Política Nacional de Fauna: uma análise dos argumentos contrários
Marc Dourojeanni
Consultor e professor emérito da Universidade Nacional Agrária de Lima, Peru. Foi chefe da Divisão Ambiental do Banco Interamericano de Desenvolvimento e fundador da ProNaturaleza.

Política Nacional de Fauna: uma análise dos argumentos contrários

Marc Dourojeanni
segunda-feira, 6 fevereiro 2017 19:19
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O Projeto de Lei 6,268 trata de manejo da fauna e não apenas da caça. Foto: Wikimedia Commons

Há semanas li o Projeto de Lei nº 6.268/2016, que propõe uma Política Nacional de Fauna para o Brasil. Fiquei muito bem impressionado pela proposta que, efetivamente, cobre um vazio da legislação ambiental brasileira e que achei bem feita, tecnicamente balanceada, e realista, portanto, aplicável. Trata-se de um projeto de lei que merece atenção e uma respeitosa discussão para aprimorá-lo.

Por isso fiquei chocado com a leitura da Nota de Repúdio ao projeto de Lei nº 6.268/2016 que foi assinada por um numero importante de instituições e de personalidades vinculadas a proteção dos direitos animais e ao meio ambiente. É tão grande a proporção e o tamanho das inexatidões e erros contidos na tal nota, que a minha primeira conclusão foi que os que a escreveram têm pouca noção sobre o que é manejo da fauna, e que a maioria dos assinantes não leu o projeto de lei. Com o propósito de quiçá ensejar um debate ponderado que realmente contribua a melhorar o texto proposto, escrevi o que segue, respondendo o que há sob meu ponto de vista de incorreto nas afirmações feitas na Nota de Repúdio.

Antes de entrar na matéria quero destacar que não sou nem fui caçador e que já acumulei 50 anos dedicados a conservar a natureza no meu país, o Peru, e em vários outros países, contribuindo para estabelecer e cuidar de áreas protegidas, resgatar espécies da fauna em extinção e a fazer e implantar legislação em favor da natureza e dos povos indígenas e locais. Dentre outras responsabilidades, por duas décadas, fui professor e pesquisador em manejo da fauna silvestre.

Apresento a seguir, destacado em itálico, os trechos da Nota de Repúdio (NdR) que mereceram os comentários (sublinhados são meus) e, ato contínuo, os comentários.

Nota de Repúdio (NdR): “Na prática, a proposição abre caminho para a liberação da caça de fauna silvestre em escala nacional, sem dúvida comprometendo os esforços que o Brasil vem desempenhando para a conservação da biodiversidade, em sintonia com a legislação nacional e com acordos internacionais como a própria Convenção da Diversidade Biológica das Nações Unidas”.

Comentário: Em primeiro, é suficiente ler o Projeto de Lei para ver que não abre caminho à liberação da caça. Apenas a enquadra numa política e a regulamenta. E mais, a proposta não trata apenas da caça, mas do manejo da fauna selvagem ou silvestre.

Em segundo lugar, não há relação negativa entre a proposta, os esforços do Brasil para conservar a sua biodiversidade e, em especial, seus compromissos internacionais. Caso contrário os outros quase 180 países signatários da Convenção da Diversidade Biológica e de outros acordos que protegem a fauna e a flora os estariam contrariando, pois quase toda a caça, inclusive a tão vilipendiada caça esportiva, não tão somente é permitida, mas promovida pelos governos.

A caça e a caça esportiva ocorrem, conforme a lei, tanto nos países mais desenvolvidos e cuidadosos com o ambiente como os nórdicos (Noruega, Suécia, Finlândia, Dinamarca) como em outros onde se pode discutir a seriedade ambiental (Rússia, China). Também na maior parte dos países africanos, especialmente na África do Sul, Zimbabwe, Zâmbia, Tanzânia, Moçambique, etc. A caça esportiva ocorre obviamente nos EUA, Canadá e México. Também na Austrália e Nova Zelândia, e até no Japão. Caça-se na França, Alemanha, Espanha, Portugal, Itália, Reino Unido, etc., etc. Na Ásia, só a superpovoada Índia proibiu a caça. Esses países são signatários da Convenção de Biodiversidade e de outros tratados internacionais protegendo a natureza, e nenhum deles achou que devia proibir a caça, nem sequer a caça esportiva.

“O manejo da fauna é uma coisa e a caça é outra. A caça, aplicada como parte do manejo, é apenas uma das técnicas de manejo dentre centenas”

Neste ponto, é importante enfatizar, o Brasil é um dos pouquíssimos países do mundo que, na prática, inviabiliza a caça formal e que, pelo contrário, dá plena liberdade à caça de subsistência e, que, assim mesmo, não consegue controlar as mais diversas modalidades ilegais de caça comercial. Na América Latina, o único país que proibiu formalmente toda forma de caça é a pequena Costa Rica. A caça esportiva é permitida, e dá muito lucro, na Argentina e é legal no Chile, Uruguai, Peru, Paraguai, Bolívia e outros. A exceção brasileira só é acompanhada por Venezuela e Equador e, em certa medida, pela Colômbia.

Então, por que no caso do Brasil, ao contrário do resto do mundo, uma lei que determina uma politica nacional e que regulariza melhor a caça em geral, comprometeria os seus esforços por conservar a sua biodiversidade, ou não estaria em sintonia com os acordos internacionais?

NdR: No Brasil, um dos países mais ricos em formas de vida no planeta, são registrados a cada ano inúmeros casos de caça ilegal de animais silvestres, inclusive dentro de Unidades de Conservação de Proteção Integral. Lembremos o caso da pecuarista Beatriz Rondon, proprietária da Fazenda Santa Sofia, considerada uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) e que faz parte da Associação de Proprietários de Reservas Particulares de Mato Grosso do Sul (REPAMS). Nessa propriedade ocorriam safáris de caça às onças-pintadas. Esse lamentável fato, por si só, já coloca em risco o equilíbrio de nossos ecossistemas, um patrimônio de todos os brasileiros e recurso estratégico para um futuro mais sustentável e seguro.

Comentário: É verdade que a caça de animais silvestres alcança um volume anual enorme no Brasil. A maior parte da matança de animais silvestres é praticada por índios, caboclos, quilombolas, camponeses, madeireiros e garimpeiros e é oficialmente amparada como “caça de subsistência” e, grande parte do produto dessa modalidade de caça é comercializada localmente. Outra parte da caça praticada por esses mesmos segmentos da sociedade é de tipo comercial e abertamente ilegal, especialmente para venda de animais silvestres vivos, alimentando o tráfico internacional. A fração da caça denominada esportiva é ilegal e proporcionalmente mínima, devido às restrições regimentárias e a oposição muito ativa de alguns segmentos da sociedade. Recentemente, certa forma de caça esportiva está associada ou dissimulada através da caça de fim “sanitário”, como no caso do javali.

O caso da caçada esportiva de onças no Pantanal, apesar de ser lamentável pelo fato de ter violado regras vigentes, mostra um caminho certo para melhorar a conservação de áreas naturais como as que se preservam nas reservas particulares (RPPNs) e, em geral, nas áreas de preservação permanente (APPs), aumentando sua rentabilidade econômica direta. O manejo das populações de fauna silvestre permite, precisamente, dispor de exemplares para caça esportiva e para ecoturismo, na mesma área, sem prejudicar a população nem a pirâmide alimentar do ecossistema. Embora a população de onças ao nível nacional seja reduzida, em partes do Pantanal e em outros locais está artificialmente aumentada pela disponibilidade de gado para a sua alimentação. Os pecuaristas, proibidos de caçar, envenenam anualmente números elevados de onças-pintadas e pardas. Todos que demonizam o caso dessa fazenda simplesmente desconsideram o fato dela ser responsável por determinar a conservação de centenas de milhares de hectares com recursos próprios.

A conclusão no texto comentado de que a caça de onças, no contexto descrito, “já coloca em risco o equilíbrio de nossos ecossistemas” é simplesmente ridícula. Primeiro, porque isso aconteceu apenas num local do extenso Pantanal … o que não implica risco para os ecossistemas e; logo, porque os proprietários de fazendas ou RPPNs com animais de interesse cinegético, bem seja para o turismo ou para a caça esportiva, são os mais interessados em não eliminá-los, já que dão lucro. Nisso, o manejo de populações de animais selvagens não é tão diferente do manejo do gado por qualquer fazendeiro.

NdR: A caça de animais silvestres é proibida no país há 50 anos, medida amparada em leis como as de Proteção à Fauna (Lei 5.197/1967) e de Crimes Ambientais (Lei9605/1998). No Rio Grande do Sul, amparada por regulamentação estadual (Lei nº 10.056, de 10/06/1994) a atividade ocorreu até o ano de 2005, quando foi interrompida pela primeira de uma série de decisões judiciais, até sua definitiva proibição pelo STF em 2008. Embora as temporadas de caça no Rio Grande do Sul fossem precedidas de estudos com o objetivo de comprovar sua sustentabilidade e anualmente apresentados em Audiência Pública, estes esforços foram considerados insuficientes pela Justiça brasileira.

Comentário: Não é completamente verdade que a caça “de animais silvestres” esteja proibida no Brasil há 50 anos. Durante esse período, o exercício do manejo de fauna e da caça, que é uma das suas técnicas, é previsto e o poder público é em grande medida omisso ao não implantá-lo devidamente. Ademais, a sua prática para alimentação é permitida pela mesma lei, e extensamente praticada, como já explicado. Também está permitida e se pratica legalmente a caça com fins sanitários, caso do javali. A caça esportiva não está realmente proibida. A verdade é que está drasticamente obstaculizada mediante dispositivos legais inferiores ou mediante medidas administrativas federais e estaduais. A única modalidade de caça que está terminantemente proibida é a caça comercial.

Assim como a quase totalidade das condutas previstas como crime ambiental na respectiva legislação, a caça não se refere a práticas proibidas, mas sim a práticas que são proibidas quando em desacordo com autorização concedida ou sem esta autorização.

NdR: Na prática, a caça de animais silvestres nunca cessou no Brasil e é considerada um dos principais fatores da redução de populações e da extinção de espécies ameaçadas, pela extensão do país e inviabilidade de uma fiscalização adequada. Desde 2013, está liberada a “caça controlada” do chamado Javali, espécie invasora que tem se alastrado e provocado sérios impactos ambientais e econômicos, já com registros em 13 estados.

A caça é, com efeito, uma causa importante da redução das populações animais silvestres, principalmente quando contraria períodos de defeso e orientações técnicas de manejo, exatamente da forma que acontece pelo fato de não ser devidamente regulamentada. Mas, a caça é muito menos importante do que a destruição de habitats para expansão da agricultura e a pecuária.

De outra parte, a responsabilidade principal pela diminuição das populações da fauna e da sua eventual extinção é, precisamente, da caça de subsistência, que representa possivelmente 90% das mortes por caça e captura de animais silvestres no Brasil. A caça comercial, que é ilegal, é uma causa especialmente incidente na diminuição das populações de animais valiosos em perigo de extinção e, por isso, é a mais perigosa. Não existe evidência nenhuma que a caça esportiva (legal ou ilegal) seja causa de extinções no Brasil, nem sequer no caso de animais ameaçados.

