Colunas

Refinaria Duque de Caxias atinge 75% de obrigações ambientais

Marca é ótima notícia, pois a refinaria leva a pecha de ser a maior poluidora da Baía de Guanabara. Mas falta inaugurar estação de tratamento do Rio Irajá.

21 de dezembro de 2015 · 6 anos atrás
  • Emanuel Alencar

    Jornalista, editor de Conteúdo do Museu do Amanhã e mestre em Engenharia Ambiental. É autor do livro “Baía de Guanabara – Des...

REDUC e a Baía de Guanabara. Foto: Fernando Ribeiro Camaz/INMETRO

Em tempos de tragédias ambientais sucedidas por punições leves, multas “para inglês ver” e mais do mesmo numa terra conivente com a degradação ambiental, a notícia soa surpreendentemente positiva. Há cinco décadas carregando a pecha de principal poluidora da Baía de Guanabara, a Refinaria Duque de Caxias (Reduc) cumpriu 75% de suas obrigações ambientais firmadas com o governo do Rio num Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado em outubro de 2011. Foram 18 ações já cumpridas, em investimentos que somam R$ 771,65 milhões, faltando dez meses para dar conta das seis obrigações restantes.

De acordo com documento do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), órgão licenciador que acompanha o TAC, de setembro deste ano, a unidade de refino de petróleo conseguiu reduzir em 10% as emissões atmosféricas mensais de óxidos de nitrogênio (NOx), um gás do efeito estufa bastante nocivo – solúvel em gordura, pode provocar edemas pulmonares e até morte por asfixia. Entre as medidas ainda não totalmente implantadas estão a conclusão de um sistema de adequação de drenagens e o tratamento biológico do efluente oleoso.

Os avanços são evidentes, ainda que a Petrobras não atinja os R$ 1,08 bilhão previstos até 2016 para transformar uma “sucata tecnológica” em uma refinaria com menos problemas. Ex-secretário do Ambiente do Estado Rio e atual deputado estadual pelo PT, Carlos Minc chega a dizer que “a poluição da Reduc, neste período, já diminuiu, em média, 50%”.

Mas o que parecia o mais simples dos compromissos acabou virando uma novela. Não por culpa da Reduc, registra-se, e sim, do poder público. Trata-se da operação da Unidade de Tratamento de Rio (UTR) do Rio Irajá. Anunciada há quatro anos com o objetivo de tratar 12% da poluição hídrica da Baía de Guanabara, a estrutura está pronta, mas desligada. Em novembro de 2013, a estação – instalada no leito de um dos rios mais poluídos da Baixada Fluminense – passou por um teste de funcionamento.  De lá para cá, foram diversos os prazos anunciados para o início de operação. Todos descumpridos.

A princípio, a empreiteira escolhida para executar a obra ficaria responsável pela operação do serviço por seis meses. Depois disso, o governo do estado ou a prefeitura assumiriam os custos. O prefeito do Rio, Eduardo Paes, já falou que não vai colocar um centavo em UTRs. Argumenta que são estruturas paliativas, caras e ineficientes. A Secretaria do Ambiente tem adotado o silêncio. Neste caso, ninguém pode dizer que a Petrobras não cumpriu o que devia: os R$ 30 milhões gastos na construção.

 

 

 Leia também

Paraíba do Sul: mais água para consumo humano, porém nada de tratar o esgoto

Lenine dá exemplo para salvar manguezal

O saneamento vai para o sacrifício. Mais uma vez

 

 

 

Leia também

Colunas
7 de dezembro de 2015

O saneamento vai para o sacrifício. Mais uma vez

Corte de investimentos federais paralisou metade o projeto de controle de cheias e realocação de famílias em áreas de risco na Baixada Fluminense

Colunas
9 de dezembro de 2015

Lenine dá exemplo para salvar manguezal

Artista põe a mão na lama e ajuda a recuperar bosque de manguezal na região da APA de Guapimirim, a última área verde da Baía de Guanabara

Colunas
14 de dezembro de 2015

Paraíba do Sul: mais água para consumo humano, porém nada de tratar o esgoto

Disputa entre estados termina com manutenção de vazão defendida pelo Rio, menos água para hidroelétricas e nenhuma preocupação com tratamento.

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta