Liberar a caça é também problema de segurança pública
Rafael Feltran-Barbieri
É pesquisador do Núcleo de Economia Agrícola e Ambiental (NEA) do Instituto de Economia da Unicamp.

Liberar a caça é também problema de segurança pública

Rafael Feltran-Barbieri
quinta-feira, 2 março 2017 0:26
javali
Javali. Foto: ICMBio.

Quando o Código Florestal de 1965 foi substituído em 2012 pela Lei de Proteção da Vegetação Nativa sob o argumento de que agora teríamos diretrizes mais claras para novos desmatamentos e restauração florestal, não se conteve a mensagem de que há sempre a possibilidade de mudar as regras no meio do jogo, em favor de quem deliberadamente usa a transgressão como estratégia. Não à toa, desde então, os desmatamentos vêm crescendo vertiginosamente, impulsionados pela expectativa da apropriação de nova poupança fundiária, corroborada pelas ações oficiais que enxergam que a harmonização dos conflitos e regularização especulativa poder é advir da dissolução de Terras Indígenas e redução das Unidades de Conservação.

Paisagens assim modeladas pela falta de planejamento territorial vão então se tornando cada vez mais fragmentadas pela pecuária extensiva, ou pela agricultura que protege os silos de grãos com cercas-vivas de eucalipto para amenizar o calor produzido pela imensidão devastada a sua volta. O mosaico árido resultante empurra onças furtivas a se arriscarem contra o gado para fugirem da inanição, e herbívoros igualmente famintos vão de encontro com as monoculturas tóxicas, por serem a única fonte de alimento que resta.

Nesse cenário forjado pelo oportunismo e acordos políticos ensimesmados, a solução para a intolerável presença da fauna refugiada dos desmatamentos é a liberação da caça, segundo o Projeto de Lei 6268/16. Pelo projeto, a erradicação das “pragas” ou seu controle populacional só poderia advir de um plano de manejo aprovado pelos órgãos ambientais. Mas a imprudência dessa proposta não pode ser levada a sério, se foi justamente a negligência e imperícia – para não falar da completa ausência ou incompetência – dos planos de manejo que criaram a situação de praguejamento das pastagens e lavouras. A fragilidade dos criadouros de javali e javaporco, espécies exóticas que figuram no cerne da discussão, ou o desequilíbrio populacional das capivaras são exemplos patentes.

Se a experiência recente dos efeitos provocados pela mudança do Código Florestal serve de guia, então pode-se esperar que a eventual aprovação da PL 6268/16 deverá trazer uma verdadeira hecatombe. Do argumento de que agora haverá regras claras não se conterá a mensagem de que a caça está liberada, ou se afrouxará no decorrer do tempo anistiando transgressores. Proibida desde 1967, e mesmo com a insuficiência de recursos financeiros e humanos, o Ibama registra em média 2 autos de infração de caça por dia. Pesquisadores dão conta de que o ato ilícito é muito maior. Apenas na região de Campinas, 3 onças-pardas monitoradas pelo Projeto Corredor das Onças, do ICMBio foram mortas em 2016, 2 delas alvejadas sob girais, enquanto a outra foi imobilizada na mata por laços preparados para caça de paca, e sucumbiu de sede, abandonada à própria sorte quando descoberta pelos caçadores que fugiram.

Cientes da inapelável proibição, outros não se intimidam em mostrar nas redes sociais os troféus de seu comportamento indecoroso, não apenas com as leis. Correram pelo país o abate de uma onça preta a remadas, esmagando-se o crânio do animal enquanto desguardado atravessava o rio junto com seu parceiro; as montarias sobre uma onça pintada agonizante em decorrência de tiros na barriga; e os couros de outras tantas estendidas em varais, com as carcaças girando no rolete. Isso se fazem com os animais mais destemidos. Não se pode imaginar o destino cruel reservado aos mais frágeis.

Efeitos extras

A eventual liberação não trará efeitos perversos somente à fauna, senão atingirá em cheio, como uma bala perdida, também nossas comunidades humanas

Oferecer a mera possibilidade do deboche petulante se sentir ainda mais à vontade em decorrência do afrouxamento da lei, ou, de fato, proporcionar o resguardo a uma maioria bem mais racional que simplesmente abateria prontamente o animal sob o argumento de prejuízo econômico, é dar um tiro no pé. Nenhuma regra rígida que regimente a caça será mais rígida que sua proibição, não havendo razão para se crer que o relaxamento seria, portanto, mais eficiente num ambiente carente de suporte técnico, orientação jurídica, fiscalização e monitoramento.

