De novo na mata pelo projeto Carnívoros do Iguaçu

Adriano Gambarini
quinta-feira, 5 março 2015 21:57

Primeira onça-pintada registrada por armadilha fotográfica no projeto, setembro 2009. Fotos: Adriano Gambarini
Primeira onça-pintada registrada por armadilha fotográfica no projeto, setembro 2009. Fotos: Adriano Gambarini

Inicio mais um trabalho com onça-pintada. Este ano comemoro 15 anos desde minha primeira participação numa campanha de captura, aparelhamento e estudo de onças-pintadas no Brasil. E não poderia ter outro lugar para comemorar senão o Parque Nacional do Iguaçu, um lugar que não precisa de apresentações e onde aconteceu uma das mais importantes ações de pesquisa com o maior felino das Américas. No inicio da década de 90, Peter Crawshaw iniciou o projeto Carnívoros do Iguaçu. Ele e seus pesquisadores associados produziram uma série de informações biológicas e ecológicas sobre diversas espécies de carnívoros da Mata Atlântica, principalmente a onça-pintada, motivo principal de sua dedicação. Seus estudos embasaram e incentivaram toda uma geração de profissionais que assumiram a importante missão de pesquisar a espécie em várias partes do Brasil e, assim, continuar o seu legado.

Os altos e baixos relacionados à perpetuação de um projeto dessa envergadura e o compromisso em gerar respostas efetivas à situação desta que é a mais meridional população de onças-pintadas no Brasil propiciaram que o Projeto Carnívoros do Iguaçu renascesse em 2009, a partir de uma parceria inédita entre instituições públicas e privadas envolvendo a exploração turística do Parque.

Entre os objetivos do projeto, executado pelo Parque Nacional do Iguaçu, estão estimar a população de onças-pintadas na região, identificar e quantificar as ameaças diretas e indiretas sobre as onças e as suas presas naturais, e avaliar os impactos das onças sobre a criação de animais domésticos e outros conflitos com as comunidades da região.

Ao longo dos próximos dias vocês poderão nos acompanhar em mais esta campanha de captura de onça que eu tenho o privilégio de documentar. Um trabalho que chega junto ao Dia Mundial da Vida Selvagem, comemorado dia 03 de março. Aliás, tomo a liberdade de substituir ‘Selvagem’ por ‘Silvestre’. Está mais do que na hora de não mais usar palavras que tenham conotação negativa às onças. De ‘selvagem’, elas não têm nada. Talvez o adjetivo caiba melhor a nós, que perseguimos este bicho por um capricho inexplicável.

Assim, parabéns a todos os animais silvestres que temos a honra de respeitar.

Os laços já estão instalados e a partir desta noite teremos um longo trabalho pela frente!

Equipe do projeto:

  • Apolonio Rodrigues, Jorge Pegoraro, Marina Xavier da Silva, Marcela F.D. Moraes, Mauro da Costa.
  • Equipe de Campo: Marina – Bióloga e coordenadora, Marcela – Veterinária, Mauro – Assistente de campo.

Parceiros do Projeto:

 

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