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Fauna marinha: a anêmona-gigante

O homenageado da semana é outro dos fascinantes membros dos cnidários, os invertebrados marítimos. Foto: Sean Nash/Flickr

Redação ((o))eco ·
23 de agosto de 2013 · 8 anos atrás
Atingindo em média 25 cm de diâmetro, as anêmomas-gigantes são facilmente maiores que a mão de um adulto humano. Foto: Sean Nash/Flickr
Atingindo em média 25 cm de diâmetro, as anêmomas-gigantes são facilmente maiores que a mão de um adulto humano. Foto: Sean Nash/Flickr

A anêmona-gigante (Condylactis gigantea) é uma espécie tropical de anêmona-do-mar e está entre as maiores que ocorrem no Brasil, atingindo cerca de 25 cm de diâmetro, em média. A espécie também é encontrada nos recifes de corais e outras áreas costeiras rasas do Mar do Caribe e do Oceano Atlântico Ocidental, incluindo o sul da Flórida, nos Estados Unidos.

A anêmona pode atingir até 40 cm de diâmetro, com 15 cm de altura e 30 cm de largura. Em forma de coluna, pode exibir variadas cores: alguns apresentam a coluna rosada, outros serão brancos, azuis claros, laranjas, vermelhos pálidos ou castanhos claros. Os tentáculos, que também diferem em cor de indivíduo para indivíduo, são longos, com pequenas estrias, e suas extremidades arredondadas podem ser esbranquiçados, amarelados, esverdeados ou de coloração púrpura. Sua boca está rodeada por 100 ou mais tentáculos. Um disco basal prende o animal firmemente ao substrato, deixando os tentáculos como com a única parte que flutua livremente.

Habitam recifes de coral e ambientes coralíneos, ocorrendo até cerca de 30 m de profundidade, em qualquer lugar da zona entremarés. Elas se abrigam em pequenas fendas e, desta maneira, sua base e coluna ficam protegidas, expondo apenas a boca e tentáculos. Embora seja primariamente um animal séssil, em comparação com outras anêmonas é bem móvel, capaz de se locomoção: ela rasteja por meio de seu disco basal.

A Condylactis gigantea encontra nos nematocistos, o seu mecanismo de defesa e proteção mais eficiente. Estas células urticantes, comuns nos cnidários, ficam localizadas nas pontas dos tentáculos do animal e, quando estimulados, os nematocistos explodem para fora da cápsula, espetando o atacante. A toxina é então descarregada, causando extrema dor e paralisia.

A anêmona-gigante é um macrófago carnívoro que se alimenta de peixes, mexilhões, camarões ou quaisquer outros organismos similares. Os nematocistos da anêmona, além de defesa contra predadores, também a ajuda a capturar alimentos. As presas são rapidamente paralisadas ​​pelas toxinas e os tentáculos as carregam para a boca, e a presa é engolida inteira e digerida.

A espécie é dioica, os sexos estão alocados em indivíduos distintos: um feminino e outro masculino. Assim, a reprodução se dá de forma sexuada e, diferentemente de cnidários, não há evidências de que possa se reproduzir de outra forma. As fêmeas produzem ovócitos grandes, em pequeno número, que são liberados para fecundação externa. Os machos, de forma relativamente sincronizada, fazem o mesmo com os gametas, o que torna o processo dependente da proximidade das anêmonas. A fertilização ocorre na água e as larvas plânulas produzidas são lecitotróficas, isto é, se alimentam dos nutrientes presentes no vitelo, substância armazenada no interior do ovo.

A C. gigantea é de grande importância ecológica nas comunidades em que ocorre: várias espécies de peixes pequenos e crustáceos (como o camarão-limpador), imunes à ação tóxica da anêmona, se protegem contra predadores. Esta espécie também serve como “estação de limpeza” destes animais.

Embora não conste da Lista Vermelha da IUCN, para o ICMBio a espécie e classificado como Vulnerável, sendo ameaçada pela captura excessiva. A exploração no país como recurso ornamental data há pelo menos duas décadas. Esta anêmona é altamente atraente à indústria da aquariofilia.

 

 

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