Pior. A eventual liberação não trará efeitos perversos somente à fauna, senão atingirá em cheio, como uma bala perdida, também nossas comunidades humanas. Boa parte da apreensão de armas de fogo que circulam ilegalmente nas ruas, mas principalmente no meio rural, vem de denúncias da prática ilegal de caça. Desde que a vizinhança cogite a possibilidade de uma permissão especial para abate de animais indesejáveis, a denúncia se tornará mais rara e a averiguação pelas autoridades também, de modo que se perderá de uma só vez o controle da caça e da circulação de armas não registradas.

Mas há sempre como piorar. Posta a PL 6268/16 haverá quem entenda a necessidade de se revisar o porte de arma, dando munição para quem quer relaxar o Estatuto do Desarmamento, como quer a PL 3722/12. E isso é tudo o que o país não precisa. Atualmente há no Brasil aproximadamente 16 milhões de armas de fogo, mais da metade ilegal, e quase 1 arma para cada 12 habitantes, 1 homicídio a cada 5 horas. O Mapa da Violência de 2016 dá conta de que nenhum lugar do planeta, nem sob guerra civil como na Síria, se mata tanta gente quanto aqui, sendo as principais zonas de emergência dos homicídios os municípios de fronteira, de turismo predatório e do arco do desmatamento, justamente onde as apreensões por caça são acima da média nacional. Por isso, proteger a fauna é também questão de segurança pública.

Da Vinci já decretara há 500 anos que haveria o dia em que o crime contra um animal seria considerado crime contra a humanidade. Talvez agora comece a fazer sentido para nós, porque a arma que mata um animal é a mesma que mata o ser humano. É a mesma que atravessa as fronteiras internacionais, as porteiras das fazendas, os bloqueios nas favelas, os muros de condomínios, os portões dos presídios e as grades das celas, onde tudo termina e recomeça, porque encarcerados, homens tratados como bichos tratam outros homens como outros homens tratam mal os bichos.

 

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74 comentários em “Liberar a caça é também problema de segurança pública”

    • Vc não sabe o q tá falando
      Te convido a vir na minha cidade e te mostro o q o javali tá causando aqui , depois de ver pessoalmente aposto q vc vai mudar sua opinião
      Não sou agricultor , mas sou pecuarista ,os danos q eles estão causando em nossa propriedade é exclusivo danos ambientais
      Tenho duas nascentes dentro dá fazenda ou melhor tinha ,tenho fotos delas antes do JAVALIS chegarem ,eu demorei cuidei muito bem delas pois é delas q vem a água q bebemos
      Hj elas estão acabadas o rego d'água q passava na prova dá sede vindo dessa nascente secou
      Então mais uma vez lhe convido a vir aqui e vc irá ver com seus próprios olhos o q essa praga causa a natureza

  1. Quanta bobagem! O Brasil tem uma quantidade mínima de armas legalizadas e aproximadamente 60.000 assassinatos. Então a solução é tirar a possibilidade de pessoas terem armas legalizadas e se defenderem? Quem quer matar mata com arma ilegal, faca, carro, pedra… Então vamos propor uma lei também para proibir a produção de facas, já que elas matam.
    Sugiro ao cidadão ler esse livro antes de sair com pseudociência: https://www.amazon.com.br/Mentiram-Para-Mim-Sobre
    Lembrando que quem é bandido não importará se existe proibição para comprar uma arma. Infelizmente o colunista está fazendo militância em cima de falácia! Típico de ambientalista tupiniquim, que não se contenta em só falar bobagem sobre o meio ambiente.

  2. Este texto é uma declaração de fraqueza mental para quem o assina e uma vergonha para quem autorizou a publicação de tremenda bobagem. O autor, que nem conhece o tal projeto de lei tampouco sabe sobre o que está escrevendo. A sua mente divaga do velho Código Florestal ao novo, passando pelo eucalipto e pelas onças mortas, pelos terroristas na Síria e a proliferação de armas e termina com Leonardo da Vinci que, segundo ele, era vegetariano. Bom que Oeco receba pontos de vista divergentes, mas deveria guardar um mínimo de qualidade no que publica. …. Outra coisa, Não sou especialista em porcos, mas, o bicho que aparece na fotografia nem parece javali… parece um porco selvagem africano. Esses ainda não chegaram ao país.