NdR: Pois, o Projeto de Lei 6.268/2016 anula a Lei de Proteção à Fauna (Lei nº 5.197/1967) e retira da Lei de Crimes Ambientais (Lei n.º 9.605/1998) o poder de ampliar penas de detenção e multas por matar, perseguir, caçar, apanhar ou utilizar animais sem licença, se isso acontecer durante expedições de caça. Trata-se de mais um possível enorme retrocesso para as normativas ambientais nacionais.

Comentário: O projeto de Lei 6.268/2016, embora aperfeiçoável, não parece implicar nenhum retrocesso na legislação que protege a fauna. Bem ao contrário, estipula uma série de medidas de manejo que, hoje, não existem ou não estão bem definidas.

NdR: O necessário desenvolvimento e implantação de um Plano Nacional de Prevenção, Controle e Monitoramento do Javali Asselvajado no Brasil já denota preocupação, pois serão vultuosas as dificuldades de controle e de monitoramento sobre a possível prática de caça em um país com as dimensões do Brasil.

Sem contar em práticas nocivas dos próprios caçadores, como soltura do Javali em locais remotos como oferta de caça, abate de espécies silvestres, crueldade no abate dos javalis ou no uso de cães de caça, armadilhas de laço e até o uso de armamento não autorizado.

Comentário: O problema do javali, que é uma praga introduzida, já é tão custoso para o agro e tão arriscado para o futuro da biodiversidade brasileira que a caça até o extermínio -no Brasil – das suas populações selvagens deve dispor das máximas facilidades. É evidente que o aniquilamento dessas pragas deve ser feito respeitando as normas que evitam crueldade. Não obstante, no caso do javali, limitar o uso de cães de caça implica um obstáculo quase insolúvel.

NdR: Pois, na carona dessa mobilização acima, essa com debate público e embasamento técnico, o Projeto de Lei nº 6.268/2016, proposto por iminente membro da Bancada Ruralista, pretende liberar a caça de animais silvestres sob justificativas frágeis como necessidade de “manejo” e de “controle populacional”, afirmando que é preciso conter populações de determinadas espécies, taxadas de invasoras e perigosas aos ecossistemas. Nesse sentido, cabe pontuar os conceitos corretos de acordo com a literatura técnico-científica:

Comentário: Chamar de “justificativas frágeis” a necessidade de manejo da fauna e de controle populacional é negar a essência da ciência do manejo da fauna e os princípios mais elementares da ecologia e, em especial, da dinâmica de populações. O tal comentário revela ignorância do que realmente é o manejo da fauna (veja meus textos sobre o assunto aqui, aqui, aqui e aqui), ou seja, uma ciência que se estuda em faculdades universitárias e na qual se formam professionais especializados nesse campo na maioria dos países mais desenvolvidos. O manejo da fauna é a ferramenta que permite manter um balanço entre as necessidades da fauna silvestre, de seu habitat e as necessidades da população humana, utilizando os melhores conhecimentos científicos disponíveis. Outra definição, dentre as muitas que existem, é o conjunto de técnicas que permite o aproveitamento da fauna não domesticada ou de seus produtos, em forma sustentável. Na verdade, no que concerne aos seus princípios, o manejo da fauna selvagem difere muito pouco do manejo da fauna domesticada, que é mais conhecida como pecuária ou zootecnia.

NdR: Caça – É a prática de perseguir animais, selvagens ou assilvestrados, para fins alimentares, para entretenimento, defesa de bens, populações e atividades agrícolas ou com fins comerciais. O termo em inglês, hunting refere-se à caça praticada enquanto atividade autorizada em lei, e o termo poaching à caça furtiva (constituindo uma atividade ilegal). Embora não exista uma definição estrita, o termo “caça” aplica-se na perseguição de mamíferos, aves e répteis. Feita geralmente com métodos desumanos, onde o animal sofre muito antes de ser abatido.

Comentário: O agregado “Feita geralmente com métodos desumanos, onde o animal sofre muito antes de ser abatido”, além de ser um tanto ridículo e sem relação com o resto do texto, é falso desde o ponto de vista teórico, pois o manejo da fauna oferece opções para evitar expressamente que isso ocorra. Também é falso na prática, já que fazer sofrer inutilmente o animal não traz beneficio algum para o caçador.

NdR: Manejo através da caça – O manejo através da caça é a erradicação de animais de uma ou mais espécies, geralmente exóticos ou com excesso populacional, para eliminar animais considerados nocivos ou perigosos, que possam causar prejuízos econômicos ou à flora e fauna do país, ou para se evitar a propagação de doenças. Método praticado com regras e controles por parte de equipes técnicas designadas pelo Governo e órgãos ambientais responsáveis.

A definição de “manejo através da caça” apresentada é absurda longe de um propósito construtivo para o debate da lei. Em primeiro, não existe “manejo através da caça”. O manejo da fauna é uma coisa e a caça é outra. A caça, aplicada como parte do manejo, é apenas uma das técnicas de manejo dentre centenas, que incluem modificações no habitat (variar a composição vegetal, oferecer fontes de água, providenciar sal ou outros nutrientes, providenciar nichos para nidificação, etc.), alterações nas populações de outros animais que interagem com a espécie objeto do manejo (por exemplo, redução da população de depredadores ou competidores), suplementos alimentares diretos, controle de parasitas enfermidades, reintrodução de espécies ou de espécimes, medidas educativas na população local, etc., etc. Deve se levar em conta, que o manejo da fauna use técnicas para repovoar áreas nas quais se extinguiu a fauna nativa e reconstituir populações de animais em risco de extinção. O manejo da fauna não é só para enquadrar as diversas formas de caça, como foi interpretado pelos autores da Nota de Repúdio.

Além disso, o manejo da fauna e a caça, seja qual for esta última, quase nunca tem por finalidade a “erradicação de animais de uma ou mais espécies”. Excetuando o caso de pragas, como o javali, nenhum caçador, nem o mais bruto e malvado, pretende ficar sem animais para caçar no futuro. Nem isso seria o caso do javali, que existe como espécie silvestre nativa em seus biomas de origem. O que acontece é que, precisamente por falta de manejo, a extinção pode ocorrer.

Já que o problema principal dos autores do manifesto parece ser a caça esportiva, vale lembrar que uma das aplicações da caça esportiva como técnica de manejo de fauna é garantir que o usufruto de determinados indivíduos de algumas populações animais seja uma alternativa econômica para habitantes de grandes áreas naturais ou rurais, sejam estas terras indígenas ou propriedades privadas. Falando em termos simples se, por exemplo, um grande fazendeiro dono de milhares de hectares de cerrado nativo quer fazer manejo de perdizes em sua grande propriedade (o que geraria renda e manteria seu cerrado sem desmatar, protegendo não só o habitat nativo, mais todas as outras espécies de fauna de diferentes ali existentes) não poderá fazê-lo baseado no contexto legal vigente. Mas, se este mesmo proprietário quiser desmatar 80% desse cerrado, destruindo todo o habitat com todos os seres vivos ali existentes, poderá proceder sem problema.  Essa é classe de absurdos que uma nova politica de manejo da fauna poderia evitar.

NdR: Fatos são que a caça não é necessária para controle populacional de espécies silvestres brasileiras e que se compõe, na verdade, de simples deleite para caçadores – verdadeira expressão do prazer pelo abate ou para tráfico de material biológico. A condução de tema de tamanha relevância para a biodiversidade nacional por expoentes da Bancada Ruralista, já responsável por inúmeros retrocessos em nosso arcabouço legal socioambiental, sem dúvida não permitirá um debate amplo e democrático e com saldo positivo à conservação.

Comentário: A afirmação “a caça não é necessária para controle populacional de espécies silvestres brasileiras” é errada. A caça, como parte do manejo é, sem dúvida, na maior parte dos casos, indispensável ou a melhor opção técnica, social e econômica para controlar populações que excedem os números que o ecossistema suporta ou, como o diz a definição de manejo, para atender as necessidades da população humana. Como poderiam se alimentar índios, caboclos, quilombolas e outros que praticam caca de subsistência sem caçar? Mas, a caça também pode servir ao propósito de garantir benefícios diretos para os que conservam habitats naturais, utilizando-se a fauna cinegética como recurso para tanto. Por isso existem reservas de fauna e caça em muitos países. Apenas a Selous Game Reserve (Tanzânia) possui uma área conservada do tamanho de metade do Estado do Paraná. Lá, como na reserva de caça El Angolo (Peru) e em milhares de outras localidades, o objetivo do manejo é o uso sustentado dos recursos de fauna. Aqui no Brasil existe a Reserva de Mamirauá como exemplo de uso conservacionista de recursos de fauna para garantir à conservação de grandes áreas e prover benefícios à população residente.

A segunda afirmação “para simples deleite para caçadores – verdadeira expressão do prazer pelo abate” é malévola. Como dito, a maior parte dos animais silvestres que são mortos a cada ano no Brasil servem para alimentar ou para dar (ilegalmente) algum dinheiro adicional ao segmento mais pobre da população rural brasileira. Acaso os índios, caboclos e outros matam por “simples deleite” o como “verdadeira expressão de prazer”? Supõe-se que caçam por necessidade. O animal morto ou preso em armadilhas por índios e caboclos não sofre tanto quanto qualquer outro animal silvestre abatido? Então, como fica a argumentação?

Um dos defeitos do projeto analisado é, precisamente, não se aprofundar suficientemente no tema das condições para o exercício da caça de subsistência, que é a principal no Brasil. Discussões recentes reportadas no mesmo ((o))eco falam desses problemas precisamente no caso das áreas protegidas de uso sustentável e da Reserva de Mamirauá acima mencionada.

Tem mais, no mundo todo, seja escrita ou costume, o caçador, especialmente o esportivo, não deve desperdiçar os restos de suas presas. Em geral, os consome no meio familiar ou de suas amizades.

NdR: Se o PL for aprovado, receberá aplausos vigorosos da indústria brasileira de armas e munições e de suas congêneres, que ampliarão seu “mercado de morte”. Este projeto não é só contra o meio ambiente. É contra a paz e será incentivo direto para liberação do uso de armas no país, além de contribuir para a cultura da crueldade e violência.

As crianças que aprendem a amar os animais serão estimuladas a matá-los, como acontece nos EUA. Boa parte das mortes que lá acontecem, incluindo de crianças, são resultantes da fácil aquisição de armas para caça.

Comentário: É possível que a caça esportiva aumente o número de armas em circulação específicas para a prática. Armas para a caça de subsistência estão disponíveis sem problema em toda a Amazônia. Em compensação, a economia local e regional melhorará onde seja facilitada a caca esportiva bem manejada e controlada, como propõe o projeto de lei.

A afirmação de que os meninos norte-americanos são estimulados a matar animais silvestres porque os pais são caçadores não está sustentada por nenhuma prova. É pura especulação. Bem ao contrario, tudo indica que os jovens daquele país aprendem desde cedo o valor da vida dos animais e a necessidade de respeitar as leis de caça.

