Yara de Melo Barros
Bióloga, doutora em Zoologia, Diretora Técnica do Parque das Aves e editora do Papo de Zoo

Elefantes no Cerrado, um equívoco

Yara de Melo Barros
segunda-feira, 7 novembro 2016 22:22
Elefante no zoológico de San Diego, Califórnia. Foto: Wikimedia
Elefante no zoológico de San Diego, Califórnia. Foto: Wikimedia

Quem acessar o site do Santuário de Elefantes Brasil vai descobrir que eles criaram, em uma área de Cerrado, no Mato Grosso, um “santuário” para receber elefantes da América Latina. Tem sido difundida a ideia de que neste local os elefantes estarão “em liberdade”. O site da instituição menciona que mesmo bons zoos “não são uma opção viável” para elefantes. A justificativa seria que as limitações de “espaço e capacidade” impactam a qualidade de vida dos elefantes.

A informação é equivocada. Bons zoos podem sim manter elefantes com excelente qualidade de vida. O espaço é só uma das variáveis que influenciam a qualidade de vida dos elefantes. Também precisam ser avaliados alojamento, cuidado, saúde física, interações com humanos, genética e história de vida.

Na verdade, há um estudo abrangente e pioneiro sobre bem-estar de elefantes em zoos realizado pela Universidade da Califórnia, que envolveu 255 elefantes em 70 zoos, e uma equipe de 5 especialistas em manejo de elefantes e 19 cientistas (além de pesquisadores, consultores, estudantes e técnicos). Este estudo visou entender os fatores que influenciam o bem-estar dos elefantes. Com base nos resultados, bons zoos podem agir para melhorar a vida dos animais sob seus cuidados. Os resultados desta pesquisa indicaram que as interações sociais e as oportunidades de interagir com seu ambiente podem ser mais importantes para o bem-estar de elefantes do que espaço.

Sempre reforço: o que faz realmente a diferença para os animais mantidos sob cuidados humanos é a excelência no manejo, e não a ausência de público ou o nome que é dado ao local (a eterna discussão sobre zoos x santuários).

Aliás, a ideia de ter elefantes caminhando livres e felizes pelo Cerrado é ingênua: elefantes precisam de cuidados constantes, independente do tamanho do recinto. E por constantes, leia-se diários. Bons zoos têm que fornecer cuidados diários: cada animal deve ser checado, treinado e receber cuidados nas patas. Para que isso seja feito, são necessárias sessões diárias de treinamento e condicionamento. Uma vez sob cuidados humanos, devem ser examinados diariamente.

“(…) o que faz realmente a diferença para os animais mantidos sob cuidados humanos é a excelência no manejo, e não a ausência de público ou o nome que é dado ao local.”

No Brasil, os zoos que mantém elefantes receberam treinamento sobre seu manejo em um workshop intensivo que foi ministrado por Frank Carlos Camacho, CEO do Africam Safari no México e presidente da International Elephant Foundation. Agora cabe a cada instituição aplicar o que foi ensinado e melhorar a vida dos animais sob seus cuidados.

Instituições que não tenham excelência no manejo e recursos para investir no manejo apropriado de elefantes e não possam fornecer um alto grau de bem-estar devem fazer a opção responsável de não manter estes animais. Isso vale inclusive para este mantenedouro no Cerrado.

Considerando que aparentemente a instituição vai sobreviver de doações, eu me pergunto o que acontecerá com os animais nos meses em que, digamos, as doações não aparecerem? Como a estrutura necessária (veterinários, biólogos, tratadores, alimentação, medicamentos, etc..) será mantida?

Vejo com muito, digamos…ceticismo…a criação de um mantenedouro de elefantes que começa dando declarações equivocadas. Em um programa do CQC que foi ao ar há algum tempo, a bióloga responsável nos brindou com várias pérolas. Uma delas foi que “quando você coloca um animal em cativeiro ele deixa de ser um animal, afinal, ele não escolheu estar ali, e não pode escolher o que vai comer”. Devemos supor então que os elefantes habitantes do “santuário” deixam de ser animais quando chegarem ao local? Ou eles escolheram ir para lá? Eles é que vão definir a própria dieta?

