Energias renováveis avançaram em 2013 no seu ritmo mais rápido
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Energias renováveis avançaram em 2013 no seu ritmo mais rápido

Terry Macalister*
sexta-feira, 29 agosto 2014 5:23
Parque eólico, modalidade de energia renovável entre as que mais cresce. Foto: Wikipedia
Parque eólico, modalidade de energia renovável entre as que mais cresce. Foto: Wikipedia

Eólica, solar e outras, a capacidade das energias renováveis cresceu no ritmo mais forte de todos os tempos no ano passado, e já produz 22% da eletricidade do mundo, afirmou hoje (28/8) a AIE (Agência Internacional de Energia) em um novo relatório.

Mais de US$ 250 bilhões (R$ 560 bilhões) foram investidos em sistemas de geração “verdes” em 2013, e embora a velocidade de crescimento deva abrandar, em parte porque os políticos estão ficando nervosos com o custo dos subsídios.

Maria van der Hoeven, diretora-executiva da AIE, disse que os governos devem manter a calma: “As energias renováveis são uma parte necessária da segurança energética No entanto, justo agora quando estão se tornando uma opção com custo competitivo em um número crescente de casos, a incerteza políticas e regulatória está crescendo em alguns mercados-chave. Isto deriva de preocupações sobre os custos de implantação de energias renováveis”.

Ela acrescentou: “Os governos devem estabelecer uma distinção mais clara entre o passado, presente e futuro, pois os custos estão caindo ao longo do tempo. Várias formas de energias renováveis já não necessitam de altos níveis de incentivo. Em vez disso, dada a sua natureza intensiva em capital, as energias renováveis exigem um contexto de mercado que garanta um retorno razoável e previsível para os investidores”.

A energia hidrelétrica e outras tecnologias verdes podem já ter chegado a 26% da produção de eletricidade do mundo em 2020, disse a AIE em seu terceiro relatório anual Mercado de Energias Renováveis a Médio Prazo. Elas já são usadas na mesma medida como o gás para a geração de energia elétrica, salienta o documento.

Mas o nível total de investimento em energias renováveis é menor agora do que o pico de US$280 bilhões em 2011, e será em média de apenas US$230 bilhões anuais ao final da década, a menos que os governos aumentem os compromissos com as políticas que possam manter gastos mais elevados.

A atual taxa de crescimento para a instalação de novos parques eólicos e painéis solares é impressionante, mas a AIE acredita que não é suficiente para cumprir as metas de mudanças climáticas, provocando alertas em Bruxelas, que partem de grupos de interesse do lobby verde, para a Europa adotar metas e compromissos mais duros.

Justin Wilkes, vice-diretor executivo da Associação Europeia de Energia Eólica, disse: “o relatório da Agência Internacional de Energia acerta na mosca quando se trata de metas nacionais ambiciosas para 2030. Não apenas uma meta de 27% é muito baixa, mas também não obriga os Estados membros a avançarem. Os chefes de Estado da Europa precisam concordar em outubro em uma meta vinculante de 30% de energias renováveis, caso se queira fazer progresso real para melhorar os objetivos de segurança energética, competitividade e clima da Europa”.

A Agência Internacional de Energia, com sede em Paris, foi estabelecida para garantir energia confiável, acessível e limpa para seus 29 países membros. Ela diz que no Brasil, Chile e África do Sul a energia eólica em terra firme já é a opção preferida sobre novas usinas de combustíveis fósseis, como o carvão ou gás.

A energia eólica em terra, apesar de ser a mais econômica das tecnologias de energia renovável na Grã-Bretanha, ainda é contestada por parte do Partido Conservador, enquanto a energia eólica marítima permanece controversa por causa de seus altos custos.

Novos dados divulgados nesta quinta-feira pelo órgão da indústria Energy UK mostram que a eólica produziu pouco mais de 4% da geração de energia na Grã-Bretanha em julho, em comparação com 42% produzida por gás, 24% por nuclear e 17% do carvão.

 

*Esse artigo é publicado em parceria com a Guardian Environment Network, da qual ((o))eco faz parte. A versão original (em inglês) foi publicada no site do Guardian. Tradução de Eduardo Pegurier

 

 

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