Em conclusão

Um projeto de lei que tenta estabelecer uma política nacional de fauna baseada no manejo sustentável desse recurso não pode ser tratado como uma “lei de caça” apenas porque o projeto não foi lido ou não foi bem interpretado. Nem porque um grupo tenha, na realidade, como único objetivo se opor a caça esportiva, que é tão só um dos aspectos que este projeto pretende legislar a respeito.

O projeto de lei que se discute não é perfeito e, sem dúvida, deve ser discutido e pode ser melhorado. Mas, a discussão deve ser enquadrada em fatos e na verdade e não apenas em opiniões sem base, em sentimentos e, menos ainda, em preconceitos.

Finalmente, é fundamental levar em conta que estar a favor de debater um projeto de lei não implica estar a favor ou contra o objeto do projeto, neste caso o manejo da fauna o que, como visto, alguns confundem com a caça. Ou seja, tanto aqueles a favor da caça como os que estão em contra devem participar seriamente da sua discussão.

 

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138 comentários em “Política Nacional de Fauna: uma análise dos argumentos contrários”

  1. Aboque parece o redator do Oeco é signatário da simplória e rasa nota de repúdio contra o PL de fauna. Se percebe claramente que ficou pessoalmente ofendido com a opnião contrária apresentada e deslanchou para a completa desonestidade intelectual ao tentar desqualificar o texto com acusações genéricas e inverdades.

  2. Claudio
    Esclareco como esta destacado na materia e que NR se refere `a Nota de Repudio assinada por muitas ONGs do Brasil. Nao significa aqui e nao se trata de Nota do Redator. Obrigada

  3. Ohhhh meu Deus . Infelizmente até aqui temos que desenhar .
    Alguém em sã consciência acha que o tal " MANEJO " não vai servir para o massacre da já cambaleante fauna.
    Estamos cansados de ver aqui mesmo no " OECO " florestas quase sem fauna devido à caça .
    Por favor , TODO MUNDO SABE que quando liberarem esse crime vai ser um massacre só .
    Parem com essa desonestidade intelectual , por favor.

    Algumas pessoas parecem que vivem no mundo da lua

  4. E continua a saga dos caçadores e simpatizantes pra, através de comparações esdrúxulas (Brasil com Noruega), tentar provar que 2 + 3 = 7.
    Senhor Marcos, esqueça as teorias técnicas, as estatísticas, as comparações de laranja com bicicleta. Pense na "estruturação" de reservas cinegéticas. Seriam cercadas? Seriam abertas? Quais animais os caçadores matariam? Teria o governo de fiscalizar, gastando dinheiro, pessoal e tempo pra diversão de uns poucos?
    E se isso realmente provocasse a extinção de onças e cervos, de antas, o que poderia ser feito? Clonagem pra trazer de volta essas espécies? E o "Princípio Legal da Precaução"? Há muito mais implicações do que a sua análise totalmente parcial. Pare e pense.

  5. É impressionante a "gana", a "paixão" que essa galera tem por matar animais indefesos. Depois vêm dizer que nós, ambientalistas, é que somos apaixonados. Os caras vão buscar Portugal (do tamanho da metade de Sergipe), onde o lince desapareceu por causa da caça, pra levantar argumentos furados. É impressionante.

  6. O que será que Dona Osmarina Silva pensa disso: ela seria a favor da caça, em prol de seus seringueiros e demais "povos da Floresta", ou seria contra, pra agradar aos ambientalistas do Leblon?

  7. A Nota de Repúdio, além das diversas falácias desmascaradas brilhantemente pelo Marc, apela covardemente para a militância contra as armas e até contra os Estados Unidos. Sobre o desarmamento, o estudo de caso do Espírito Santo está aí pra quem quiser ver. Depois querem que os "ambientalistas" sejam levados a sério.

  8. Ebenezer, a caça já existe no Brasil, principalmente na região Norte. É uma caça de subsistência, contemplada na Lei 9605. Vir dizer que essa caça está contribuindo pra acabar com a fauna silvestre no nosso país é uma bobagem enorme. E aí? Ao se "regulamentar" a caça vai passar a ser proibido "caçar pra matar a fome"? Claro que não. O que vai acontecer é que, além das atuais ameaças, vão ser incorporadas mais algumas. Um cara vai dizer que tem um excesso de jacarés na fazenda dele, no Pantanal, e vai começar a matar e comercializar couro e carne. Outro vai dizer que tem muito caititu no sítio dele… e por aí vai. E, a partir daí, corremos o risco de revitalizar um comércio de carne de caça, um comércio de armas de caça, ou seja, tudo o que foi conseguido nesses 30 anos de criminalização da caça vai por água abaixo. Ou terá o governo que deslocar a Polícia Federal, o IBAMA e outros órgãos ambientais pra ser "babá" de caçador rico?

    • O cara quer discutir e não sabe a diferença entre estado de necessidade (o que está na Lei 9605) com caça de subsistência, que é uma coisa totalmente diferente, pra empurrar mais uma falácia, como sempre fez nessa página.
      Fora que sempre parte para o achismo, sem conseguir refutar o que o Marc escreveu, apelando para o complexo de vira-latas, como se nada daria certo no Brasil. Além disso, diz que não pode comparar com a Noruega, mas e os outros países? Existem diversos por aí de exemplo.

    • E hoje? O cara fala pra quem que tem excesso? Ele faz o que com o caititu e o jacaré? Não é melhor regulamentar e tentar resolver do que fazer de conta que o caititu e o jacaré não existem?

  9. E eu li esse PL. É um "copia e cola" das leis que já existem. Só tem duas coisas diferentes: caça "comercial" (pra venda de subprodutos da fauna) e caça "esportiva" (pra saciar o desejo mórbido de perseguir e matar animais indefesos de uma galera apaixonada pela prática e que não quer mais ter de pagar passagem pra África pra matar uma onça). Pra que mexer com o que está quieto e dando resultado? Claro que existe caça ilegal no Brasil. Mas ela é "ilegal". Imagina a repercussão na sociedade se o Jornal Nacional veicular as imagens de uma caçada de onça no Pantanal? A sociedade brasileira é bem diferente da americana, meu caro.

  10. Sim, tem onça na África. Tem onça-pintada, criada desde pequena, contrabandeada, pra que o caçador realize o desejo de dar um tiro numa onça-pintada só pra ver ela morrer.

  11. E o comentário do Ebenezer revela um baita preconceito. "Ambientalistas do Leblon"??!! E os caçadores? Do jeito que se fala aqui, parece que os caçadores são caras intrépidos, que caçam com uma lança, a pé, passando semanas na floresta, comendo ervas e animais abatidos. Pode parar! Nem vou dar o "perfil" dos caçadores esportistas porque todo mundo sabe qual é.

  12. E olha a pérola de lógica, de "forçação de barra" que foi postada no outro debate:
    “Como a vida selvagem está prosperando por causa das armas e da caça”, para ilustrar a forma como nós, como indústria e como desportistas somos os maiores contribuintes para a conservação da vida selvagem na América".
    O cara joga no lixo todo um trabalho de grandes conservacionistas e insulta a nossa inteligência. Já falei, tem de dar o Oscar de Conservação e da Paz pra Associação Americana do Rifle, e mandar o Trump fazer a entrega hehehe…
    Everardo, não vamos discutir picuinhas. A Lei 9605 é ótima. deixa ela quieta.

  13. E todos, todos, os contra-argumentos do sr Marc podem ser rebatidos tranquilamente. A ideia de que um fazendeiro vai preferir preservar a mata pra fazer o manejo da caça de perdiz??!! O fazendeiro quer é plantar soja, criar gado ou arrendar a terra pra usina da cana. Isso é que dá dinheiro. Só que tem muitos fazendeiros "conservacionistas" de verdade que preservam suas matas e a fauna porque são conservacionistas. Essa "ideia furada" de que só se preserva o que dá dinheiro nasce da cabeça de quem defende a caça, de quem enxerga um animal silvestre como tendo sido criado por Deus só pra servir de alvo pra um caçador e dar dinheiro pra economia do país. Pára com isso!

  14. Né por nada não, mas caçada de onça no Brasil não foi só na Fazenda Santa Sofia. Essa saiu na mídia, mas ser o único caso famoso não quer dizer que seja o único caso.

    Fora isso, há mais alguns problemas com o PL, por exemplo:

    "Fica proibida a introdução de espécimes, reintrodução ou incremento populacional de espécies da fauna silvestre na natureza, salvo
    quando previsto em plano de manejo de fauna ou projeto de pesquisa aprovado pelo órgão ambiental competente.
    Parágrafo único. Excetuam-se do previsto no caput os espécimes recém-capturados da fauna silvestre nativa que tenham comprovação do local preciso da captura. "

    Não haver exceção no projeto para Áreas de Soltura já autorizadas, sendo necessário fazer um novo plano de manejo e autorizá-lo para as mesmas vai criar uma fila gigantesca de bichos nos CRAS e CETAS do nosso Brasil. Fila que já há, mas que o projeto torna pior. E para deixar a bem claro ao que veio, o projeto ainda diz:
    Art.
    18.
    Os animais recebidos pelos centros de triagem podem ser:
    I destinados a criação ou manutenção em cativeiro Iegalizado;
    II destinados a projetos de pesquisa ou atividades previstas em planos de ação ou de manejo;
    III submetidos à eutanásia.

    Acho que todo mundo por aqui sabe que a grande maioria dos animais que chegam a CRAS e CETAS são enviados para soltura em ASAS. Mas essa alternativa, no projeto, nem sequer é mencionada, tirando se um advogado quiser colocá-la como "atividade prevista em planos de ação e manejo" . E isso ainda é colocado como prioridade II… a primeira alternativa é que esses bichos sejam enviados de volta para o comércio… Sério?!!! Voltar o bicho tirado da natureza para a natureza tem que ser a primeira prioridade, se não for possível, aí sim o bicho deve ir… primeiro para zoológico ou criadouro conservacionista e se essas alternativas não existirem, aí sim como matriz para os criadouros comerciais.

    Francamente, tenho muito mais nojo dessa parte do projeto que da parte que permite a caça, já que a que permite a caça, visto o projeto colocar que a caça é proibida se o bicho estiver nas listas de extinção, vai levar um a segundo passo antes de conseguirem caçar onças e outros bichos que estão em perigo: exige que a portaria estabelecendo quais animais estão em extinção seja revogada também. Não que seja impossível ou improvável isso, visto a novela da portaria 445/2014 (pesca é permitida, afinal). Mas a grita vai ser ainda maior, então acho que isso se segura. Mas o dano ao trabalho dos CRAS e CETAS e ao combate ao tráfico ilegal de animais, esse já é feito pelo projeto assim, logo de cara, se passar do jeito que está.

  15. Gostaria de perguntar ao excelentíssimo colaborador de "O Eco" , sr. Marc Dourojeanni , como está a questão da conservação da fauna nativa de seu país, o Peru. Pois creio que as opiniões dele sobre o país vizinho – o Brasil – estão no mínimo equivocadas – a começar pela citação de que o PL 6268/2016 " cobre um vazio da legislação BRASILEIRA ". Cordialmente , Geraldo Jr.