Creio que passou da hora de abandonar o discurso surreal de que “santuário” não é cativeiro. O discurso deste mantenedouro também coloca zoos e circos “no mesmo saco”, o que além de apelativo, é inverídico. Na entrevista, a bióloga disse que os zoos têm mais mortes do que nascimentos e que em zoos animais vivem menos. Na posição de cientista, ela deveria ter à mão dados que comprovem estas estatísticas, e mostrar a fonte, já que, em geral, em zoos animais têm vida mais longa do que na natureza, pois não correm risco de fome e têm as doenças tratadas.

À época da entrevista, a instituição fez uma vaquinha para arrecadar módicos 350 mil (Foram arrecadados cerca de 67 mil). Além do custo de manutenção, há o custo altíssimo de deslocar animais de outros países para o mantenedouro.

Como ajudar os elefantes

A população de elefantes na África apresentou uma queda de 20% em 9 anos, segundo a IUCN, e lá são mortos cerca de 96 elefantes diariamente. É morto um elefante a cada 15 minutos. Elefantes asiáticos e africanos ainda sofrem com a pressão dos conflitos com populações humanas e muitos são mortos.

São necessárias ações urgentes para que elefantes não sejam extintos, e muitos zoos no mundo todo estão trabalhando ativamente para salvar estas espécies.

O contundente documentário “The Ivory Game” (disponível no Netflix com o título “O Extermínio do Marfim”, mostra o tamanho do problema que é o comércio ilegal de marfim. Sem a proibição total do comércio legal de marfim, ele vai seguir servindo para “esquentar” marfim ilegal e fomentar mortes e sofrimento. Os Estados Unidos proibiram este ano o comércio de marfim em seu território, mas a China, maior mercado consumidor, ainda não estabeleceu data para a proibição.

A United for Wildlife criou uma campanha, a #WorthMoreAlive (vale mais vivo) para fazer pressão pelo banimento do mercado legal de marfim. Em menos de 10 dias acontecerá a Conferencia de Hanói sobre o Comércio Ilegal de Vida Selvagem, e a campanha quer espalhar a mensagem de conservação dos elefantes e fazer pressão para a proibição do comércio de marfim. É bem bacana, e para participar é só clicar no link, escolher sua foto e se juntar à “manada”. Enquanto o comércio de marfim não for banido, é preciso proteger os elefantes investindo forte em proteção, fiscalização e iniciativas, tais como cercas, que minimizem o conflito com populações humanas.

Esta é a forma de investimento de recursos que realmente vai fazer diferença para a conservação de elefantes, e muitos zoos no mundo todo investem recursos para sua conservação na natureza.

Um exemplo aqui na América Latina é o já citado Africam Safari. Eles equipam com GPS, coletes à prova de balas e outros equipamentos os guarda-parques que lutam contra caçadores furtivos na África do Sul. A equipe do Africam já passou várias noites escondida entre os espinhos africanos, em operações de repressão à caça de elefantes e rinocerontes. Além disso, trabalham ativamente na Ásia para ensinar os mahouts (montadores de elefantes) a abandonarem técnicas cruéis de treinamento e substituí-las por técnicas de condicionamento operante, que além de não maltratar os elefantes, são prazerosas e estimulantes para os animais. Centenas de mahouts já foram treinados…isso significa que centenas de elefantes tiveram sua vida melhorada graças à ação efetiva de um zoo.

Quanto ao Santuário de Elefantes Brasil, A escolha do local para a construção do mantenedouro de elefantes foi equivocada: 1.100 hectares de cerrado, um bioma ameaçado e não adaptado à presença deste tipo de animal. O mantenedouro está a cerca de 40 Km do Parque Nacional da Chapada dos Guimarães. O estrago que será feito nesta área é inevitável.

De acordo com o ICMBio, ” o Cerrado é o bioma com a menor porcentagem de áreas sob proteção integral. Apenas 8,21% da área total do seu território é legalmente protegida com unidades de conservação; uma das razões que fazem do Cerrado o bioma brasileiro que mais sofreu alterações com a ação humana. Atualmente a área conta com uma intensa exploração predatória: inúmeros animais e plantas correm risco de extinção e estima-se que 20% das espécies nativas e endêmicas da região já não ocorram em áreas protegidas”.

Para as espécies ameaçadas de plantas e animais do Cerrado, cada hectare conta. E poderia ser usado para salvar espécies locais que, não sendo midiáticas, não conseguem dinheiro em vaquinhas digitais.

 

 

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47 comentários em “Elefantes no Cerrado, um equívoco”

    • Faltou na aula de Paleontologia, América do Sul tinha Mastodontes no Holoceno e 99% dos cientistas apoiam que os homens foram os responsáveis pela sua extinção.

