e sustentável. E, neste sentido, o [R]evolução Energética é uma provocação pública pois tudo depende de vontade e visão política”, diz Ricardo Baitelo, coordenador da campanha de Clima e Energia do Greenpeace no Brasil.

De acordo com o [r]evolução, o Brasil poderá abrir mão de usinas nucleares e térmicas movidas a óleo combustível e carvão mineral. Também seria desnecessário explorar reservas não-convencionais de gás e óleo, como o gás de xisto ou o pré-sal, além de evitar a construção de novas grandes hidrelétricas na Amazônia.

“O Brasil tem recursos naturais de sobra para se tornar uma potência energética limpa. Ao contrário do que acontecia no passado, as energias renováveis – em especial a solar fotovoltaica e eólica – são mais competitivas que o carvão e ainda utilizam recursos locais e criam mais empregos”, diz Sven Teske, diretor de energias renováveis do Greenpeace Internacional.

 

 

Saiba Mais
[R]evolução Energética: a caminho do desenvolvimento limpo

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