  16. •Exemplos de má gestão de reservas cinegéticas levando ao declínio populacional ou extinção local de espécies caçadas É MAIS REGRA DO QUE EXCEÇÃO em todo o mundo, sugerindo uma alta probabilidade de replicação das experiências negativas em território nacional. (e.g. Lindsey, Roulet & Romañach 2007 Biol. Cons. 9: 283-291).
    O sr Marc diz: "Em compensação, a economia local e regional melhorará onde seja facilitada a caça esportiva BEM MANEJADA E CONTROLADA, como propõe o projeto de lei".
    É sempre assim. Alguém ou alguma instituição tem de dispender tempo, dinheiro e pessoal pra ficar controlando, fiscalizando, essa diversão nonsense de um bando de marmanjos. E pra quem vai sobrar? Claro, pro Governo, que tem as costas mais largas do que o rio Amazonas.

  17. Perdi o respeito que tinha, há muitos anos pelo Sr. Marc. Está claro que o artigo dele foi redigido não no intuito de debater a caça – como ele frisou várias vezes -, mas sim de se intuir como o dono absoluto da verdade. É clara a intenção da tentativa de denegrir a linha de pensamento de dezenas de pesquisadores e técnicos que assinaram o Manifesto. Só faltou ele escrever claramente, que todos são "uns idiotas" porque não comungam com a minha linha de pensamento.

    • Talvez seja o caso de se perguntar se perder o respeito por alguém devido à uma discordância é algo razoável. Ele não atacou nenhum pesquisador, mas sim o texto da nota, que, vamos combinar, está muito ruim mesmo. Contudo, não se pressupõem que todos que assinaram "são uns idiotas", mas que poderiam usar argumentos mais racionais e menos ideológicos.

    • Verdade Paulo Pizzi. Mesmo considerando a relevante contribuição do redator à conservação da natureza, isso não lhe dá o direito de manifestar com acusações genéricas e inverdades àqueles que manifestaram suas opiniões em um manifesto público. Cada um pode (e deve) manifestar sua opinião, mas de forma respeitosa e com conhecimento da matéria. Acredito que o Sr. Marc tenha muito a contribuir neste debate, basta saber se o mesmo terá a coragem de usar a sandália da humildade e nos ajudar nesta construção.

  18. E depois, se houver extinção local, perda de populações, matanças chocantes, a quem será atribuída a culpa? Aos caçadores? Não, a culpa será do governo que não fiscalizou, não controlou. É sempre assim. Já que os caçadores afirmam que o maior perigo pra fauna é o desmatamento, eles deveriam fazer campanhas contra, usar o dinheiro deles pra criar RPPNs de proteção aos animais, não fazer campanha pra eles poderem matar os animais.

  19. Lamentável uma análise parcial como essa… Colocada como se a "verdade" em suas linhas fosse universal e irrevogável. Comparações esdrúxulas, linguajar inadequado, procurando desmoralizar quem tem pensamento contrário à proposta do PL. Essa tentativa de queimar e execrar os pesquisadores e técnicos que assinaram o documento é de uma mesquinhez tremenda! Esse artigo presta um desserviço na questão do debate sobre o assunto. Triste…

    • E o linguajar do documento é um primor né? Afirmações sem sentido, achismo, até lobby contra armamento tem. Mas aí não se pode criticar, já que tá do lado que vc quer… Realmente, é um desserviço esse tipo de gente autoritária que não consegue nem ouvir outra opinião sem atacar o autor.

  20. Aproveitando-se do direito de expor o contraditório e emitindo nossa opinião, lamento profundamente que o Sr. redator utilizando-se de sua posição neste importante canal de informação, venha à publico desqualificar e atacar de forma tendenciosa e desoneta, uma manifestação de repúdio à caça, elaborada por mais de 40 pesquisadores da área da Conservação da Natureza e assinado por mais de 190 instituições não governamentais, que atuam em prol da biodiversidade em nosso pais. A soberba e arrogância, tão explícita em seus comentários, extrapola a razoabilidade, expõe a fragilidade técnica e jurídica dos seus posicionamentos e lança a dúvida: a quem interessa sua manifestação? Lamento profundamente a leitura rasa dos não técnicos, compreensível e justificável.

    • Deixa eu ver se entendi: se alguém discorda de vc, então, esse alguém só pode estar defendendo algum interesse escuso ?

      Muito interessante. Mas, vc falou na "leitura rasa", contudo, não percebeu a minúscula superfície dos "argumentos" apresentados na nota, que não trouxeram nenhum conteúdo técnico ou profundo. São argumentos iguais aos seus: apelos emocionais, apelos à autoridades e à emoções.

      Nada disso é "técnico" ou "profundo".

      • Alexandre, em nenhum momento me posicionei quanto ao teor do PL. Mas já que o assim faz, quero dizer que o projeto é de qualidade duvidosa e sofrível, do ponto de vista técnico e jurídico. O objetivo do PL é explícito: liberar a caça de animais silvestres no pais. Se esta é a sua opinião, a respeito, mas não posso concordar. Debater o tema é fundamental, até porque o próprio redator em inúmeras divagações, extrapola alguns entendimentos conceituais a respeito de manejo de fauna. Concordo com você, nada disso é "técnico" e "profundo" – seja o manifesto, seja o Projeto de Lei. O manifesto não tinha este objetivo, mas o Projeto de Lei sim, deveria.

        • "Debater o tema é fundamental,"

          Vc está sendo incoerente aqui, Thomaz. Se vc acha que debater o tema é fundamental, porque defende posições que são, por definição, anti-debate? Como usar rótulos e ilações sobre o caráter de quem propõe o debate ?

          O manifesto é uma verdadeira ode ao não-debate, é sofrível sob qualquer ponto de vista.

  21. Achei o texto com argumentos bastante sólidos, mas, ao que parece, não há nenhuma boa vontade para debater o tema de forma racional por parte de certas pessoas. O debate acerca do tema não vem sendo feito com base no racionalismo, mas sim com base em emoções e sentimentos feridos, ataques pessoais então, é o que mais tem.

    Gostaria de acrescentar que não há NENHUMA diferença, sob nenhum aspecto, entre regulamentar a caça e regulamentar pesca. Portanto, qualquer um dos que aqui atacam o projeto e o texto sem nem ler direito, cabe a reflexão: por qual motivo vc é a favor da pesca regulamentada, mas contra a caça regulamentada ?

    Faça-se essa pergunta, seria um bom início para um debate mais sadio e menos emotivo.

  22. Valeu, Thomaz Lipparelli. Do jeito que a coisa está sendo levada nesse debate, parece, como eu afirmei em um outro, que os ambientalistas brasileiros são um monte de incompetentes, que nunca saíram de seus apartamentos no Leblon, que estão equivocados no direcionamento dos seus esforços pra conservar e proteger a fauna brasileira. Fica parecendo que temos de chamar um caçador pra coordenar a gestão de fauna no Brasil, caso contrário, haverá uma extinção em massa dos nossos animais silvestres. E eu bem sei que é graças a esses ambientalistas que redigiram e assinaram esse documento de repúdio à caça que ainda podemos navegar no rio Paraguai e ver onças-pintadas nas suas barrancas. Valeu mesmo. Abraço pra ti.

    • Caro PR.PR. Estamos vivendo momento difíceis, onde manifestar o contraditório é ser oposição à tudo. As pessoas acreditam que um "tiro" resolve a questão. Se fosse assim, já estaríamos livres do javali no território nacional, considerando a existência dos "controladores", devidamente registrados no IBAMA para um certo "abate sanitário". É triste verificar que nas redes sociais, estes mesmos "caçadores" que lutam pela "conservação", expõe sem qualquer remorso, imagens da nossa fauna silvestre abatidos como troféus. Esses mesmos "caçadores" que se dizem "democráticos" e que querem o debate, me excluíram de alguns grupos de manejo de animais silvestres, por não concordarem com meus posicionamentos. Esses mesmos "caçadores" paladinos da ética e da moralidade, divulgam via internet como burlar um sistema de votação da câmara federal. Confesso que tenho amigos CAÇADORES, que honram seus posicionamentos e respeitam o meu. Nem por isso eu os considero inimigos e eu a eles. Conversamos abertamente com eles e temos posicionamentos convergentes. Mas estes CAÇADORES DE VERDADE, reconhecem que este PL está mal redigido e que as soluções apresentadas sejam as melhores. Aqueles que queiram debater o tema, de forma respeitosa e dispostos a ouvir o contraditório, estamos abertos ao diálogo. E quanto aos ambientalistas que estão em seus apartamentos no Leblon, sejam bem vindos ao debate. Abraço PR.PR.

  23. Realmente um desserviço esse texto provocou. Obvio que é necessário o debate sério e aprofundado sobre o tema, mas não após a aprovação de um projeto de lei ditatorial, sem sequer ouvir plenamente todos os especialistas e as demais partes envolvidas.. O mesmo acontece com o PL da tilápia que quer naturalizar uma espécie de origem africana e de alto potencial invasor e de impacto ambiental por meio de decreto de lei.
    O autor até possui razão em alguns momentos, mas a desqualificação que fez da texto de repúdio, simplesmente tirou todo o merito que poderia ainda ter.

  24. Alexandre, a pesca é uma atividade comercial. Pescam-se toneladas de sardinha pra gente comer, assim como são abatidos (procurando-se evitar o sofrimento deles) milhares de bois pra alimentação das pessoas. Existem bilhões de sardinhas e uns 250 milhões de bois no Brasil. Leões, elefantes, rinocerontes e onças-pintadas são animais ameaçados de desaparecimento, entendeu? Matar dez onças-pintadas traz qual vantagem pra economia ou para os brasileiros, além da satisfação pro caçador? Peixe é recurso e, mesmo assim, a pesca esportiva tem regras. Do mesmo modo, são exterminados milhares de ratos e pernilongos. Não misture as coisas. A caça esportiva de um elefante é execrável, dar uma chinelada num Aedes é necessário. Não misture as coisas.

    • Não estou falando de pesca comercial, obviamente, pois em nenhum momento o assunto aqui foi caça comercial. Estou aqui falando da pesca esportiva, daquela que as pessoas saem de barco para tirar alguns peixes para comer. Como, em nenhum momento, o texto fala em autorizar a caça comercial, nem o projeto, então, obviamente, não estou falando de pesca comercial e nem de caça comercial: ninguém aqui é a favor de caça comercial. Em nenhum momento, nem no texto, nem no projeto, nem em em lugar nenhum, falou-se em autorizar caça de animais que estejam em extinção, vc está sofismando: falácia do espantalho (procure do google o que é).

      Da mesma forma que a pesca esportiva tem regras, defende-se no projeto que a caça esportiva tb tenha regras: o projeto trata EXATAMENTE disso.