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  1. Parabéns para a autora do artigo, a Yara.

    Foi muito coerente e de bom senso ao analisar esse equívoco que venho combatendo a tempos, desde que fui consultado sobre o assunto.

    Abordou claramente o que deveria ter sido analisado pelo órgão competente que autorizou esse absurdo santuário, em pleno cerrado ameaçado.

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  2. Com todo respeito à autora, primeiro gostaria de saber o que fazer com elefantes provenientes de circo, completamente traumatizados, que é o caso dos animais que estão indo para o santuário. Os zoológicos do Brasil teriam condições de recebê-los com todo tratamento que merecem? sabemos que não. A segunda questão é que a área do santuário está sim no bioma Cerrado, mas possui áreas degradadas onde estão os recintos. Ou seja, nenhum desmatamento foi provocado. Estar a 40 km do Parna Chapada dos Veadeiros não significa nada, qual o impacto verdadeiro que a autora não citou? Sobre a sustentabilidade dos santuários concordo plenamente, pois temos péssimos exemplos no Brasil, lembrando que a categoria "santuário" nem existe na nossa legislação. Gostaria de ver a mesma preocupação com o Bioma Cerrado com o impacto que a pecuária causa, sabia que tem fazendas coladas na cerca do Parque? alguém está preocupado com isso?

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  3. Desculpem, mas esse artigo é muita hipótese e pouca realidade.

    Os elefantes levados ao santuário não tinham a opção de ir para um "bom zoo". Estavam acorrentados dia e noite havia anos num sítio em Minas, e nenhum zoo se interessou por eles. Era o santuário ou correntes perpétuas.

    A área está no bioma Cerrado. Muito bem. E o Zoo de São Paulo, o melhor do Brasil, está na Mata Atlantica, com cidade e tudo. E daí? Ninguem está soltando elefantes no Cerrado. O santuário tinha que estar em algum lugar. Qual era a opção real para a área? Gado, soja? Certamente não ia virar uma unidade de conservação de bioma nativo.

    De fato, gastaram muito dinheiro. Poderia ter sido gasto equipando guarda-parques na Africa. O mesmo se aplica ao dinheiro gasto por zoos para manter animais em cativeiro. O orçamento de qualquer zoo americano mediano é maior do que o da maioria dos parques nacionais da Africa. Mas uma coisa não substitui a outra, certo?

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    • Concordo plenamente com você, o cerrado não é ameacado poe meia duzia de elefantes que estavam juduados, nem meia duzia são coitados. Acontece que as pessoas ganham dinheiro explorando estes animais. Quem cuida do santuario é Voices aelephabt e Global Santuary que são respeitadissimos no mundo, vakinha que ela falou é fo Brasil mas o grosso dinheiro vem de fora (excelente injeção de milhares de dolares no oais todo anoe e bom p economia do local) sem ter que fazer elefante sofrer. Santuario não é zoo, é sempre maior e com equipe voltada para os cuidados, como um Parque Ecologico, creio que como biologa tem q se infoemar mais.

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  4. Em vez de "santuário" (criaram um nome pomposo para isso), ficaria mais prático e econômico devolver estes "monstrengos" para suas terras de origem, onde, com certeza, terão melhor qualidade de vida. Assim preservaríamos nossa flora e fauna de Cerrado.
    Ou então a ideia dos idealizadores é, no futuro, faturar realizando ali safaris da mesma forma que ocorre na África.

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  5. Pontos para o pensamento.
    O artigo faz parte das opiniões . Quanto mais temas e contra temas, melhor, para todos e tudo.
    Santuários nascem, por algum motivo. Outros setores estão falhando.
    Zoos são bons por vário motivos, mas manter bichos nos setores extras, deixando-os muitas vezes perecendo de velhice, é um GRANDE desperdício e ilógico a estas espécies e aos seus biomas.
    Órgãos reguladores (Ibama e Icmbio), dificultam ao máximo as reintroduções, translocações ( ou outro conceito que queiram) das nossas espécies aos seus biomas desfaunados de nos biomas brasileiros.
    Vale pesquisar, como o bioma cerrado vai se comportar com a vinda destes paquidermes. Vale verificar o comportamento do solo, da vida do solo, da flora e a fauna que compartilharam este bioma.
    No mas abraços a todos.

