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Fogo atinge terreno ao lado do Palácio do Jaburu

Na véspera da primeira chuva após longa estiagem, Brasília tem novo incêndio próximo à residência oficial do vice-presidente Michel Temer.  

Nathália Clark ·
26 de setembro de 2011 · 10 anos atrás
Fogo consumiu área de mais de 4 quilômetros de Cerrado no  terreno adjacente ao Palácio do Jaburu. Fumaça podia ser vista da  Esplanada dos Ministérios. Foto: Nathália Clark
Fogo consumiu área de mais de 4 quilômetros de Cerrado no terreno adjacente ao Palácio do Jaburu. Fumaça podia ser vista da Esplanada dos Ministérios. Foto: Nathália Clark
Na manhã do último sábado (24), um incêndio atingiu uma extensa área de preservação de Cerrado no terreno contíguo ao Palácio do Jaburu, residência oficial do vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB-SP), em Brasília. A devastação ocorreu um dia antes de começarem a cair as primeiras chuvas no Distrito Federal, após 107 dias consecutivos de intensa seca. A capital teve outros dois incêndios durante o fim de semana. Em Minas Gerais, o parque do Rola Moça, na região metropolitana, foi arrasado pelo fogo.

 

Segundo informações do Corpo de Bombeiros, a queimada começou por volta das 11h15, em uma área atrás do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), no Setor de Clubes Norte, e se alastrou até as imediações do Palácio. O vento forte arrastava as labaredas de fogo ao lado da rodovia, onde muitos carros que passavam pararam para ver o estrago (veja vídeo).

A suspeita é de que o fogo tenha sido causado por um curto circuito da fiação elétrica da região. Segundo os bombeiros, mais de quatro quilômetros de Cerrado foram destruídos pelo fogo, que só foi controlado tarde da noite. Também de acordo com eles, a fumaça, que podia ser vista do Congresso Nacional, da Ponte JK e do Palácio do Planalto, atingiu cerca de 50 metros de altura.

Ao menos oito viaturas com cerca de 20 homens de vários batalhões foram deslocadas para a região. Quatro caminhões-pipas e um helicóptero também ajudavam a conter o fogo. A mata em volta do Palácio é fechada por uma cerca, pois trata-se de uma área de segurança, o que dificultou a atuação dos bombeiros.

Outros dois focos de incêndio ocorreram no fim de semana no DF. Um deles aconteceu na Rodovia DF-250, na altura do km 12, na cidade-satélite de Paranoá, e outro no km 18 da Rodovia BR-020, em Planaltina.

A região do Planalto Central esteve sob estado de alerta por causa da baixa umidade do ar por pouco mais de três meses. No dia 15 de agosto, o índice de umidade relativa do ar chegou a 10%. Com o tempo seco, vários focos de incêndio foram registrados nos últimos dias. O fogo que consumiu a Floresta Nacional de Brasília entre o dia 7 e 15 deste mês foi considerado o maior da história da unidade. Na noite do último domingo (25), a chuva finalmente resolveu dar o ar da graça.

Seca persiste em outras regiões

Em Minas Gerais, as queimadas ainda continuam. Uma das mais importantes áreas verdes da região metropolitana de Belo Horizonte, o Parque do Rola Moça, foi devastada pelo fogo nos últimos três dias. Estima-se que 80% dos 3.941 hectares de vegetação tenha sido destruída.

O Parque mistura exemplares de Mata Atlântica e Cerrado, e abriga animais ameaçados de extinção, como a onça parda, a jaguatirica e o lobo-guará.

A Serra do Cipó, outro cartão postal mineiro, a 90 quilômetros de Belo Horizonte, também está em chamas. Segundo o sargento Silva, cerca de 500 hectares da reserva foram destruídos desde sexta-feira (23).

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  • Nathália Clark

    Nathalia Clark é jornalista na área de meio ambiente, desenvolvimento sustentável, mudanças climáticas, justiça social e direitos humanos.

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