      Até agora não entendi a diferença, do ponto de vista ético ou ambiental, entre ter legislação que regule a pesca e que regule a caça. Se a pesca e a caça está dentro de limites estabelecidos por lei, então não há nenhuma diferença entre as duas coisas. A caça deve ser permitida quando o recurso não esteja sendo explorado, assim como é com a regulação da pesca. A caça deve ser permitida quando se tem o aproveitamento do recurso, assim como é na pesca. E a caça deve ser permitida quando oferece alternativa ecologicamente melhor para o uso do solo, assim como prevê o projeto e como é em inúmeras áreas preservadas no mundo.

  25. E, do meu lado, o debate é muito sadio e não tenho emotividade nenhuma NA ARGUMENTAÇÃO. Mas também sou emotivo porque quero ver os animais silvestres mantidos vivos pelo simples direito inalienável que eles têm de continuar vivos. Eles não existem pra serem abatidos pra alguém se divertir. E também é uma falácia argumentar que a única maneira de evitar a extinção de espécies é pregar uma etiqueta de "valor" num bicho e liberar a caçada. Esse é o argumento que, em última análise, esconde uma paixão mórbida.

  26. Você está enganado, AA Cansado. Mas se eu "militasse" estaria sobrecarregado de orgulho, de alegria, de felicidade, por trabalhar ao lado de quem REALMENTE faz alguma coisa pela maravilhosa Natureza brasileira, por compartilhar a visão de mundo de gente que, ao ver uma onça descansando num areal, não sente vontade de pregar fogo nela, acertar um tiro na cabeça dela; que, ao ver um cervo-do-pantanal num corixo, sente vontade de sacar uma máquina fotográfica pra carregar consigo essa imagem, e não a cabeça dele pra pregar na sala de jantar. Parabéns a quem milita no ICMBio, vocês são imprescindíveis.

  27. O site " OECO " algum tempo está ficando estranho .
    Aqui deveria se defender o meio-ambiente , mas pelo contrário aqui tem mais gente que apoia madeireiras , caçadores , mineradoras etc. O Brasil acabando com seu maior patrimônio e um site chamado " OECO " como se estivesse incentivando para acabar com tudo.

  28. Parabéns pela coragem (e paciência) do Sr. Marc por se contrapor ao, infelizmente, atual estágio do "ambientalismo" nacional: ideológico, histriônico…e inócuo! O "custo de oportunidade" de sequer termos um debate sério sobre manejo de fauna no Brasil cedo ou tarde será cobrado, e quem pagará é a própria fauna.

  29. O atual estágio da ambientalismo nacional é seríssimo, F. Raeder. O que não é sério é se tentar "desmontar" argumentos de proteção à fauna rotulando-os de "apaixonados", "sentimentais". Se não houver quem defenda a fauna brasileira dos caçadores (esportistas, comerciais e amadores), cedo ou tarde não haverá fauna pra defendermos. Vá ao rio Paraguai pra ver como cresce o turismo de observação de onças; vá ao pantanal do rio Miranda pra ver o Projeto Onçafari (a observação de duas ou três onças a cada passeio é muito comum, diferentemente de 15 ou 20 anos atrás, quando eu passei por lá uns 3 anos da minha vida e não vi uma onça sequer); vá pra Serra da Canastra e você vai ver um monte de lobos-guará nos passeios dentro do Parque. Vir aqui, no site OEco, pra fazer proselitismo da "caça esportiva como manejo de fauna" e ficar mentindo estatísticas é deletério pra fauna brasileira. Ninguém contestou meus argumentos. Ficam me atacando pessoalmente.

  30. Lamentável o artigo do Marc. Ele se considera certo enquanto 197 organizações ambientalistas estão para ele erradas. E fica fazendo todo o tipo de comparações descabidas. Não é a primeira vez que ele insiste nisso. Como se as experiências de fora que ele diz serem ótimas não fossem também altamente criticadas em seus próprios países. Ah, dá lucro. Que argumento ótimo! Então se dá lucro é bom? Pelo visto para ele a nossa biodiversidade é uma questão de números e mais nada. Aliás fico pensando se esta vergonhosa (e enganadora) lei passasse qual seriam as espécies que poderiam ser caçadas? Como a maior parte da mastofauna brasileira se encontra de alguma maneira ameaçada, acho que haveriam bem poucas. Imagino a cara de um gringo vindo ao Brasil para caçar pequenos roedores. Ou será que vão fazer que nem na África do Sul onde se criam leões em cativeiro para serem soltos em pequenas fazendas cercadas para o deleite de idiotas ricos. Caça não é esporte, caça é crime.

    • Beleza, Ed!! É isso aí. Essa é a verdade. Não essas "estatísticas" furadas produzidas pela Associação dos Caçadores do Brasil. Manda brasa nas suas opiniões. Você é que está certo.

    • "Ele se considera certo enquanto 197 organizações ambientalistas estão para ele erradas." – Errado, sr. Torres.

      ELE E MAIS DE 180 PAÍSES se consideram certos. O Brasil (e as 197 organizações "ambientalistas") é que estamos a anos-luz do verdadeiro ambientalismo.

  31. Há uma inversão gritante de valores. Os analistas do Ibama, do ICMBio, que vivem no meio da floresta, que enfrentam madeireiros, caçadores, garimpeiros, correndo risco de morte, um ambientalista do quilate de uma Neiva Guedes, de uma Patrícia Médici, esses são rotulados como "românticos", "bobos", que não são racionais. O caçador esportista, que, esse sim, mora numa cobertura em BH, que viaja pra África pra matar elefantes e rinocerontes, esse é um "ambientalista", um cara preocupado com a fauna brasileira. Pode isso?

  32. E falou bem o Ed Torres: o objetivo desse PL é pegar as onças, o cervo, a anta, a harpia, o lobo-guará, o jacaré-açu e outros coitados. Imagina se um "caçador" vai sair por aí matando gambá e capivara. Se acham que vão me enganar, vocês é que estão enganados. Imagina se um russo gordo, acostumado a matar tigres e elefantes, virá pro Brasil, "trazendo divisas pra nossa economia" (Ai! Meu Deus!), pra matar uma cotia??!!

  33. Algumas perguntas, quem souber racionalmente sobre fique a vontade para responder, vou excluir ofensas, chacotas ou estupidez.

    "Falando em termos simples se, por exemplo, um grande fazendeiro dono de milhares de hectares de cerrado nativo quer fazer manejo de perdizes em sua grande propriedade (o que geraria renda e manteria seu cerrado sem desmatar, protegendo não só o habitat nativo, mais todas as outras espécies de fauna de diferentes ali existentes) não poderá fazê-lo baseado no contexto legal vigente. Mas, se este mesmo proprietário quiser desmatar 80% desse cerrado, destruindo todo o habitat com todos os seres vivos ali existentes, poderá proceder sem problema."

    Perguntas:
    O que garante que o fazendeiro não vá desmatar 80% do Cerrado e ainda Caçar? Não seria duas pressões caça e desmatamento?

    "A caça, aplicada como parte do manejo, é apenas uma das técnicas de manejo dentre centenas, que incluem modificações no habitat (variar a composição vegetal, oferecer fontes de água, providenciar sal ou outros nutrientes, providenciar nichos para nidificação, etc.), alterações nas populações de outros animais que interagem com a espécie objeto do manejo (por exemplo, redução da população de depredadores ou competidores), suplementos alimentares diretos, controle de parasitas enfermidades, reintrodução de espécies ou de espécimes, medidas educativas na população local, etc., etc. Deve se levar em conta, que o manejo da fauna use técnicas para repovoar áreas nas quais se extinguiu a fauna nativa e reconstituir populações de animais em risco de extinção"

    Perguntas:
    O que garante que o manejo será efetuado por profissionais qualificados?

    Pois concordo que há espaço para a caça dentro do manejo mas como traz o texto há outras técnicas que precisam de amplo conhecimento técnico/cientifico para serem aplicadas de forma racional e positiva.

    Isso leva a outras perguntas:

    Porque o projeto não analisa o manejo como um todo já que a caça é apenas uma técnica? Não teria um impacto positivo maior para a biodiversidade? Seria viável o manejo? Caso a lei passe mesmo um leigo sobre ecossistemas, populações e comunidades poderia caçar?

    • Prezado Herbert. o que garante que o fazendeiro irá preservar o cerrado para a prática da caça é o lucro, Como ninguém preserva aquilo que não dá lucro, ele fará o que for mais rentável. Se for possível obter lucro com a preservação o fazendeiro irá fazê-lo. Hoje a reserva legal é um ônus para o agricultor, só dá prejuízo além da responsabilidade criminal se alguém colocar fogo, por exemplo. O Estado está carente de recursos para aplicar em saúde, educação, segurança, infra estrutura, etc. ( por motivos que não vem ao caso, como corrupção, incompetência, etc.), certamente não irá investir em preservação, então é preciso deixar que os que tem interesse na preservação para a pratica da caça arquem com os custos dessa preservação. O que garante que o manejo será feito por profissionais qualificados é o mesmo objetivo citado acima, o lucro. Quem cria bois não mata todo o rebanho. Sempre reserva as matrizes e reprodutores para que o negócio continue e assim farão ao administrar a caça em sua propriedade. Exemplos de sucesso como os citados no excelente artigo do Prof. Marc Dourojeanni não faltam. Basta copiar o que dá certo no resto do mundo.

      • Completando Herbert, faltou a última pergunta. Sim, um leigo poderá caçar, pois a orientação sobre quantidade, espécies e a temporada será de responsabilidade do gestor da reserva de caça, inclusive regaras de segurança com armas de fogo. Este terá todo interesse em gerir o negócio observando essas regras para que ele prospere.

        • Obrigado pela resposta Luiz, mas você citou reserva de caça (que ao meu ver terá profissionais trabalhando a assessorando o caçador) mas o que me preocupa é o leigo que não caçará em reservas.

          • Prezado Herbert, como no exterior, as reservas de caça serão particulares ou públicas, onde sempre haverá profissionais para orientarção. No caso dos caçadores furtivos, à esses as penas da lei. Nesses países onde a caça é regulamentada isso também ocorre, mas em quantidades insignificantes, pois o caçador que cumpre as regras também se torna um fiscal ambiental, denunciando os furtivos para preservar a sua atividade. Nos EUA há até uma reconpensa quando a denuúncia resulta em prisão dos ilegais. Havendo uma temporada de caça, muitos ilegais deixarão de caçar de forma furtiva e o ano todo pois sabem que haverá um período próprio para isso.

    • " O que garante que o fazendeiro não vá desmatar 80% do Cerrado e ainda Caçar? Não seria duas pressões caça e desmatamento? "

      Vc está desviando o foco do argumento. Deixa eu te explicar: o fazendeiro liberar a caça em sua fazendo precisa que, antes, tenha a caça. Para ter a caça, ele poderia, se assim quisesse, destinar parte da sua propriedade, que não APP e RL, para não suprimir a vegetação, fazendo com que o recurso "caça" esteja ali presente. Sendo assim, é uma alternativa econômica que redunda em uma atividade que não demanda supressão de vegetação, portanto, ambientalmente mais vantajosa. Em áreas com baixa aptidão agrícola, pode ser interessante para o fazendeiro reservar parte de sua propriedade para a caça regulamentada, em vez de suprimir tudo para pastagem.