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  6. Quem nos dera alguém montasse um santuário para os bichos enjaulados no Zoo do Rio, aquele vergonhoso bestiário medieval… eu daria dinheiro.

    Quem nos dera que os zoos do Brasil tivessem coragem de exibir só, ou ao menos principalmente, fauna nativa, ao invés de cismar em manter elefantes e tigres enquanto nossos bichos apreendidos e atropelados minguam nos CETAS por falta de institutição que os possa acomodar…

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  7. É altamente reprovável "introduzir" elefantes no cerrado!!!! Isso é mais do que óbvio!
    E não defendo os "santuários" a qualquer custo! Existem instituições… e instituições!!!
    Mas a matéria é claramente e novamente tendenciosa para a "beatificação" dos zoológicos!
    Com as informações fornecidas, não me parece se tratar de introdução de elefantes no cerrado, e sim levar animais, que com certeza os zoos não receberiam, para alguma área delimitada, que será no cerrado! E tá escrito em algum lugar que não terão assistência???
    E ainda apela para a questão da necessidade de preservação do cerrado, que é inquestionável!!! Vamos propor então, cem certeza a criação de muitas mais UCs no cerrado! E não misturar os assuntos que aquele pedacinho ali deveria ser outra coisa. E a questão é: essa mesma área é legalmente protegida? Poderia ser convertida em outra coisa? Se sim, por favor, né minha gente!
    Matérias menos tendenciosas!!!!

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  8. Acompanhei toda a história de Maia e Guida – as duas "elefantas" que, após desativado o circo que as escravizava, ficaram 5 anos acorrentadas em um minusculo espaço aguardando quem as quisesse receber. Nunca deixei de me comover com essa historia, e vi com muita alegria que iam finalmente encontrar um lar onde ficariam livres das correntes. Infelizmente, pelo que entendo do artigo da Iara, a biologa responsavel pelo projeto deu uma entrevista infeliz, tentando fazer comparaçōes entre o "santuário" e o " zoológico", enaltecendo o primeiro em detrimento do segundo. Acho que uma coisa não tem nada a ver com a outra, e no caso específico de Maia e Guida nada disso se aplica, pois não havia a opção de um zoológico: nenhum as pleiteava. O que a biologa fez, isso sim, foi pisar gratuitamente nos calos dos especialistss em zoológicos, que, como a Iara, se sentiram compelifos se manifestar em defesa dessas instituiçōes, em detrimento dos santuários. Zoológicos bem desenhados , bem planejados e com bons especialistas de diversas áreas são ambientes muito bons e educativos. Animais em seus ambientes naturais vivendo sem ameaças são muito mais felizes. E Maia e Guida encontraram para si uma solução adequada e humanitária, onde, sim, viverão com muito mais dignidade do que nos ultimos 19 anos. Simples assim.

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  9. Este texto é de dar dor no coração. Elefantes não precisam de espaço? Acho que a pessoa que escreveu deveria se informar mais sobre a imoralidade de se manter animais selvagens em cativeiro. Não existe forma etica de fazer isto. Fora o tema marfim e o extermínio de elefantes africanos o resto pra mim é lixo deste mundo antropocentrista cheio de desvio de valores. Vc jura que acha que os elefantes no santuario da Chapada não estão recebendo apoio psicológico e cuidados fisicos? Vc deveria se informar . O trabalho da elephant Voices e Global sanctuary é incrivel e esta dando dignidade e recuperando muitos elefantes que foram torturados psicologicamente e fisicamente a vida toda. Triste ver que interesses pessoais vão alem das necessidades de se respeitar os animais. A area que estão os elefantes foi desmatada, era area de pasto …. area esta que os proprios elefantes por serem jardineiros das florestas irão reflorestar.

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  10. Olha, adoro ler atigos de pesquisadores, mas às vezes acho que falta um pouco de jornalista pra quem se presta a fazer críticas ao trabalho dos colegas. Especialmente no que diz respeito à pesquisa sobre o tema discutido. A autora me parece toma como principal referência informações que ela viu no CQC, que é um programa engraçadinho, mas pouco informativo, especialmente no que diz respeito à ciência. Da forma que foi colocado o projeto, parece uma loucura realizada por uma ONG norte-americana no cerrado brasileiro, quando na verdade existe pesquisa científica respaldando a iniciativa. Pra não deixar aqui a crítica pela crítica, coloco abaixo um link da revista Fapesp, que tratou sobre o tema, cita artigos e enrevista o pesquisador que trabalhou no projeto do santuário. Aliás, O Eco poderia muito bem dar espaço também para que o pesquisador se manifestasse. É uma bela forma de alimentar o debate.
    Um abraço. http://agencia.fapesp.br/elefante_no_cerrado_exer

