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Desmatamento na Amazônia em junho continua em alta

Dados do Imazon detectaram 184 km de corte raso, um aumento de 437%, em relação ao mesmo período do ano passado. Degradação também subiu.

Daniele Bragança · Rafael Ferreira ·
17 de julho de 2013 · 8 anos atrás
Desmatamento flagrado na Floresta Nacional de Jamanxin, em 2008. Foto: Leonardo F. Freitas/Flickr
Desmatamento flagrado na Floresta Nacional de Jamanxin, em 2008. Foto: Leonardo F. Freitas/Flickr

Com poucas nuvens na Amazônia para atrapalhar a visualização do satélite, os números de alertas de desmatamento em junho deram um salto significativo. Tanto os dados referentes a corte raso e os de degradação florestal subiram muito. O aumento do desmatamento no sul do estado do Amazonas também chamou a atenção.

No total, o Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) do Imazon detectou 184 quilômetros quadrados de desmatamento na Amazônia Legal em junho de 2013. Isso significa o desmate total de uma área de aproximadamente 18 mil e 400 campos de futebol, uma elevação de 437% em relação a junho de 2012, quando o desmatamento somou 34 quilômetros quadrados.

Os estados que mais desmataram foram o Pará, com 42% do desmate detectado em toda a Amazônia, e o Amazonas, com 32%, seguido de Mato Grosso (18%) e Rondônia (5%). Foi possível monitorar 88% do território em junho 2013, por causa das poucas nuvens.

Itaituba (PA), Lábrea (AM) e Apuí (AM) se destacam por terem sido os 3 municípios que mais desmataram em junho (veja tabela). Itaituba, cidade mais próxima onde serão construídas as hidrelétricas do Complexo do Tapajós, teve 46,7 km² desmatados.

O desmatamento acumulado no período de agosto de 2012 a junho de 2013 aumentou 103%, em relação ao mesmo período anterior (Agosto/2011 a junho/2012). Foram desmatados 1.838 quilômetros quadrados nesses 11 meses. No período anterior, a taxa de desmatamento totalizou 907 quilômetros quadrados.

Degradação florestal disparou

Se em maio a degradação florestal estava em queda livre, em junho a taxa que mede a degradação da floresta disparou: subiu 1078%. Isso porque em junho do ano passado só foram degradados 15 km² e no mês passado, foram detectados 169 quilômetros quadrados de área degradada, ou seja, quando são retiradas parte das madeiras nobres e a área florestal ou quando a floresta sofre queimadas, mas ainda há vegetação.

A degradação é muito ligada à exploração madeireira.

Apesar do índice alarmante de junho, no acumulado do ano há queda de degradação. Entre agosto de 2012 a junho de 2013 houve redução de 26%, sempre comparada ao mesmo período no ano anterior. Foram 1.462 quilômetros quadrados de florestas foram degradadas. No mesmo período passado, a degradação somou 1.974 quilômetros quadrados.

  • Daniele Bragança

    É repórter especializada na cobertura de legislação e política ambiental. Formada em jornalismo pela Universidade do Estado d...

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