  34. Boa, Herbert. A Lei 9605 prevê um monte de situações em que se poderá "manejar" populações, mas para fim de conservar essas populações, levando em conta problemas ambientais e/ou sociais. Por exemplo, se uma população de cervos-do-pantanal "explode" e, numa região, passa a transmitir febre aftosa, ela, mediante autorização de juiz ou órgão ambiental, pode ser reduzida por eliminação de indivíduos. A Lei 9605 é bastante completa. O problema é que ela criminaliza a caça esportiva (por diversão), a comercial (por dinheiro) e a amadora (por diversão também). Isso os caras não aceitam. E foi isso que ajudou a recuperar populações de animais silvestres (onças, cervos, jacarés etc.). E, claro, a perda de habitat e a caça ilegal empurram essas populações pra baixo. Reativar "as caças" vai ajudar pra chuchu os pobres dos animais. Vai vendo…

  35. "PR.PR", que tal ter um pouco (mínimo, mínimo possível…) de coragem na cara e parar de postar desqualificações a outras pessoas assinando pseudônimo? Saia da barrinha da saia da sua mãe e diga o seu nome, cidadão! Tenha vergonha na cara!

  36. Marc, parabéns pelo texto e por levantar a discussão. Já defendi veementemente a caça enquanto forma de manejo; hoje tenho sérias dúvidas e me desapeguei da minha opinião formada. É absolutamente vital a discussão séria e respeitosa sobre o assunto. Apenas histriônicos que assinam pseudônimos e/ou ambientalistas de apartamento/Facebook/Avaaz (não que as duas últimas ferramentas não sejam importantes, mas é preciso antes fazer na realidade) se acham tão donos da verdade que sequer admitem a discussão. Aliás, os argumentos de alguns já denotam bem a real "experiência" para discutir quando dizem que a caça de subsistência é inócua à conservação, quando quem já trabalhou em RESEX superpovoadas sabe o quanto é tarefa hercúlea se encontrar fauna cinegética ("bichos comíveis") em largos territórios contíguos às ocupações humanas. Parcela dos comentários aqui indica bem um dos principais motivos que o meio ambiente foi e continua sendo terraplanado, e que estamos indo ladeira abaixo independente do governo que ocupa o poder: falta seriedade na discussão; a argumentação é baseada em convicções pessoais/filosóficas/religiosas, não na técnica, estudos e isenção necessárias; ou sequer permitem discutir, patrulhando qualquer tentativa de levantar um bom debate.

  37. É claro que eu estou discutindo, mas como eu meto o dedo na ferida (a tentativa canhestra de dar um "ar" científico e eticamente justificado para as "caças") dessa aberração que é a tal caça esportiva/comercial/amadora como ferramenta de manejo da fauna silvestre brasileira (em recuperação), o pessoal aí pra cima fica muito bravo e me xinga, sem dó nem piedade hehehe… Menos, galera! Vamos debater ciência, racionalmente, sem estresse. Abram vossas cabeças.

  38. O sr Marc diz: "Tem mais, no mundo todo, seja escrita ou costume, o caçador, especialmente o esportivo, não deve desperdiçar os restos de suas presas. Em geral, os consome no meio familiar ou de suas amizades." É isso. O caçador esportivo, na verdade, é um gourmet que adora carne de leão, de onça. Ele mata esses bichos pra matar a própria fome. Paga 50 mil dólares pra matar um leão e comer. Se ele não puder caçar, ele morre de fome. Engraçado que o paladar dele é específico. Sr Marc, esse argumento não colou.

  39. O sr Marc diz: "Bem ao contrario, tudo indica que os jovens daquele país (os meninos e meninas americanos) aprendem desde cedo o valor da vida dos animais e a necessidade de respeitar as leis de caça." Isso então é demais! O moleque americano (nem todos) ganha seu primeiro rifle aos 6 anos pra praticar tiro ao alvo nos guaxinins que aparecem no quintal de casa. Alguns seguem atirando nos coleguinhas da escola. Outros, como o dentista de Oklahoma que flechou e perseguiu o leão Cecil, fora da reserva de caça, depois de subornar os guias (isso deve acontecer a toda hora) passam a vida viajando e matando bichos nos 4 cantos do mundo. São verdadeiros conservacionistas: matam tigres, girafas, onças, rinocerontes, leões, focas, ursos, alces, lobos, gorilas, elefantes, várias espécies de antílopes e outros bichos, quanto mais raro e mais bonito, melhor.
    Sr Marc, segundo contra-argumento falho, sem consistência.

  40. Nos idos de 1975, andando pela rua São João, no centro de S. Paulo, eu sempre entrava numa casa chamada "Ao Gaúcho". Lá vendiam tênis, botinas e apetrechos de caça. Na parede, uma foto enorme de um varal, ancorado num tripé, de uns dez metros de comprimento, com uns 20 ou 30 veados-campeiro pendurados. Era assim naquele tempo, os caras iam pescar e aproveitavam e matavam tudo o que viam pela frente. A caça era permitida, tolerada. E isso levou ao desaparecimento de várias espécies em várias regiões no Brasil. Depois vieram os movimentos ecológicos, a CF 1988, a Lei da Vida 1998 e isso foi mudando. Hoje, uma loja como essa, uma foto como essa, provoca mal-estar nas pessoas. Uns poucos ainda gostam disso. Gosto não se discute, leis sim.

  41. Puxa, eu fiz um comentário, citando trechos da lei e discutindo, e ele, aparentemente, não foi aceito pela moderação deste site, já que três dias depois não apareceu. Mas comentários que não falam nada além de ofensas a outros comentaristas e/ou ao autor do artigo aparecem sem problemas. Qual o critério da moderação aqui no Eco?!

  42. Acho que o Sr Marc deve estar consumindo muito cha de ayahuasca junto aos indios de seu querido Peru. Se no Brasil até homicidas são dificeis de serem enquadrados devidamente, a fiscalização e punição seriam totalmente inviáveis. E se o PR.PR está no ICMBIO, meu agradecimento a pessoas como ele, que se dedicam a conservar a nossa fauna na PRATICA e contra todo tipo de dificuldades.

  43. Este foi um dos piores textos que vi até agora. Este senhor que assina este texto praticamente "absolveu" a pecuarista Beatriz Rondon, aquela mesma que promovia a caça esportiva (esportiva, pior ainda!) de onças em sua fazenda. Este senhor admite neste texto que o que ela fez foi inclusive ILEGAL (é claro!), mas ao mesmo tempo disse pra dar um crédito pra ela; afinal de contas, segundo ele, ela ajuda a conservar a natureza com recursos próprios (pasmem!). Sim, e provavelmente ela cobrou muita grana levando um ricaço sanguinário pra matar onças na fazenda dela. Aliás, foi divulgado que a fiança que ela pagou pra ser solta foi metade do valor que ela cobrava do turista caçador pra matar as onças. Grande conservacionista essa Beatriz Rondon, hein?! Não dá pra acreditar.

  44. O movimento conservacionista atual nasceu justamente da obra de um eng. florestal/caçador, Aldo Leopold, em suas famosas obras Game Management e Land Ethic. O manejo de vida silvestre pela caça ainda é reconhecida por diversas ONGs de renome: WWF, Funatura, Conservation International, IUCN (que prevê as reservas cinegéticas como uma das categorias de áreas protegidas) entre outras.

    Cabe enaltecer que a maior área conservada territorial do planeta é uma reserva cinegética, Kavango-Zambezi Transfrontier Conservation Area.

    Como a maioria das pessoas contrárias ao manejo militam pela proteção dos animais, embora em especial de domésticos, quero explicitar em minha missiva um caso ocorrido de fato, quando apresentei em 1997 um projeto de caça de perdiz na Faz. Vereda Nova em Arinos/MG.

    Esta propriedade soma uma área de 11000 hectares (110km2) e na ocasião, em 1997, era toda tomada de um vasto e deslumbrante cerrado nativo, com a presença de todos os gradientes fitofisionômicos de cerrado, desde campos limpos, strictu sensu, vastas veredas….

    A propriedade apresentava também toda a sorte de fauna nativa: onças parda e pintada, veados campeiros e cervos do pantanal (que lá se chama sussuapara), tayassuídeos (queixadas e catetus), taperidaes (antas) e mais de 200 espécies de avifauna levantada. Nosso objetivo era monitorar a população de perdizes (Rhynchotus rufescens) por 5 anos para propor o desfrute da mesma (via caça amadorista) pela obtenção do Rendimento Máximo Sustentável – RMS da espécie (fundamentação te´rica dada por Greame Caughley na obra Analisys of Vertebrate Populations). Uma espécie seria desfrutada e milhares de outras seriam beneficiadas pelo uso sustentável da área.
    Este processo ficou rodando no Ibama, com vários trâmites, pareceres denegatórios, recursos, pareceres favoráveis até que em agosto de 2002 a ARCA Brasil e colaboradores conseguiram capitanear um movimento para arquivar de vez nosso pleito.
    Porém, o que parece ter sido um sucesso contra os "malvados caçadores que querem matar as perdizes" serviu para mascarar uma tragédia ambiental de proporções muito maiores….

  45. O proprietário fez então o que todos fazem, averbou a RL da propriedade, demarcou as áreas de preservação permanente e usou da prerrogativa legal (Lei 4771/65) para desmatar mais de 8.000 hectares daquele antes belo e rico cerrado. Meteu correntão em tudo e fez carvão para abastecer o vasto pátio siderúrgico de minas e após este feito formou pasto de brachiária para criação pecuária. A velha história que se repete a centenas de anos, dia após dia (trabalho no IEF e presencio autorizações legais de desmate aos milhares de hectares todos os dias).

    O que aconteceu com toda a riqueza de fauna e flora que ali existia? Será que um pouco mais de 20% da cobertura vegetal remanescente foi o suficiente para abrigar todos os animais que ali existiam?

    Imagine a cena de uma fêmea prenha de cervo do pantanal perdendo seu abrigo de nidificação depois que o correntão "lambeu" tudo, a morte deve ter sido terrível…E os catetus, queixadas, antas, onças.? Todos perderam seu valioso habitat, quantos milhares de animais de toda sorte não morreram de forma trágica? Este foi um fato triste que, como defensor da nossa fauna e dos nossos ecossistemas, me comoveu profundamente.

    O engraçado é que todos que uniram esforços para "frear" nosso projeto conveceram as paredes do quarto e dormiram tranquilamente e ninguém que se manifestou contra a caça sequer ergueu uma voz contra o holocausto que ocorreu ali. Só eu que falei, falo e vou continuar falando.

    Será que o discurso apaixonado e bem intencionado do pessoal da ARCA foi realmente efetivo para proteção daquela rica fauna que ali existia?

    Enfim, para estes eu não passo de um grandessíssimo FDP e esta mensagem trata-se apenas um desabafo…..

    • Esse testemunho é um cheque-mate nos "ambientalistas do Leblon"! É isso aí mesmo, convenceram as paredes do quarto e foram dormir tranquilos, tendo "contribuído por um mundo melhor"!!!