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  11. E só pra esclarecer: antes da chegada do Homo sapiens ao Cerrado, há cerca de 8 mil anos, o bioma tinha elefante, sim. Não é um ser totalmente estranho ao ambiente. E ainda tinha tigre e preguiça-gigante. O Cerrado não nasceu ontem, mas muito tem sido destruido desde que chegamos.

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  12. Para tudo que não presta sempre aparecem alguns brasileiros para defender. Assim como tem aqueles que defendem a criação de elefantes no Cerrado, tem muita gente que defende o reinício imediato das operações da Samarco em Mariana. É por isso que a questão ambiental no País nunca avança.

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  13. O Edvard lá em cima acha que " esses monstrengos deveriam ser devolvidos a seu local de origem…." e que isso seria " mais pratico e economico" …! E outros fazem soar como se os elefantes estivessem sendo " introduzidos" no Cerrado, a se espalhar e varrer o Bioma como ervas daninhas… Pelamorde… É de doer! Maia e Guida, as monstrengas (:!), estão em uma reserva particular, em área degradada! Atenção pessoal: mais informação e menos opinião!!

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    • Vamos primeiro cuidar da nossa fauna que está sendo dizimada pela caça, pelos atropelamentos, pelo desmatamento, pelas queimadas, pelo tráfico, pelo descaso dos próprios brasileiros. O que eu acho é que aqui realmente não é lugar de se criar elefantes, sejam soltos ou confinados. Que os mandem de volta para onde vieram!

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  14. Pelo menos essa área PARTICULAR não caiu nas mãos do agronegócio e virou monocultura, pode não ser o ideal, mas a área será restaurada pela natureza e de certa forma preservada…

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  15. Sim, vamos mandar os elefantes de volta! É só embarcar os elefantes num avião – baratinho! – e soltar em algum terreno baldio na Tailândia. E assim lavamos as mãos de seus 40 anos em cativeiro. Com certeza vai dar certo. Reintroduzir animal adulto na natureza é fácil e barato, não sabia?

    Também tinha gente que queria mandar os ex-escravos de volta para a Africa e assim se livrar do "problema social"…

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    • Lá pelo menos é o ambiente deles, a terra deles. Se darão melhor que aqui, onde as condições climáticas e ambientais não lhes são favoráveis. Irão sofrer muito aqui. Lá poderão até viver mais. Pense nisso.

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  16. Ótima reportagem!!! O que fica de pergunta é, como esses elefantes vão se alimentar sozinhos se eles não estão no habitat deles? Me parece muito irresponsabilidade mesmo esse santuário.

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  17. 1- O que é melhor para o bem estar dos animais, um recinto com 1.100 ha ou um recinto com 0,5 ou 1 ha em um zoo-padrão?
    2 – Os biomas abertos da América do Sul sempre tiveram elefantes durante o último milhão de anos. A exceção são os últimos poucos mil anos, graças à extinção causada por humanos, e isso que é anormal. Achar que os elefantes são alienígenas completos remete às síndrome das linhas de base mutáveis.
    3- Recolocar elefantes, mesmo que de outras espécies, no Cerrado é um experimento tão válido quanto recolocar cavalos, que também ocorriam originalmente por aqui. E que, sabemos, dispersam espécies de plantas nativas que estavam órfãs.
    3 – Deveríamos é nos preocupar com a braquiária e o nelore. Esses sim são espécies exóticas.

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  18. Li o texto atraído pela chamada, pensando que seria sobre o impacto que os elefantes causariam no Cerrado.
    Para minha surpresa, o suposto impacto só é comentado superficial e resumidamente no final do texto.
    Os argumentos das duas partes são válidos e devem ser melhor avaliados e debatidos por especialistas, porém acredito que a autora se precipitou por algum motivo e ainda caiu no mesmo erro que ela criticou:
    Na posição de cientista, não apresentou nenhum dado que comprove o suposto impacto que esses animais causariam ou causam no cerrado.
    Aguardando o direito de resposta dos mantenedores do Santuário.

