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Peixe-boi: a natureza dócil

Envolto em lendas, o homenageado da semana no ((o))eco corre o risco de se tornar uma.

Redação ((o))eco ·
2 de agosto de 2013 · 8 anos atrás

Peixe-boi-marinho ([i]Trichechus manatus[/i]) descansando em Three Sisters Springs, Florida, enquanto faz sombra para um cardume de peixes. Crystal River National Wildlife Refuge (Refúgio nacional da Vida Silvestre de Crystal River). Foto: Keith Ramos/USFWS Endangered Species/Flickr
Peixe-boi-marinho ([i]Trichechus manatus[/i]) descansando em Three Sisters Springs, Florida, enquanto faz sombra para um cardume de peixes. Crystal River National Wildlife Refuge (Refúgio nacional da Vida Silvestre de Crystal River). Foto: Keith Ramos/USFWS Endangered Species/Flickr

Para os navegadores da Antiguidade, a anatomia do peixe-boi, com sua cauda, lembrava a figura mitológica das sereias. Ou talvez sejam eles a origem desta lenda. Seja como for, a nomenclatura da ordem a que este animal pertence foi denominada no latim científico Sirenia (sereia) e os próprios peixes-bois, sirênios.

Os peixes-boi, apesar do nome, não são peixes, mas sim, mamíferos aquáticos. Também conhecidos como vacas-marinhas ou manatis, estes animais guardam um ancestral comum próximo aos elefantes. Talvez isto explique porque estes mamíferos da família Trichechidae podem chegar a medir até 4 metros de comprimento e pesar 800 kg.

Além do peixe-boi-marinho, Trichechus manatus, amplamente distribuído nas Américas, inclusive no Brasil, são conhecidas duas espécies e duas subespécies de peixe-boi: o peixe-boi-africano (Trichechus senegalensis), natural das águas doces e costeiras do oeste da África; peixe-boi-da-amazônia (Trichechus inunguis), animal fluvial que vive nas bacias dos rios Amazonas e Orinoco; as subespécies Trichechus manatus manatus, nas Antilhas e Trichechus manatus latirostris, na Flórida. Eles geralmente habitam águas costeiras e estuarinas quentes e rasas, bem como pântanos.

Mesmo com um corpo robusto, maciço, sua cauda achatada lhes permite nadar numa velocidade de 5 a 8 km/h (1,4 a 2,2 m/s) e realizar manobras com incrível fluidez. A coloração do corpo varia entre acinzentada e marrom-acinzentado e seu couro é áspero. Seus pequenos olhos são capazes de reconhecer cores e a audição se dá através de dois pequenos orifícios localizados um pouco atrás dos olhos. Outra característica do peixe-boi é a habilidade de emitir pequenos gritos ou cantos, chamados vocalizações. Uma variada gama de sons permite comunicação entre as fêmeas e os machos durante o contato sexual, mas também entre os adultos durante jogos e comportamentos habituais, e entre adultos e prole.

É um animal com uma taxa reprodutiva muito baixa. O período de gestação das fêmeas dura 13 meses, após os quais a mãe amamenta o filhote durante um período de 1 a 2 anos. Ela tem apenas um filhote a cada 4 anos, uma vez que só voltará ao período reprodutivo um ano após o desmamar. Esta, junto com a época do acasalamento, é das poucas ocasiões em que verá grupos ou pares, são animais de hábitos solitários, raramente vistos em grupo.

Herbívoros, os sirênios precisam ingerir grandes quantidades de alimento, comendo de 8 a 13% do seu peso corporal por dia, atividade que ocupa de 6 a 8 horas diárias. Sua dieta consiste de algas, aguapés, capins aquáticos entre outras vegetações aquáticas. São animais muito mansos e, por este motivo, são facilmente caçados e se encontram em risco de extinção.

Embora os peixes-boi possuam poucos predadores naturais (tubarões, crocodilos, orcas e jacarés), todas as três espécies de peixe-boi (Trichechus manatus, Trichechus senegalensis e Trichechus inunguis) estão listadas pela IUCN como vulneráveis à extinção. Caça, capturas acidentais, perda do hábitat, desmatamento, trânsito de embarcações e o assoreamento dos estuários onde as fêmeas dão à luz os filhotes também são ameaças à sua sobrevivência.

Em todos os países com populações existentes foram nstituídas leis protetora com algum esforço para a conservação através de agências governamentais e / ou organizações não-governamentais. Em alguns países, os esforços têm aumentado significativamente na última década. As duas espécies de peixe-boi brasileiras, o Trichechus manatus, peixe-boi-marinho que se encontra criticamente ameaçado de extinção pelo ICMBio, e o Trichechus inunguis, peixe-boi-da-amazônia considerado como vulnerável à extinção pelo mesmo órgão, são alvo de três planos de conservação: PAN Sirênios, PAN Xingu e PAN Manguezais.

 

 

 

 

 

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