  3. Poucas vezes vi argumentos tão pobres e carentes de qualquer evidência do que os contidos neste texto. Se isso é ambientalismo, então, adeus ao meio ambiente. RIP

  4. Não entendi esses comentários contra o texto. Pessoal, o foco do texto é ser contra a caça, e não contra as armas. O brasileiro tem tendência real à oligofrenia.

    • Pelo jeito vc não é caçador de jumento, mas o próprio animal. Ele está claramente contra as armas. O brasileiro realmente não consegue interpretar um simples texto.

      • Ótimo, você reconhece que o brasileiro não sabe interpretar texto. Sinto meu ponto de vista atendido no seu comentário. Só para constar, onças, veados, tatus, capivaras, pacas e vários, vários outros serão abatidos pelos cidadãos de bem (aramados) que com certeza respeitarão a suposta nova lei de caça. Assim já ocorre com todas as leis ambientais no Brasil. Só para constar (2), eu trabalho na área e presencio diariamente os fatos apresentados no texto. Me parece que você gosta de armas e de caça. Sabe alguma coisa sobre ecologia de populacões? Área de vida? Espécies ameaçadas? Só para constar (3), espécies exóticas já podem ser abatidas com a legislação atual. Compre seu 38 e dê tiros à vontade, mas entenda a situação atual da conservação da biodiversidade brasileira.

        • Realmente, você falou bobagem no primeiro comentário e no segundo também. E não adianta vir com argumento autoridade pro meu lado, você pode conhecer de caça, mas de interpretação de texto passou longe. Releia o que escreveu. Você disse que o foco do texto é contra a caça e não as armas. Mas repare o título que fala de segurança pública e os três últimos parágrafos que só falam disso também. Ou seja, o autor quer pegar carona na caça para a sua ideologia desarmamentista.
          Ahh.. e também conheço ecologia de populações, área de vida, espécies ameaçadas etc, não é só você que é o onisciente.
          Sobre o 38, bem que eu queria ter um, mas o Estatuto do Desarmamento, que o colunista defendeu no texto, não deixa.

  5. Tu está tão fora dá realidade que na própria foto da matéria tem um javali africano… Vá estudar a espécie invasora aqui no Brasil (javali europeu) e vê o quão nefasto esse animal é ao nosso ecossistema, depois reescreva a tua matéria, porque tá feio

    • Esse é o nível dos "ambientalistas" do Brasil, não sabem nem o que é um javali europeu invasor, mas quer dar pitaco naquilo que não tem ideia…

  6. Rafael você precisa reler a lei de proteção à Fauna Lei 5197 de 1967 que só proibiu a caça comercial. A caça amadorísta foi permitida em vários estados por muitos anos. Esta Lei inclusive previa o estabelecimento de Parques de Caça. Que nunca foram estabelecidos pelo Poder Público. Rafael cada um tem sua posição, mas falar sobre uma leu sem conhece- lá e demais.

  7. Acho uma vergonha que OEco tenha censurado meu comentário que não era ofensivo. Apenas apontava ao erro de publicar uma nota tão confusa como esta, que nem faz serviço aos que estão contra a caça. Também anotava, como outro já mencionou, que a fotografia que ilustra o artigo está a altura da bobagem publlicada: Esse porco é um porco africano e não um javali.

    • Olá Romulo, seu comentário não foi censurado, ele ficou retido pelo software de filtragem de spam, uma necessidade absoluta em qualquer site. Vamos rever a foto. Nesse caso, a culpa é nossa e não do autor. Obrigado pelo alerta.

  8. Finalmente eu li um texto sensato falando desse projeto de lei tão absurdo. Parabéns, suas idéias foram muito coerentes. Bom saber que ainda restam profissionais que ainda não foram contaminados pela ambição e ganância.

  9. Parece que os defensores da caça não possuem inteligência mínima para captarem o cerne da questão, a qual nenhum consegue responder : Num país como o nosso, quem iria fiscalizar, com qual infra-estrutura ? Enquanto não conseguimos nem resolver questão fundiária em UCs, vamos direcionar enorme energia, tempo e dinheiro (e mesmo assim falhar) para que que uma minoria possa exercer seu hobby? O qual , aliás nem entro no mérito da caça esportiva em si, o qual já seria outra discussão. O que qualquer um com mínimo de inteligência e bom-senso sabe é que o resultado seria uma hetacombe para nossa fauna já combalida., multiplicando por muitas vezes as dificuldades de nossos agentes de fiscalização, já totalmente sobrecarregados em tudo. Gostaria de acrescentar que isto não tem nenhuma relação com a questão das armas para defesa, as quais sou plenamente favorável, Inclusive, se dependesse de mim, proibiria totalmente as espingardas de caça e liberaria para o cidadão sem antecedentes a compra de revolveres e pistolas, de qualquer calibre.