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  19. Acredito que tanto a autora como os responsáveis pelo dito "santuário" possuem uma preocupação sincera e boas intenções quanto à questão dos elefantes e outros animais nos circos. No entanto, preocupação e boa intenção não resolvem um problema. Elas são o primeiro passo que ajudam a iniciar a busca e discussão por formas para solucioná-lo, mas, por si só, não levam ao fim para tal. Um exemplo está no problema dos cães e gatos abandonados. Existem milhares de pessoas preocupadas com isso e que agem com boas intenções, entretanto, podemos ocasionalmente nos depararmos com ações equivocadas, feitas por algumas destas pessoas, que tiveram como base informações erradas ou uma ideologia absurda. Mesmo tendo a melhor das intenções em ajudar. Lembro-me de já ter encontrado pessoas que se recusam a castrar cães e gatos, que preferem usar anticoncepcionais ou outro meio contraceptivo, por acharem que a cirurgia é uma violência contra o animal ou por medo deste falecer no procedimento. E se formos conversar com estas pessoas, veremos que elas gostam sinceramente dos animais pelos quais são responsáveis. Apenas têm uma visão ou crença equivocada sobre como ajudar e que, no fundo, pode terminar até atrapalhando a solução do problema. Considero que este seja o caso para o "Santuário de Elefantes" e outros ditos pelo Brasil. Permita-me agora estender este raciocínio. Peço desculpas de antemão pelo texto longo, mas creio que é um assunto interessante, amplo e complexo demais para ser simplificado. Um levantamento conduzido em 2013 sobre elefantes em cativeiro no país demonstrou que o último elefante em circo no território nacional foi entregue ao zoológico de João Pessoa (PB) neste mesmo ano. Na verdade, a maioria do plantel de elefantes nos zoos brasileiros é de indivíduos que foram resgatados de circos (a exceção é somente 5 dos 7 elefantes-africanos). Os animais que o "santuário" pretende trazer dos circos estão em outros países da América do Sul. Então, no caso do Brasil, o foco talvez deva estar nos zoológicos e como estes podem mudar e melhorar a qualidade de vida e bem-estar dos elefantes que abrigam. Infelizmente, sabemos que este é um processo que enfrenta alguns empecilhos, principal ou quase totalmente de ordem financeira. A maioria das instituições são públicas e elefantes são animais que exigem uma infra-estrutura complexa e de alto custo para instalação, adicionando-se a isso o fato que muitos recintos são antigos ou foram construídos com uma concepção já ultrapassada. Particularmente, uma que favorecia o perigoso contato direto com os animais, onde a equipe tem poucas ou nenhuma barreira entre ela e o elefante para realizar o manejo e outros procedimentos. A razão para isso é, talvez, meramente histórica, já que o primeiro zoológico a desenvolver as técnicas de contato protegido e condicionamento com elefantes foi o San Diego Zoo em 1991. É neste ponto que gostaria de abrir um parêntese sobre o "Santuário de Elefantes Brasil": Scott Blais, um dos responsáveis pelo empreendimento, foi expulso do Santuário de Elefantes da Califórnia justamente por insistir no contato direto com os animais (ver https://s-media-cache-ak0.pinimg.com/564x/25/96/9…. [Continua logo abaixo…]

