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Rinocerontes: procura por chifre no Vietnã cai 38% em um ano

Oliver Milman*
sexta-feira, 17 outubro 2014 20:38

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Os esforços para coibir o mortal comércio do chifre de rinoceronte parecem ganhar força, após o levantamento que mostrou que a demanda por esta parte do animal no Vietnã caiu mais de um terço em relação ao ano passado. Depois de uma campanha de informação pública com duração de um ano, apenas 2,6% das pessoas no país asiático continuam a comprar e usar chifre de rinoceronte, um decréscimo de 38%.

É importante ressaltar que houve uma redução de 25% no número dos que acreditam que o chifre de rinoceronte – feito do mesmo material que as unhas e cabelos humanos –tem valor medicinal. No entanto, 38% dos vietnamitas ainda acham que pode tratar doenças como o câncer e reumatismo.

A sondagem foi realizada pela Nielsen para a Humane Society International (HSI) e a CITES Vietnã. O país é um mercado-chave para este comércio, o que levou a campanha de conscientização para tentar dissuadir as pessoas de comprar e consumir chifre de rinoceronte.

A demanda pelo chifre deste animal, principalmente na China e sudeste da Ásia, está colocando uma grande pressão sobre o número de rinocerontes na África. No ano passado, houve um recorde de 1.004 rinocerontes caçados ilegalmente na África do Sul, que tem mais rinocerontes do que qualquer outro país. Outros 821 foram mortos este ano.

Esta explosão da caça é relativamente recente – apenas 13 rinocerontes foram abatidos ilegalmente na África do Sul em 2007. Uma das principais causas é o aumento do preço do chifre de rinoceronte: ele pode chegar a 100 mil dólares por quilo no mercado negro, rivalizando com o preço da cocaína e do ouro.

 Gráfico: Rinocerontes mortos peça caça ilegal na África do Sul
Mais de mil animais foram mortos em 2013 – um recorde – contra apenas treze em 2007.

A campanha de informação pública se concentrou em dissipar o mito de que o chifre do rinoceronte tem valor medicinal. A campanha foi concentrada em Hanói, capital do Vietnã, atingindo escolas, universidades, grupos de mulheres e empresas.
Anúncios apareceram em ônibus e outdoors, e um livro da HSI chamado “Eu sou um pequeno rinoceronte” foi distribuído nas escolas.

A campanha ganhou outros apoios internacionais. A empresária Lynn Johnson, uma australiana sem qualquer experiência anterior em conservação, recentemente levantou dinheiro para lançar uma série de anúncios no Vietnã alertando as pessoas que chifre de rinoceronte é prejudicial a elas e é uma má escolha como símbolo de status.

“A mensagem se intensificou bastante no Vietnã em relação ao ano passado, o que é fantástico”, disse Johnson. “A nossa campanha tem como alvo os usuários diretos, mas no geral a quantidade de informação que atinge os vietnamitas aumentou de forma notória”.

Teresa Telecky, diretora de vida selvagem na Humane Society International, disse que o movimento é crucial para reduzir a demanda por chifre de rinoceronte.”Estes resultados da pesquisa demonstram que, mesmo em um período curto de tempo, a nossa campanha de redução de demanda influenciou o comportamento e conseguiu alterar de maneira significativa e dramática a percepção do público”, disse ela. “Oferecem um raio de esperança vital para a sobrevivência de rinocerontes”.

Do Quang Tung, diretor da autoridade de gestão da CITES no Vietnã, disse: “A demanda por chifres de rinoceronte advém de uma pequena proporção de pessoas no país. Ela não só prejudicou a posição do Vietnã em fóruns internacionais, mas também alavancou a caça ilegal de rinocerontes”.

 

*Esse artigo é publicado em parceria com a Guardian Environment Network, da qual ((o))eco faz parte. A versão original (em inglês) foi publicada no site do Guardian. Tradução de Eduardo Pegurier

 

 

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