Líderes têm que cooperar para um novo acordo climático
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Líderes têm que cooperar para um novo acordo climático

Nicholas Stern*
quinta-feira, 26 setembro 2013 22:37

Novo relatório da ONU sobre o clima: O mundo continua esquentando. Foto: Mikael Miettinen / Flickr
Novo relatório da ONU sobre o clima: O mundo continua esquentando. Foto: Mikael Miettinen / Flickr

Nessa sexta-feira, 195 governos de todo o mundo vão concordar em torno de um resumo da avaliação mais abrangente da ciência básica sobre as mudanças climáticas já escrita. O relatório do IPCC, elaborado por 259 pesquisadores de 39 países, vai mostrar ainda mais claramente como as atividades humanas, através principalmente da queima de combustíveis fósseis e do desmatamento, estão criando uma tendência perigosa com imensos riscos para as vidas e os meios de subsistência de milhões de pessoas em todo o mundo por provocar mudanças extremas nas condições meteorológicas, aumento do nível do mar e outros problemas graves.

O relatório do IPCC também irá sublinhar o fato de que a lentidão em agir está tornando as coisas muito piores , tanto porque o efeito catraca de emissões está causando uma rápida acumulação de gases de efeito estufa e porque estamos presos em nossa dependência dos combustíveis fósseis, que causam o problema .

As ações atuais são fracas demais para reduzir as emissões o suficiente e evitar uma probabilidade alta de que a temperatura média global aumente mais de 2º C acima de seu nível pré- industrial até o final deste século. Desde o Plioceno, 3 milhões de anos atrás, a Terra não sofre um aumento de temperatura global de mais de 2º C comparada aos níveis pré- industriais. No Plioceno, as calotas polares eram muito menores e o nível do mar era cerca de 20 metros mais alto do que hoje. Os seres humanos modernos só surgiram há cerca de 250.000 anos, então não temos experiência com tal clima.

O que aprendemos com a história é que, quando as pessoas se deparam com o aumento de riscos de inundações, secas e outros extremos climáticos, elas tentam escapar, resultando em movimentos da população de talvez centenas de milhões de pessoas, e que podem provocar conflitos generalizados e contínuos. Temos que decidir se este é o tipo de mundo que queremos deixar para os nossos filhos e netos.

Alguns argumentam que não temos nenhuma responsabilidade para com as gerações futuras, e que qualquer risco que criemos é problema deles. Mas imagine o que o mundo seria se aplicássemos essa abordagem antiética no nosso dia a dia e nas relações com as pessoas hoje ao nosso redor.

Outros pensam que, não importa o dano que a mudança climática possa criar no futuro, nossos filhos e netos serão muito mais ricos devido a décadas de crescimento econômico incessante no futuro. Mas o argumento ignora o fato de que a mudança climática descontrolada poderia produzir um ambiente tão hostil que vai minar e destruir o crescimento, de modo que as gerações futuras estarão em pior situação do que nós.

Ao contrário, o que podemos fazer é criar uma história de aumento dos padrões de vida, comunidades mais fortes e uma sociedade mais resistente, abraçando o desafio da redução da pobreza — com benefícios duradouros. Nossos filhos e netos poderiam herdar uma economia de baixo carbono que será mais segura, bem como mais limpa, mais protegida e eficiente, criada através de um período vibrante de investimento em inovações tecnológicas.

Mas, para chegar lá, vamos precisar de políticas claras e consistentes, e não de fraqueza e indecisão, que promovam o investimento privado na direção de uma economia de baixo carbono. Precisaremos também de uma maior cooperação internacional entre países para partilhar exemplos dos benefícios da nova revolução industrial de baixo carbono.

Cada líder mundial terá de reconhecer a importância das negociações internacionais para um novo e forte acordo internacional sobre as mudanças climáticas na cúpula da ONU em Paris, em 2015.
O relatório do IPCC desta semana vai confrontar-nos com os riscos da mudança climática sem controle que poderemos vir a enfrentar, e deve ajudar-nos a reconhecer que há muita coisa que podemos fazer para criar um mundo melhor para nós e para as gerações futuras.

 

  *Nicholas Stern é autor do mais conceituado relatório sobre os efeitos econômicos das mudanças climáticas e é professor da London School of Economics.
Esse artigo é publicado através da parceria de ((o))eco com a Guardian Environment Network (veja a versão original). Tradução de Eduardo Pegurier

 

 

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