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    • Recebi esta informação da Margaret Whittaker, diretora de manejo do "The Elephant Sanctuary", durante uma reunião em dezembro passado. Ela estava bastante preocupada com esse dito "santuário" no Brasil devido à reputação das pessoas envolvidas. Compartilho de sua preocupação também por conhecer uma destas pessoas, e saber que ela nunca sequer teve experiência alguma com animais selvagens em cativeiro. É uma pessoa aparentemente bem intencionada, mas que não sabe o que está fazendo, ainda mais com animais de alta periculosidade como elefantes.
      Mas voltemos aos zoológicos no Brasil: se a intenção real do "Santuário de Elefantes Brasil" é ajudar com estes animais tanto no nível individual como de espécie, o ponto de partida deve ser parar de igualar zoos e circos e de colocar todos os zoos no mesmo patamar. Acredito que deva existir um diálogo de ambas as partes, tanto dos bons zoos como do "santuário", e que a construção deste não é ajudada pela divulgação de equívocos. Infelizmente, o lado do "santuário" costuma ser bastante agressivo neste quesito. É uma situação diferente dos EUA, onde a Margaret Whittaker trabalha em 2 zoológicos e é consultora em outros 7. Caso esta situação pudesse ser repetida no Brasil, os elefantes ganhariam muito em todos os sentidos, não apenas em qualidade de vida e bem-estar, com viabilização de recursos para reformar e mudar infra-estruturas, mas também como conservação da espécie como um todo. As duas espécies de elefantes mantidas em cativeiro no Brasil – o africano-da-savana (Loxodonta africana) e o asiático (Elephas maximus) – são consideradas ameaçadas e suas populações selvagens estão sob grande pressão da caça ilegal e destruição do habitat. Algumas destas estão isoladas em reservas e dependem totalmente de ações humanas para terem viabilidade a longo prazo. É uma situação triste, lamentável e. até certo ponto, amarga, que a humanidade tenha transformado boa parte do mundo num tipo de zoológico. Como Benjamin Beck do Smithsonian's National Zoo declarou, "a diferença entre o zoo e a vida selvagem está desaparecendo no mundo atual". No quesito conservação, a população brasileira de elefantes-asiáticos, infelizmente, praticamente não pode ajudar. A maioria dos indivíduos é idosa e existem somente um único macho, não havendo qualquer registro de reprodução no país. Numa situação diferente estão os elefantes-africanos, que apesar da população ser menor (só sete), apresenta um potencial muito bom em questões de conservação, pois o "pool" genético representa 4 países sul-africanos e esta é a região da África onde se concentra atualmente 70% dos elefantes do continente em estado selvagem. Isso significa que estou recomendando a reprodução de elefantes-africanos no Brasil neste momento? Não, pois não existe agora infra-estrutura nas instituições para tal. No entanto, seria algo possível no futuro com os resultados que poderiam surgir de um diálogo entre bons zoos e "santuário" preocupados com os elefantes. Lamentavelmente, é provável que nada ou pouco ocorra enquanto ataques e equívocos perdurarem, como o que foi divulgado pela bióloga do "santuário" sobre longevidade dos animais em zoológicos. Um estudo publicado esta semana pela Nature analisou mais de 50 espécies de mamíferos e demonstrou que 84% delas tem uma expectativa de vida maior no cativeiro do que em estado selvagem (ver http://www.nature.com/articles/srep36361).

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  20. Sobre os potenciais impactos que um "santuário de elefantes" pode trazer ao Cerrado e porque isso preocupa algumas pessoas repousa na razão destes paquidermes, assim como muitos grandes mamíferos, serem "engenheiros de ecossistemas". Em outras palavras, eles são responsáveis por modificar o ambiente ao seu redor de forma que não influencia somente sua espécie, mas todas as demais que vivem nele. Os elefantes fazem isso no seu habitat natural ao abrir clareiras, escavar poços (podendo alterar os níveis dos lençóis freáticos), dispersar algumas sementes e atuar na distribuição de nutrientes no solo por seus excrementos (que também influenciam a distribuição de alguns insetos). Por exemplo, uma das razões da savana africana ser aberta é por causa dos elefantes. É nisto que reside as preocupações da maioria das pessoas sobre o "Santuário de Elefantes Brasil" no Cerrado, além do que acontecerá em caso de fuga de algum indivíduo. Os últimos animais semelhantes a elefantes – como os mastodontes – que tivemos na América do Sul desapareceram há aproximadamente 14.000 anos por razões que ainda não são bem compreendidas, e não sabemos o que elefantes-asiáticos e/ou africanos que evoluíram em ambientes completamente diferentes causarão em 1.100 hectares no Cerrado. Acredito que essas pessoas tem a mesma preocupação com a expansão agropecuária e, talvez, o temor seja por uma sinergia maior na destruição desse bioma ameaçado. E, claro, deve haver também uma preocupação que coisas similares com espécies nativas não ganhem ou tenham a mesma visibilidade ou engajamento que com os paquidermes.
    Pessoalmente, considero que todo o processo do "Santuário de Elefantes Brasil" foi conduzido de uma forma equivocada. Talvez, o melhor fosse ter estudado quais são os problemas dos elefantes em cativeiro na América do Sul (até já existe uma noção disto, segundo a Margaret Whittaker), ter contabilizado quanto e/ou quais seriam os recursos necessários para resolvê-los e procurar as formas de viabilizá-los, incluindo por doações. Isto incluiria reformas em zoos, translocação de animais para locais adequados e poderia mesmo incluir a construção de um santuário para abrigar aqueles aos quais faltasse lugar disponível. Tudo, em um plano amplo, estaria focado tanto nos indivíduos como nas espécies, pois poderia existir reprodução e manejo da população de forma a manter e aumentar a diversidade genética, buscando ajudar seus parentes selvagens. Enxergo que um caminho próximo a este está sendo tomado nos EUA, onde as populações de elefantes estão sendo reunidas em poucos zoológicos com estrutura adequada para abrigá-las. Ou seja, há uma trilha pela qual podemos nos guiar. Provavelmente, será longa, mas um provérbio chinês diz que "uma jornada de mil quilômetros começa com um único passo."