    • Meu caro, tenho pena de alguém tão distante da realidade, tire alguns dias de férias e vá vier, saia de trás do comutador dessa tua sala que certamente esta em uma capital de nossa nação. A caça legalizada e algo bom para o meio ambiente e para a economia, nosso sistema de controle de UC´s so e precário pq e desejo do governo que assim seja, vc sabe para onde vão os milhões arrecadados em multas ambientais todos os anos? se fossem investidos em proteção do meio ambiente teríamos um sistema funcional. A grande massa e manipulada por notícias sem um mínimo de realidade, misturar caça com armas inlegais, a primeira coisa para um caçador e o registro da arma. A Argentina possui caça regulamentada e seu bioma e muito mais preservado que o nosso, sabe porque? porque o caçador e um protetor, se não acredita tire umas férias e va ate um parque de caça. Grande abraço, tire um tempo e se informe melhor.

      • Os caçadores são bons protetores?Os leões da Africa que o digam…. Não misturei armas de caça com de defesa. Fiz justamente o contrário. Por favor procure ler mais atentamente. Um abraço (aliás conheço várias unidades de conservação brasileiras, não só a mesa de meu escritorio, como você coloca sem nenhum conhecimento da que fala).

  10. Este texto parece piada, ilario, escrito por quem vive de sonhos progressistas, longe da realidade é verdade, e tem gente que acredita nestas falácias ..

  11. Sou formado e pos graduado na área ambiental, ser contra a caça regulamentada e uma tremenda falta de conhecimento sobre o assunto. A única forma de se controlar espécies exóticas e pela caça, além de também podermos controlar espécies como a capivara que já não possui em quantia suficiente seu predador natural. Falar em posse de arma ilegal e outra aberração do autor, posse ilegal de arma sempre houve e cada dia haverá mais devido a proibição e dificuldade em se obter armas legais. Estudem antes de escreverem essas besteiras, quem e compra a caça e contra armas va viver alguns meses na Amazônia, e aos retardados que acham errado povoarmos aquela região vão a Manaus alguns dias e vejam a quantia de estrangeiros que já estão instalados naquela região estudando e roubando tudo o que podem.

    • Olá Jhoni, vivo em Manaus ha 24 anos e posso concordar contigo sobre caça e posse de arma (pra caça). A caça ilegal ou de subsistência é uma realidade na Amazônia, pro bem ou pro mal Qualquer um que visite qualquer sítio, fazenda ou comunidade na zona rural vai ouvir centenas de histórias de caçadas, das mais diversas, mas discordo quanto ao restante do seu comentário que me parece alarmista e xenófobo. Aliás, sempre se atribui às nossas mazelas uma origem estrangeira. Coisa de país sub desenvolvido e ignorante.

  12. Rafael, parabéns pelo texto. Ignore os caçadores que comentam aqui. Estamos contigo! Sem condições de liberar este absurdo sem tamanho. Onde já se viu IBAMA ou ICMBIO fiscalizando caçador? Sem condições. Esses caçadores que defendem este crime ambiental não estão nem aí para nossa fauna silvestre. Estes políticos "engajados" nesta PL vergonhosa, estão é interessados em receber uns trocados da industria armamentista e encher os próprios bolsos.
    NÃO A PL 6268/16.

      • Sua generalização é irritante. Vê se vai praticar seu esportizinho covarde e pare de falar asneiras. Comparar todos ambientalistas a "fumadores de maconha" é tipico de tipinhos como você.

      • Boa pergunta Thiago, quero ver algum ecologeiro responder. Como não o farão, respondo eu. Sim, toda população de animais em excesso destroi o meio ambiente e causa prejuízos à agropecuária, mesmo as nativas. O javali é pior ainda pois foi introduzido e sua erradicação é recomendada pela insuspeita ong ambientalista União Internacional para a Conservação da Natureza – UICN a qual elaborou uma lista com as cem piores espécies invasoras do planeta. Nela constam insetos e ratos, assim como o javali.