    • Infelizmente, Claudio, é isso o que ocorre. Há um pouco, também, de preconceito e ignorância. No desmatamento, a fauna desaparece em alguns meses ou anos, e ninguém vê. Simplesmente se extingue, totalmente. Para essa gente, isso é "confortável". Já com arma de fogo, instrumento demonizado por esse pessoal, o esporte é cruento, e o bicho "sofre", sangrando, tadinho…

      Vou regularmente caçar palmípedes na Argentina e Uruguai. Ha uns 3 ou 4 anos, em um complexo de caça no Uruguai, tive oportunidade de caçar em uma grande (900 hectares) plantação de arroz, a uma hora do hotel. O proprietário franqueava a área para caça, pois patos, gansos, marrecões e marrecos faziam "estrago" na plantação, com queda significativa de produção. Três ou quatro anos depois de minha visita, voltei à mesma operação de caça, e quando indaguei se ainda se podia caçar no arrozal da fazenda próxima, o gerente me informou que o fazendeiro havia desistido de produzir arroz e tinha arrendado toda a área da várzea para a operação de caça.

      Quando cheguei no local, fiquei admirado. Não havia mais controle artificial de água na várzea (diques e taludes), e a vegetação nativa já havia parcialmente voltado e dominava tudo, até onde a vista alcançava. Mas o que me chamou a atenção realmente foi a IMENSA fauna nativa recrutada para o local. Garças, socós e gaviões de muitíssimas espécies e de todo o tamanho, tachãs, nas beiradas mais secas algumas emas, ratões do banhado (nutria), cachorro do mato, centenas de espécies de pássaros pequenos… tudo isso onde antes só havia uma várzea plantada de arroz, com patos e marrecos comendo…

      Se o proprietário não pudesse arrendar para caça (como é no Brasil) ter-se-ia uma várzea com inundações controladas, uso intensivo de defensivos agrícolas, e meia dúzias de espécies nativas presentes…

  46. Bão, quero reiterar meu pedido de desculpas aos apoiadores das "caças" nos momentos em que ofendi a todos, indiscriminadamente, quando escrevi "marmanjos imbecis", por exemplo. Aos que debatem nesse espaço (Carlos Magalhães, Sanctis, Pádua etc.), reconheço a boa intenção, a boa argumentação e a polidez, mas eu também as tenho e continuo achando que os meus métodos para alcançar o mesmo fim são melhores e mais éticos. A propriedade tem sim uma "função social" e uma APP, uma RL, muito menos um animal silvestre, não precisam dar lucro. E o animal que está na fazenda do João não pertence ao João. É o Estado que o tutela. Mas, mesmo assim, se o proprietário quiser, ele pode fazer permacultura, visitação e outras práticas salutares. O tema é mesmo "apaixonante" e, fora um ou outro deslize, salvaram-se todos. Abraços e até a próxima.

  47. Parabéns ao prof. Dourojeanni pela lúcida e brilhante análise. Pena que ele frequente pouco esta folha.

    É um banho de lucidez, de ciência e de proficiência nessa treva espessa de ignorância e preconceito que cerca esse tema no Brasil.

  48. Boa tarde pessoal!

    Ainda ontem comentei com o Claudião que eu estava desanimado com o nível dos comentários ideológicos aqui no site, em detrimento dos técnicos. E que eu não estava nem um pouco animado em escrever, pois parecia muita perda de tempo, saúde etc.

    Mas hoje para minha surpresa, o nível melhorou e exemplos do próprio Claudião e do Carlos Magalhães "desenharam" como a atividade cinegética bem implantada pode, de fato, contribuir para a conservação ambiental.

    Sendo assim, emendo outro exemplo:

    No princípio dos anos 2000 trabalhei para as Federações de Caça e Tiro dos estados do Sul (PR, SC e RS), naquela época tínhamos um levantamento, na Federação Gaúcha, de fazendas como as citadas pelo Carlos deixavam de suprimir a vegetação nativa dos banhados para arrendá-las aos caçadores.

    A lógica era a seguinte: amigos caçadores se juntavam e arrendavam os banhados para praticar a caça. Para tanto, era necessário fazer vigilância contra caçadores ilegais (para que estes não furtassem a fauna cinegética) e manter a vegetação nativa. E, claro, no período estabelecido pelo Ibama, caçavam.

    Os fazendeiros por sua vez, recebiam o arredamento sem precisar suprimir a vegetação nativa, preparar o solo, plantar, combater pragas (entre elas a própria fauna), colher e vender. Sempre correndo riscos

    Neste cenário, o tal levantamento que tínhamos, que citei acima, dava conta de 30 mil hectares de propriedades arrendadas aos caçadores, quase tudo de banhados conservados!

    Ali tinha toda sorte de fauna nativa, conforme citou o Carlos, porém, apenas 4 ou 5 eram objeto de caça!

    E aproveitando o exemplo citado pelo Claudião, em 2005 os ditos "ambientalistas" conseguiram que a atividade fosse suspensa no RS e os banhados arrendados pelos caçadores foram devolvidos aos proprietários e claro, à atividade agrícola! Ou seja, ao plantio de arroz, onde toda fauna ali presente torna-se, invariavelmente, indesejada e portanto combatida.

    Alguém ai, principalmente os contrários à regulamentação da caça conservacionista, sabia que anatídeos são envenenados aos montes para que se possa produzir arroz nestes banhados?

    Por fim, somente gostaria que soubessem que 30 mil hectares mais que muitas unidades de conservação juntas no RS!

    Além disto, a Federação Gaúcha de Caça e Tiro, por meio das taxas pagas pelos caçadores, financiava pesquisas, patrulhas ambientais, equipamentos e outros recursos necessários ao manejo da fauna e da conservação da natureza. Recursos estes que complementavam significativamente aqueles repassados pelo Estado e pela própria União (no caso do Ibama).

    Para quem não conheceu esta realidade espero que contribua para melhor reflexão sobre o assunto. Ou se duvidarem, o Uruguai e a Argentina são logo ali. Lá se pode atestar ao vivo esta realidade.

    Inté.

    Geraldo AS Filho

    • Obrigado, Geraldo, pelas palavras elogiosas.

      Precisamos acabar com ideologias e preconceitos, estudar muito, verificar o que deu e está dando certo em outros países, mas nunca desistir. A escassez de elementos técnicos realmente nos faz perder a paciência e a saúde, mas penso que o segredo seja nunca polemizar com ninguém (sempre vamos perder: a audácia dos ignorantes não tem limites).

      Por outro lado, acho que temos que dar nossa colaboração, por modesta que seja. Penso que SEMPRE devemos expor nossa vivência, nossa experiência, nosso conhecimento, tudo dentro de critérios racionais e científicos. É quase que um dever de cidadão que quer ver seu país e sua gente melhor.

  49. Boa sugestão, Alexandre. A pesca tem levado ao declínio inúmeras espécies de peixes por todo o mundo. Mesmo espécies marinhas estão com suas populações à beira de um colapso. Algumas espécies terrestes são altamente vulneráveis à caça, e centenas de estudos mostram que muitas espécies cinegéticas brasileiras podem ser manejadas em níveis sustentáveis.
    Manejo de fauna é ciência. É disso que o Dourojeanni está falando. E é uma estratégia de conservação altamente eficiente, como diversas experiências mostram.
    Vamos postar argumentos, ao invés de ataques às pessoas?

  50. Meus efusivos cumprimentos ao Prof. Marc Dourojeanni pelo excelente artigo. Contestou de forma inequívoca as falácias dos anti-caça com argumentos científicos e fatos comprovados em outros países. Infelizmente ideólogos de gabinete, por falta de argumentação, apelam para xingamentos, desvio do tema e mentiras desgastadas na vã tentativa de desqualificar o oponente. A tal nota de repúdio chegou até a tocar na questão do acesso as armas de fogo, assunto que apavora os emasculados e comunistas de plantão. Já que tocaram no assunto, o desarmamento civil foi um "sucesso" enorme, basta ver o que está acontecendo no Espírito Santo. Alias, comunistas não odeiam armas, eles odeiam armas nas mãos dos outros. Nas respostas as perguntas do Sr. Herbet, também cito algumas razões para a regulamentação da caça e os benefícios que esta atividade trará a conservação. Para que as coisas comecem a melhorar neste país, precisamos limpar as instituições do aparelhamento ideológico comunista, principalmente no meio ambiente. É indiscutível que essa nefasta ideologia só proporcionou retrocesso nos países onde se instalou. São pessoas que vivem do problema e se este for resolvido, perdem o emprego. Xô comunas.

  51. Parabéns, Sr. Marc Dourojeanni!
    A verdade sempre prevalecerá, mesmo que fique encoberta o tempo que for pela enxurrada ideológica.
    Que a ciência seja considerada e que a biodiversidade nativa possa ser conservada e bem utilizada, antes que o País inteiro seja desmatado para monoculturas de soja, milho e gado bovino.
    E que tenhamos que conhecer uma onça somente em reservas de caça na Argentina…

  52. Troca logo de nome de " OECO " para o " OCACADOR " . Nem um site de ruralistas ou madeireiros iria fazer isso tão bem .
    Parabéns . Perdendo completamente a credibilidade.

  53. Temos valores. ((o))eco é:

    Voz de quem não tem voz. Queremos dar voz a bichos e plantas, através daqueles que se interessam em protegê-los

    PERGUNTO . Como seria isso hein seu " OECO " ?? Com os bichos massacrados por caçadores ???

    • Isso tem nome. É uma patologia conhecida por "síndrome do bambi".

      Começou quando Walt Disney deu voz aos animais, e o filhotinho de veado, todo pintadinho de branco, com os olhos pingados (que fofura) chega para o irmãozinho igualzinho (que meigo) e diz: "Os caçadores malvados mataram mamãe"…

  54. Soberbamente, neste artigo o Marc Dourojeanni tenta nos convencer que a opinião dele é mais valiosa e mais correta do que o coletivo de 193 ONGs, técnicos e pesquisadores que assinaram o manifesto que ele tenta desqualificar. Então, acho que ele terá muito trabalho pela frente para tentar desqualificar os milhares de biólogos, técnicos e pesquisadores, representados por seu Conselho de Classe, conforme notícia abaixo:.

    O Conselho Federal de Biologia – CFBio enviou ofício nesta segunda-feira, dia 6 de fevereiro, ao presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, e ao presidente da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (CMADS), Luiz Lauro Filho, manifestando-se contrário à tramitação e aprovação do Projeto de Lei n° 6268/2016, que dispõe sobre a Política Nacional de Fauna.
    Leia mais em: http://cfbio.gov.br/artigos/CFBio-envia-oficio-a-

    A opinião pública também não se iludiu com a aberração técnica e jurídica que é o Projeto de Lei 6.268/2016, do deputado Colatto. Em apenas três enquetes/abaixo assinados já temos a significativa quantidade de 70.000 (setenta mil) pessoas que se manifestaram CONTRA o PL, sendo: 42.000 em abaixo assinado organizado pelo Change, 10.000 pelo Avaaz e 18.000 em enquete online promovida pelo vereador Matheus Mafepi. Cabe ressaltar que os abaixo-assinados do Change e do Avaaz continuam coletando adesões, então, em pouco tempo devemos ultrapassar as 100.000 (cem mil) assinaturas de cidadãos que são contrários à aprovação deste PL que estabelece a caça de animais silvestres no país.

  55. Há 14 horas atrás enviei um comentário que apresenta argumentos contrários ao artigo do Marc. Apareceu a mensagem de que "Seu comentário deve ser aprovado pelo administrador, antes de ir ao site". Até agora não apareceu!!! Está havendo censura no O ECO? Isto é, quem se manifesta contra a caça de animais silvestres, o PL 6.268/16 e o artigo do Marc, não merece ter seu comentário publicado?

  56. Boa sugestão, Alexandre. A pesca tem levado ao declínio inúmeras espécies de peixes por todo o mundo. Mesmo espécies marinhas estão com suas populações à beira de um colapso. Algumas espécies terrestes são altamente vulneráveis à caça, e centenas de estudos mostram que muitas espécies cinegéticas brasileiras podem ser manejadas em níveis sustentáveis. Sugiro também que coloquemos as ironias de lado neste debate importante.

  57. "A tal nota de repúdio chegou até a tocar na questão do acesso as armas de fogo, assunto que apavora os emasculados e comunistas de plantão" (José Luiz de Sanctis). Pessoal do OECO, na boa, eu acho que vocês deveriam interferir nesse debate, pelo risco de esse excelente site de Ecologia tornar-se uma bobagem dominada por caras desse tipo. Na boa.

    • PR.PR, estamos acompanhando a discussão, mas não nos cabe fazer censura prévia. Nos damos ao direito de retirar conteúdos com xingamentos ou que apresentem manifestação de pensamento machista, racista, homofóbico e qualquer outro contrário a boa convivência (Leia nossa política de comentário: https://www.oeco.org.br/politica-de-comentarios/). O diálogo está em alto nível. Continuem assim.

      • Valeu, Daniele. Mas esse comentário escapou da "racionalidade". Imagina se eu responder que os caçadores sublimam sua sexualidade atirando em leões, onças e elefantes, pra ter um prazer que eles não conseguem na cama? Mas eu jamais diria isso.

  58. Sousa Santos, porque ao invés de sugerir trocar o nome do site, não se constrói aqui um debate realmente proveitoso sobre manejo de fauna e conservação da natureza?

  59. "Emasculados" foi ótimo hehehe… Genial. Quem é contra a liberação de armas à vontade e contra matar animais por divertimento é… "emasculado". Sensacional hehehe… Parabéns. Está tudo explicado. Freud explica.

  60. "Um dos motivos pelo qual vários ecologistas, biólogos, veterinários e pesquisadores da área ambiental, estudiosos da fauna silvestre, são contra a caça esportiva, a caça amadora e comercial, é porque eles são emasculados, eles têm o o que o psicólogo Carlos Magalhães identificou como a Síndrome de Bambi, que foi criada pelo Walt Disney e leva o sujeito a ter dó de veadinhos filhotinhos pintadinhos de branco". Isso é Ciência pura.

  61. Pô, Absalão. Mas esse comentário foi demais, meu. "Comunistas emasculados"??!! O outro disse que "É pra ficar só os cachorreiros, marineiros, psolistas, veganos, etc??!! Esses são "comentários científicos"?
    Então rebata esse argumento verdadeiramente científico: "A redução das populações exploradas podem frequentemente levar à inviabilidade futura das populações exploradas por meio de diferentes mecanismos, como, por exemplo, pelo efeito Allee (Harris et al. 2013 Cons. Bio 27: 945-951)"
    Você sabe o que é "efeito Allee"?

    • no caso, corrija para populações MAL-EXPLORADAS! Manejo será baseado em ecologia de populações, dados demográficos, etc…ajustado conforme se obtem mais dados (manejo adaptativo). Ninguém aqui defende 'manejo nas coxas"!. O négocio é ciencia, não achismo

  62. O que se quer dizer aqui é que o tratamento dessa questão não tem a ver com racionalidade científica, mas com testosterona, macheza, ideologia política etc. Faz sentido? E a Ética? Onde ela entra? E o "Princípio da Precaução", um dos principais princípios que se DEVE levar em conta quando se faz qualquer modificação na legislação ambiental? E se a liberação da caça esportiva, amadora e comercial levar ao desaparecimento ou risco de desaparecimento da espécies? Os caçadores e simpatizantes vão dizer: "Pô, desculpaí, foi mal"?

  63. Fiquei mais animado um pouco com o numero de polegares para cima e para baixo nos comentários e respostas.

    Parece que a razão está prevalecendo.

    Que bom!

  64. Nas arenas romanas também era assim hehehe… O problema é que não rebatem as pesquisas científicas que eu apresento, só me xingam. Então eu fui de novo, mas olha lá, hein!, se precisar eu volto. Abraços a todos. Esse péssimo PL, do jeito que está, não passa; se passar, será repudiado pela sociedade brasileira que já se encontra evoluída pra não aceitar a perseguição aos veadinhos fofinhos pintadinhos de branco. E alguém, dos cientistas/ambientalistas/caçadores explica o que é "efeito Allee", por favor. Ah! E também não misturem política, sexualidade e caça, para o bem dos próprios caçadores. Valeu.

  65. "Exemplos de má gestão de reservas cinegéticas levando ao declínio populacional ou extinção local de espécies caçadas é mais regra do que exceção em todo o mundo, sugerindo uma alta probabilidade de replicação das experiências negativas em território nacional. (e.g. Lindsey, Roulet & Romañach 2007 Biol. Cons. 9: 283-291)" Publicado na Biology Conservation, prestigiada revista de publicação de pesquisas biológicas. Quem rebate? E aí? Só não valem pesquisas da Associação Americana do Rifle ou da Sociedade dos Caçadores do Texas.

    • Taí PR.PR

      http://cmsdata.iucn.org/downloads/iucn_informingd…. .

      Com destaque para:

      However, legal, well regulated trophy
      hunting programmes can – and do – play
      an important role in delivering benefits
      for both wildlife conservation and for
      the livelihoods and wellbeing of indigenous
      and local communities living with wildlife.

      E isto não é novidade pra você, isto já lhe foi apresentado aqui no site, assim como vários outros exemplos científicos.

      Aliás, em muitos momentos você repudiou exemplos científicos como argumento de que a caça pode e deve ser uma importante ferramenta de conservação da natureza.

      Mas me parece que agora você "encontrou" este artigo para valer-se deste argumento (antes repudiado) para continuar sua saga de incoerências e inverdades.

      Basta buscar aqui mesmo no site, para comprovar o que estou dizendo.

      Agora vou trabalhar.

      Inté

  66. Continua valendo a pesquisa que eu citei. "However, legal, well regulated trophy hunting programmes…" Sempre assim: bem regulado, bem fiscalizado etc. Ou seja, esses programas são exceções. Se assim não fosse, haveria uma profusão de animais usados como troféus que não estariam em listas de extinção. Nos locais (Zâmbia, Tanzânia, Quênia) onde existem "reservas de caça para troféu", a corrupção corre solta, como mostrou o caso do leão Cecil. E mais, a instalação de projetos dessa espécie no Brasil levaria ao ressurgimento de uma "cultura de caça" que é muito pequena por aqui. Pra finalizar, um apelo: deixem os animais em paz, deixem os animais viver. Tentem abandonar as armas de caça. Vai lhes fazer bem. Abraços.

  67. A cultura de caça não é pequena por aqui.

    Pode ser pequena em centros urbanos, entre os rurícolas é enorme.

    Toda e qualquer região do país se pratica caça, legal (javali e subsistência) e ilegalmente.

    Com exceção do caso do javali, todas prejudiciais por não serem regulamentadas.

    Não tem como ignorar esta realidade.

    Outra coisa, a grande maioria das espécies ameaçadas pelo mundo não tem a caça amadorista como causa.

    Pelo contrário, muitas tiveram suas populações recuperadas com seu manejo para caça. Principalmente as norte americanas.

    Agora veja bem, o agronegócio está prosperando rapidamente na África, isso sim vai prejudicar, e muito, a fauna local. Destruição de valiosos habitats em nome da produção agropecuária. E nossa Embrapa lá, apoiando, transferindo tecnologia… Anotem ai… matando muitas espécies e espécimes com a destruição destes habitats.

  68. Nada mais recompensador do que um jornal esquerdista reconhecer que o caçador é o maior conservacionista. Não havia como ser diferente, pois a verdade e os fatos se impõem de forma implacável sobre as falácias.
    Os anti-caça compõem-se de pessoas que ignoram o assunto e que tem a necessidade de pertencer a uma “tribo politicamente correta” qualquer, de ideólogos radicais e de desonestos que conhecem a verdade mas vivem do problema e, se resolvido este, perdem o emprego.
    Absolutamente verdadeiro!
    Este é o paradoxo da caça, raramente tão notável quanto os carneiros selvagens: Os caçadores são os mais importantes conservacionistas. Em 2013, uma licença em Montana foi vendida por US$ 480.000, ainda um recorde. Burns ajudou naquela caçada também, durante 18 dias no Upper Missouri River Breaks. O resultado foi um grande carneiro, e centenas de milhares de dólares que entraram no orçamento de Montana Fish, Wildlife & Parks.

    “É verdade que a caçada de carneiro é um esporte de homens ricos”, disse, Vance Corrigan, 84, que vive ao longo do Rio Yellowstone em Livingston, Montana, e é um dos caçadores de big-game mais bem sucedidos do mundo . "Mas se não fosse pelo homem rico, aqueles carneiros não estariam lá."
    https://www.nytimes.com/2017/02/16/sports/bighorn

  69. Esse PR.PR não só é emotivo , ele é um dos maiores mentirosos que eu já li e NÃO conhece nada sobre o assunto ! Ele não gosta de caçar e quer que ninguém cace ! Típico de esquerdopata ! Vá conhecer o mundo e verificar o quanto o manejo de fauna salvou diversas espécies animais no mundo ! O certo é o Brasil , na contra-mão das iniciativas da maioria do mundo ? Chega de mentiras , vamos utilizar o que funciona e dá certo !

  70. O artigo do Marc é um dos melhores que já li aqui e reflete totalmente a realidade no Brasil ! Com esses falsos ambientalistas como esse PR.PR é que cada vez as populações de animais estão diminuindo em nosso país ! Esse palhaço nunca fez uma fiscalização no Norte e viu barcos cheios de carne de caça , produto de caça comercial para abastecer os mercados de Manaus, Santarém ,Belém e outras cidades da Amazônia ! Se viu e não raciocinou, além de fanático é pouco inteligente ! Com a explosão populacional humana , se quisermos salvar alguma espécie animal temos que agregar valor econômico a ela ! Só os caçadores amadores amam os animais que caçam e querem gastar recursos financeiros para manter-los vivos e reproduzindo ! Chega de mentiras e de falso ambientalismo ! Vamos racionar um pouco e aprender com os países que deram certo em suas políticas ambientais !

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