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  21. Amigo Igor, você parece ter bastante informação. Duas perguntas:

    1) Você diz que não há "elefantes de circo" no Brasil desde 2013 e que os elefantes do santuário vem de outros paises. No entanto, os dois elefantes que já estão lá são provenientes de um circo brasileiro, vieram de Minas Gerais, e estavam acorrentados há cinco anos. *

    2) Você realmente acredita que um ou dois elefantes que porventura fugissem iam conseguir se reproduzir e repovoar o Cerrado a ponto de ameaça-lo?

    * Cinco anos. Acorrentados pelo pé. No Brasil. Se não fossem para esse santuário, para onde iriam? Qual era a solução alternativa? Deixar acorrentados durante mais uns anos enquanto se debate o assunto?

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  22. "Bons zoos têm que fornecer cuidados diários", lembrou bem a autora. Pena que poucos são os zoos no Brasil dedicados a isso. "Cada animal deve ser checado, treinado e receber cuidados nas patas. Para que isso seja feito, são necessárias sessões diárias de treinamento e condicionamento", isso acontece em zoos de excelência espalhados pelo mundo. Os zoos brasileiros estão pelo menos um século atrasados em relação a boas estruturas, recintos e manejo adequado. É preciso tomar cuidado para não deixar transparecer em uma opinião que os zoos brasileiros são bons. Não são. Se a legislação existente fosse aplicada, a maioria dos zoos nacionais seria fechada. Animais em estado selvagem não precisam de cuidados. Precisam apenas de paz. E quanto ao impacto… certamente a soja e o gado são muito mais impactantes do que um refúgio par elefantes que passaram décadas sob maus-tratos em zoos. Alguém pode esclarecer uma duvida? É verdade que o elefante africano que se encontra no zoo de Brasília, sem as suas presas, foi vendido por um zoo brasileiro a um circo? É desse tipo de cuidado que se fala? De animais de zoo serem vendidos a circo? Tema para muitas reflexões.

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  23. Bom, tudo equivocado nesse artigo. A começar que a autora diz:
    "A escolha do local para a construção do mantenedouro de elefantes foi equivocada: 1.100 hectares de cerrado, um bioma ameaçado e não adaptado à presença deste tipo de animal".

    A área é privada, não uma Unidade de Conservacão, e facilmente poderia virar plantação de cana ou soja. Se o IBAMA acha a área importante devia ter feito uma UC. Terceiro, o cerrado tinha elefante SIM. Faltou na aula de Paleoecologia. Os gonfotérios (mastodontes) são elefantes que viveram no cerrado a menos de 10 mil anos atrás, no Holoceno, mesmo clima e vegetação. A por ultimo, o IBAMA não quer controlar o javali/javaporco e acha que elefantes vão virar praga no cerrado? Esses elefantes são velhos, vieram de circos ou zoológicos deprimentes.

    Tudo equivocado.

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  24. A doutora Joice Poole é Phd em comportamento de elefantes pela universidade de Cambridge e é uma das integrantes da equipe do Santuário aqui do Brasil. Se alguém assim endossa o santuário, então o que a nossa pesquisadora brasileira disse é no mínimo discutível, não acham?

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  25. O ser pedante que escreveu esse artigo deveria se retratar, basta ir na página do santuário e ver em 2020 tudo que foi e é feito. É incrível! Dizer que os elefantes não precisam de espaço é ridículo, os problemas nas patas (a principal causa de morte em cativeiro) está mais que provado que se desencadeia por falta de atividade. Eles estão livres para pastar, recebem cuidados médicos, são inspecionados várias vezes durante o dia, e as refeições com suplementação( sim, eles fazem exames de sangue nos elefantes) de acordo com suas necessidades são servidas 3x vezes por dia. Sou uma apoiadora orgulhosa do santuário!

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