  13. O texto merece profunda reflexão. Mas impressionam mesmo, os comentários. A maneira com que as pessoas se autodenunciam é comovente, de uma mediocridade abaixo da infantil. Não é por menos que o Brasil ocupa a 59ª posição em leitura e interpretação de texto, num ranking com apenas 72 países. É o que atesta o Relatório PISA 2015, publicado em dezembro último, pela OCDE

    • Só de vc "refletir" sobre um amontoado de falácias e devaneios ideológicos como os presentes nesse texto já denota o nível de desenvolvimento educacional do brasileiro médio.

    • Exato Eduardo. Tento me conter com tamanha falta de argumentação técnica dos que defendem a caça, mas é impossível. Quanto aos argumentos "morais" esses são sofríveis, para não dizer medíocres – como a própria defesa deste PL.

  14. Entendo que é questão delicada, pois quanto mais o tempo passa pior fica. Porém, hipoteticamente falando: como explicar ao produtor que teve parte da lavoura destruída por esse animal e dizer para ele que não poderá combater o que está lhe dando causa ao prejuízo? E se for combater, terá um emaranhado burocrático pela frente, tornando quase impossível a tarefa.

    Ou, como proteger um parque ou reserva, que se encontra em processo de recuperação e que da noite para o dia foi "invadida" por este animal? Em um país que o poder público mais se assemelha a um paquiderme manco e cego, será tarefa quase impossível de se resolver.

    No meu ponto de vista a captura é inviável economicamente, a autarquia responsável por este trabalho não conta nem com o efetivo necessário para a fiscalização, imagine para prender "javali"?! Como resolver? Enquanto isso o animal está se reproduzindo, reproduzindo, reproduzindo…

    Ademais, faço um adendo, no sentido que apresente as fontes de suas citações. Veja, também, o número de mortes por armas de fogo dez anos antes da Lei 10.826 e veja o progresso até os dias atuais. Após a consecução deste dados verás uma dura e cruel realidade.

      • Essa doeu. Esse papo de "eles estão aqui muito antes de nós", "nós é que invadimos o espaço deles", é horroroso e gosmento. Daí a dizer que acredita em duendes é um pulinho.

        Próprio de quem desconhece totalmente o assunto, ou é mesmo mal intencionado.

  15. Pra início de conversa sou ambientalista e ex-caçador (há pelo menos 30 anos). Talvez por isso eu consiga perceber "o outro lado".
    A questão da caça é complexa realmente, mas o texto me pareceu parcial, ideológico e não ajuda em questões práticas. Vamos por partes:
    1) Nossa espécie há milênios caçou pra sobreviver e pra procriar (os melhores caçadores obtinham status no grupo e, consequemente, acesso às fêmeas) imprimindo os seus genes.
    2) Evolutivamente o homem não-caçador é um fenômeno recente, coisa de uma centena de anos, consequência da urbanização recente.
    3) A caça é sim, um dos meios de controle de espécies exóticas e/ou pragas.
    4) Misturar arma de caça com índices de violência é uma ingenuidade ou uma "malandragem" científica pra tentar reforçar seu argumento. Salvo engano, a esmagadora maioria das armas envolvidas em crimes violentos são revólveres e pistolas, armas inadequadas para a caça.
    5) Temos problemas sim em fiscalizar e fazer valer a lei. Isso é histórico no Brasil. A caça na minha região (Manaus) é pratica sistemática e generalizada na zona rural (parte dela pra subsistência). Não creio que seja diferente em toda a Amazônia. Pra mim chega a ser hipocrisia defender o status quo: uma lei que na prática não funciona.
    6) Sobre a questão de agricultores que tem a sua lavoura destruída por javalis, pombas-de-bando, pombões, capivaras…você não dá alternativa. Sem falar no risco de vida, nos casos do javali.
    7) posso estar enganado, mas creio que uma fazenda de caça (sem entrar no mérito filosófico) protege mais a a biodiversidade e a natureza do que uma fazenda de soja ou outra monocultura, não?

    Sei dos riscos de uma "legalização" mas a caça ilegal é uma realidade e a questão deve ser debatida com argumentos de todos os lados envolvidos, de forma imparcial e pragmática. De outra forma continuamos a ver essa luta do "bem" contra o "mal", situação em que todos perdemos.

