“Rios Voadores” chega ao Congresso no Dia Mundial do Meio Ambiente

((o))eco
terça-feira, 5 junho 2012 19:17

“Antes de ser derrubada, cada grande árvore da Amazônia é capaz de evaporar 300 litros de água por dia”, conta Gérard Moss, um dos idealizadores do projeto Rios Voadores. Essas árvores fazem parte do sofisticado mecanismo que transporta a umidade e gera as chuvas sobre a própria região Amazônica e, mais tarde, sobre as regiões centro-oeste, sudeste e sul do Brasil.

As grandes massas de ar úmido vêm do leste, da África. Trazidas pelos ventos alísios, caminham sobre o Atlântico até ganhar o continente e chegar à floresta amazônica, onde se transformam em chuva. O projeto se chama Rios Voadores porque essas massas funcionam como rios invisíveis transportando uma quantidade de água de 200 mil metros cúbicos por segundo, grandeza equivalente a vazão do rio Amazonas.

A floresta é generosa. Ela recebe as águas mas também as recicla através de suas árvores. A umidade retorna ao ar e, no seu caminho, é comprimida contra a barreira da cordilheira andina a oeste. Esta a obriga a mudar de rumo e viajar para o sul, influenciando o clima e o volume de precipitação até a bacia do rio da Prata.

O desmatamento pode mudar o curso dos rios voadores. À medida que fazendas de soja substituem a floresta amazônica, a corrente de transmissão dos rios voadores se quebra, com impactos difíceis de mensurar sobre o regime de chuvas de grande parte do continente.

O projeto se apoia no trabalho de pesquisadores como Antonio Donato Nobre, um dos idealizadores do projeto, e Eneas Salati, estudioso do fenômeno há 30 anos. Gérard e Margi Moss cruzam o país em pequenos aviões coletando material e documentando o trabalho com belas imagens, como as que os leitores podem apreciar nessa página.

Desde 2007, centenas de amostras de vapor d’água da Amazônia e de outras regiões do país foram coletadas. O acúmulo de dados ajudará na compreensão dessas magníficas e translúcidas massas de água e, também, dos efeitos que o desmatamento acelerado das últimas décadas possa ter sobre elas. É um conhecimento crucial para determinar quando, como e onde chove no Brasil.

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