Michel Omena e Michel Bregolin
Michel Omena é analista ambiental do ICMBio e doutorando em em Ecologia, Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Florianópolis, Santa Catarina e Michel Bregolin é professor Universidade de Caxias do Sul (UCS)

A importância de trilhas regionais para a implementação da Rede Brasileira

Michel Omena e Michel Bregolin
terça-feira, 20 outubro 2020 16:16
Um dos trechos que compõem o Caminho das Araucárias. Foto: Cátia Dias/Rede Brasileira de Trilhas

O organismo humano é um conjunto de sistemas diferentes que se conectam e se auto ajudam para manter o ser humano vivo e saudável. Estabelecendo um paralelo, a criação de trechos regionais de trilhas para caminhadas deve manter uma rede complexa de trilhas e assim trazer benefícios a natureza e a sociedade.

A urbanização acelerada que ocorreu nas últimas décadas vem aumentando a procura por atividades em ambientes naturais. Essa busca de reconexão homem-natureza deve ser ainda mais acelerada pelo momento ímpar que o ser humano passa, a pandemia e o seu efeito, isolamento social, contribuindo para o aumento do turismo em áreas naturais.

No artigo The Importance of Regional Trails for the Viability of the Brazilian Long Trails Network [A importância das trilhas regionais para viabilidade da rede brasileira de trilhas de longo curso, em português], publicado na edição nº 23 da revista Ambiente & Sociedade, relatamos a nossa visão quanto a implantação da Rede Brasileira de Trilhas a partir do acompanhamento das atividades da Trilha Regional “Caminho das Araucárias”, que liga diversas Unidades de Conservação federais, estaduais e municipais, além de áreas privadas entre os estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, envolvendo órgãos públicos também de diferentes esferas de governo e vários segmentos da sociedade civil. Essa parceria público – privada já demonstrou ser positiva como nos casos da Appalachian Trail nos Estados Unidos e do Sendero de Chile. Recentemente no Brasil, como também ocorreu nos exemplos internacionais, acabou-se institucionalizando a Rede Brasileira de Trilhas numa entidade.

Mapa do Caminho das Araucárias. Elaborado por Michel Bregolin

Analisando documentos oficiais e dados sobre a Rede e o Caminho das Araucárias presentes em mídias digitais, avaliou-se o potencial da Rede Brasileira de Trilhas, por exemplo, através do número de seguidores nas redes sociais e quilômetros sinalizados (1.600 km novos em dois anos). Além disso, no trecho do Caminho das Araucárias houve um crescimento significativo do número de voluntários em unidades de conservação, dispostos a ajudar na sua implantação. Dados que demonstram o crescimento da rede e sua ramificação.

Embora os resultados iniciais sejam positivos e animadores, deve-se realizar um monitoramento contínuo para que estes se perpetuem e se evitem situações que gerem impactos negativos para a natureza. Contribuir para a conservação da natureza, por exemplo, conectando paisagens, é um dos objetivos principais do projeto, além de promover um turismo responsável, gerando bem-estar via recreação ao ar livre.

Concluímos que a implantação de trilhas regionais é uma importante estratégia para viabilizar a Rede Brasileira de Trilhas, e assim contribuir com a conservação das unidades de conservação e a geração de emprego e renda local conforme apontam iniciativas internacionais semelhantes e que esperamos em breve também possam ser vistas no turismo de natureza do Brasil.

As opiniões e informações publicadas na área de colunas de ((o))eco são de responsabilidade de seus autores, e não do site. O espaço dos colunistas de ((o))eco busca garantir um debate diverso sobre conservação ambiental.

 

Leia também

RPPNs em conectividade com a Rede Brasileira de Trilhas de Longo Curso

Trilha com conforto: uma jornada nos Caminhos da Baleia Franca, no litoral catarinense

Conectividade: como as trilhas podem ser aliadas da biodiversidade

Deixe um comentário

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.