  16. 1. A caça amadora não foi "proibida desde 1967". O artigo 6º da Lei nº 5.197, de 3 de janeiro de 1967, determina que o poder público “estimulará a formação e o funcionamento de clubes e sociedades amadoristas de caça e de tiro ao voo objetivando alcançar o espírito associativista para a prática desse esporte”. Tivemos no Brasil temporadas de caça amadora regulamentada até a ultima, em 2002, no RS que, naquele ano, autorizou a caça de algumas espécies: Nothura maculosa (perdiz), Dendrocygna viduata (marreca-piadeira), Lepus capensis (lebre europeia), Columba picazuro (pombão), Zenaida auriculata (pomba-de-bando), Myiopsitta monachus (caturrita) e Agelaius ruficapillus (Garibaldi). Em 2008, houve novamente a proibição da caça no Rio Grande do Sul por meio de uma decisão judicial movida pela Associação Civil União pela Vida (TRF, 2008).

    2. Maltratar e matar animais com armadilhas de laço ou matar onças com remos NÃO É CAÇADA, mas sim crime que tem que ser combatido severamente.

    3. Os dois últimos parágrafos enriqueceriam muito a matéria se não existissem. É quase que sem comentários. O autor acha que as armas no Brasil são muitas (1 para 12 habitantes) e por isso se mata muito. Nos EUA, com 1,2 armas por habitante, deveria ser uma mortandade ímpar. E na Suíça, então? São pouco mais de 2 armas por habitante… É um viés torto, ideológico, de uma militância ultrapassada e rançosa. Ou muita ingenuidade e falta de conhecimento.

    • Mas "eles", os eco-chatos, sempre misturam barbaridades como essa da remada na onça com caça manejada…misturam pra confundir e manipular emoções, são desleais no debate

      • É isso, Gisele. E ainda contam com o apoio de ONG's financiadas pelo governo brasileiro, por governos estrangeiros (Ford Foundation, p. ex.), por investidores também de fora (George Soros, p. ex.), Viva Rio, Sou da Paz, et caterva.

        E apoiados por uma mídia barulhenta, absurdamente ignorante quando não muito mal intencionada, e por uma imprensa patrulhadora, no mais das vezes militante (Globo, etc.).

        A verdade é que sem essa manipulação e sem esse barulho essa gente perde o emprego…

  17. Rafael, parabéns pelo texto. Desconsidere as críticas, elas reforçam que está no caminho certo. Seus argumentos demonstram o seu conhecimento técnico e compromisso com a ciência e a conservação da natureza. Sabemos que para alguns, a defesa deste PL é uma oportunidade comercial e política, sem qualquer compromisso ético e moral com as futuras gerações. Recomendo aos que defendem o PL que leiam o livro do Marc J. Dourojeanni & Maria Tereza Jorge Pádua – BIODIVERSIDADE A HORA DECISIVA. Editora UFPR, 2001, que tratam com precisão cirúrgica os efeitos da caça sobre a biodiversidade de nosso país.

  18. A matéria já está publicada a cinco dias e pela quantidade de polegares virados para cima e virados para baixo ao lado de comentários e respostas dá alguma esperança ao bom senso e à inteligência.

  19. pensei que esse site era serio e não mais um dos frequentados pela grande maioria de sensacionalistas que nasceram e morreram dentro de apartamentos confortáveis sem ter ideia dos limites de nossa grande nação. Na matéria não existem dados técnicos, e o que e isso um cientista da área ambiental tratando de segurança publica????? não tem como dar credibilidade para um fato destes

  20. O autor assim como todo anti-caça e anti-armas mede o seu semelhante com a própria régua. Nos países onde a caça foi regulamentada há décadas e em alguns há séculos, hoje há mais animais do que antes, pois o caçador financia a conservação com o pagamento de licenças, compra de produtos dos quais parte do valor são destinadas a conservação e assim por diante numa crescente bola de neve em favor da natureza. São fatos incotestáveis. Quanto ao acesso as armas, esse sempre foi um dos grandes motivos da não regulamentação da atividade no Brasil, pois os órgãos ambientais estão infestados por esquerdistas anti-caça e anti-armas, além do mais é uma política de estado totalitário desarmar o cidadão de bem. Jogar na vala comum dos criminosos o cidadão que quer ter uma arma LEGALIZADA para defesa ou para a caça é medir os semelhantes com a própria régua, basear-se por si para julgar os outros. O desarmamento civil só favorece criminosos e tiranos, o resto são falácias – como as deste artigo – para enganar os incautos. Aliás, mentiras essas que foram rechaçadas por 64% da população no referendo das armas em 2005.

  21. Quanto ao apelativo argumento referente a onça preta morta a remadas, este absurdo foi praticado por índios. Quero ver algum ecochato criticar o modo "tradicional e a cultura" indígena. Não estavam usando tangas nem arco e flecha e sim roupas, barco e motor fabricados por homens "incivilizados". Que coisa estranha essa preservação da cultura indígena, não é mesmo? Quanto ao comentário do Sr. Carlos L. Magalhães, este foi ao cerne da questão ao afirmar que essa gente vive do problema (ambientalistas e anti-armas) e se este for resolvido, perdem o emprego.

  22. Um grande pensador do século passado disse:

    "Impressionante como a intelectualidade não se curva à realidade".

    Para desmontar esses argumentos todos basta verificar como a atividade de caça regulamentada, praticada em quase todos os países do mundo, de qualquer nível de desenvolvimento, população, tamanho e ideário político NÃO prejudicou a fauna, a conservação e a preservação dos recursos naturais.

    Ainda, basta comparar os índices de criminalidade e mortes violentas nesses países com os do Brasil para ver (claro, se houver honestidade intelctual e não viés ideológico) como o número de armas em mãos civis não tem relação com a criminalidade. Seria no entanto pedir muito….

    Att

  23. O autor confunde caça legal com caça ilegal (poacher). O caçador esportivo respeita as leis de preservação e constituem uma grande fonte de receita para as reservas ambientais de inúmeros países (inclusive Cuba). Caçador esportivo não caça com armadilhas nem mata onça com pauladas na cabeça. A caça esportiva não é a solução para o controle do javali em nosso país, mas ´será um grande auxílio.

    • Prezado Leonardo Arruda, a confusão é proposital para jogar todas na vala comum da criminalidade, assim como o fazem com proprietários legais de armas mas não escrevem uma linha sobre o contrabando e as fronteiras abertas.

  24. O comentário do Sr. José Luiz de Sanctis é tão leviano quanto seria afirmar que se liberassem as armas se resolveriam os problemas, dispensando a polícia, porque cidadãos solucionariam seus problemas privados atirando uns nos outros, segundo suas próprias justificativas, medidas cada qual com suas próprias réguas. Ou que a mera liberação da caça traria a disciplina, revolucionando a estrutura de fiscalização existente. O PL prevê que 30% do lucro seria destinado à proteção ambiental, mas não detalha como seriam apurados esses lucros. Alguém crê que o montante arrecado seria suficiente para compensar o prejuízo ambiental? Aliás, o investimento necessário para se implantar uma reserva de caça com plano de manejo sério é tão alto (veja os dados na EPA americana) que não seria de se admirar que se tornariam inviáveis, apuração infelizmente que viria à tona depois de exterminada a fauna destinada ao hobby.

    • Eduardo de Tal, você não leu o que escrevi, deturpa meu texto de acordo com as conveniências de seu redicalismo ideológico. Essa é a caracteristica inata de todo esquerdista; xingue do que você é, acuse-o do que você faz..

  25. Ricardo Freire, os hospitais agradecem o Estatuto do Desarmamento. Diminuíram muito os acidentes causados por armas de fogo. De cada 10 assaltos em que o assaltado porta uma arma, 4 morrem. De cada dez assaltos em que o assaltado NÃO porta uma arma, um morre. Os animais caçados "esportivamente" no mundo estão todos em extinção, negando a falácia de que a caça esportiva ajuda a aumentar a população deles. Essa é a verdade. Simples assim. Abaixo as armas! Abaixo a caça! valeu, pessoal.

    • Já não bastam as bobagens sobre meio ambiente….O que vc falou sobre as armas não tem sustentação científica NENHUMA. Não é vc que gosta de buscar os artigos pra comprovar o que vc fala? Vc tem que ser chamado pelo que vc é: um mentiroso crônico!

    • Com mais de 60.000 mortes por anos ele acha que o estatuto do desarmamento das vítimas está funcionando. Só pode ser membro do sou da paz e do viva rio.

  26. Muito bom o texto e muito bom o comentário do Eduardo. É como eu digo: o Estado, que tem as costas mais largas do que o Rio Amazonas, terá de arrumar mais um espaço pra ordenar, fiscalizar, controlar e punir a diversão de meia dúzia de 3 ou 4. E o Estatuto do Desarmamento mitigou a mortandade de gente no Brasil. A violência, as mortes por armas de fogo, ainda são altas no nosso país, mas seriam MUITO MAIORES se não fosse o Estatuto. Isso é provado por A mais B em centenas de pesquisas. Mas o lobby falacioso das armas e da caça mente descaradamente. Pior, tem gente que acredita. Bom dia, pessoal.

    • Os homicídios no Brasil estão aumentando mesmo com o Estatuto do Desarmamento. O pior é vc afirmar que as suas bobagens são provadas por centenas de pesquisas, para tentar dar uma legitimidade da MENTIRA que vc falou, mas, logicamente, não apresenta nenhuma.
      Realmente, vc tem problemas para discutir fatos contrários à sua ideologia. Vc quer enfiar guela abaixo com textos autoritários e desconexos.

  27. É o raciocínio genial: pra ajudar a manter populações de animais e salvar espécies da extinção (tipo o leão), vamos liberar a caça deles; pra diminuir a violência e a morte por armas de fogo, vamos liberar o porte de armas de fogo. Ah, e também vamos ensinar nas escolas que 2 mais 2 é 353.

  28. "Nenhuma regra rígida que regimente a caça será mais rígida que sua proibição, não havendo razão para se crer que o relaxamento seria, portanto, mais eficiente num ambiente carente de suporte técnico, orientação jurídica, fiscalização e monitoramento." Muito bom. Parabéns, Rafael Feltran, colocando racionalidade e fatos nesse debate dominado pela "paixão mórbida" dos caçadores. Querem atirar num animal só pra ver ele morrer, vão pra África, pros EUA etc. Aqui no Brasil, isso é crime.

  29. Vá lá, dar um tiro numa paca pra comê-la, tudo bem. Mas isso já está previsto na LCA, no nosso ordenamento jurídico. Inclusive faz um sentido "ecológico". Mas desde que haja necessidade. Quando se impede um animal silvestre de continuar existindo somente por diversão, por prazer, isso é antiético, na sua essência. "Eu não preciso matar, nem pra comer, nem pra me defender, mas eu vou matar por prazer, pra me divertir". Eis.
    E é evidente que não haverá "controle". Por exemplo, atualmente há grupos de caçadores de javalis que matam, legalmente, os machos e fêmeas de um grupo grande, em MG. Depois pegam os filhotes e soltam no norte da BA pra poder haver caça lá também. Cadê o ambientalismo nisso? Vai ser o Estado que vai ter de ficar controlando essa coisa errada? Uma coisa é a teoria, outra é a realidade.

  30. Porque que tu não te levanta dessa forma contra os bandidos e traficantes que ostentam armas por aí, e não só isso, matam e roubam pessoas todos o dias e tu diz que o culpado é o caçador…poupe-me da sua inteligência.

  31. Evidente que em um país totalmente desgovernado como o nosso está não deveria nem se cogitar liberar a caça. A amostra do que já vem ocorrendo com matanças indiscriminadas de outras espécies que não só a do javali já é suficiente para sabermos que não existe a menor possibilidade do quanto isso seria perigoso.
    Concordo plenamente com o autor. A questão é de segurança pública sim.

  32. Cansaço… Mais uma boa oportunidade perdida e nNão é a toa que o ambientalismo brasileiro rasteja, pois insiste em seguir uma agenda ideológica e não técnica, tendo sido complacente com governos que nos ultimos 13 anos, em nome da manutenção do poder, conduziu a farra das hidreletricas na Amazonia para financiar campanhas, concordou com o desmonte do IBAMA e em seguida do Código Florestal em nome da fidelidade da bancada Ruralista, com direito a presidente da CNA como ministra da Agricultura, quase irmã da presidenta….

    Com 60.000 mortos anuais, onde a campanha do desarmamento, que entre outros parceiros foi vitoriosamente conduzida pelo Viva Rio na Venezuela, só garantiu que a bandidagem tivesse certeza de que o cidadão estaria desarmado. Relacionar a liberação de caça com aumento de homicidios é de uma desonestidade única, ppmente quando se considera que a maioria dos paises sem o desarmamento possuem indices mais baixos de homicidios que o Brasil.

    O fato é que a caça necessariamente deverá ser controlada, pois a defaunação atual existe pelo mesmo motivo que a bandidagem prospera, a certeza que esta paralisia ideologica impede o avanço da legislação reguladora. Não adianta torcer para a porta continuar fechada se as janelas permanecem aberta.

    A caça e a erossão da biodiversidade deve se rtratada mais seriamente do que manifestos politicamente corretos.

  33. Excelente análise. Pena que o pequeno produtor não saiba que a liberação da caça irá lhe trazer maior insegurança no campo. Faz sentido quando este mesmo homem do campo nos diz que "eles entram na minha fazendinha com camionetes iluminadas", "cheia de caçadores na carroceria" e que "soltam seus cachorros" e que "matam tudo que se movimenta na sua frente." "Vou reclamar pra quem?"

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