Marcos Rodrigues
Doutor em zoologia pela Universidade de Oxford (UK). Hoje, é professor e pesquisador da Universidade Federal de Minas Gerais.

A luta de vida e morte por trás do canto das cigarras

Marcos Rodrigues*
quarta-feira, 30 outubro 2013 19:47
Adulto da cigarra gigante ([i]Quesada gigas[/i]). Fonte:
Adulto da cigarra gigante (Quesada gigas)
Nestas noites quentes e úmidas que prenunciam o verão, ‘a insônia me convence que o céu faz tudo ficar infinito‘. É quando percorro meu jardim na tentativa de observar um dos grandes espetáculos do planeta, munido apenas por uma pequena lanterna made in china.

Sob um céu comandado por Vênus procuro por buracos na superfície da terra nua, perfeitamente redondos, com cerca de um centímetro de diâmetro. Nestes dias após o equinócio da primavera, as primeiras chuvas umedecem o solo que estava seco e o aumento da temperatura despertam as ninfas das cigarras que estavam vivendo dentro da terra, em estado quase letárgico, a sugar a seiva das raízes das árvores.

Essas ninfas, de carapaça dura, ou, como preferem os entomólogos, de exoesqueleto duro, cavam túneis que as levam à superfície. Esses pequenos buracos são a saída final para um mundo completamente novo a ser descoberto. No entanto, as ninfas só saem à noite, quando seus predadores dormem sobre os galhos daquelas mesmas árvores. É aí que começa o espetáculo.

As ninfas se deslocam lentamente, como velhos tanques de guerra aposentados da primeira guerra, e com o auxílio de poderosas pernas anteriores, repletas de espinhos, sobem a primeira superfície vertical que encontram, seja o tronco de uma árvore, seja uma parede bem rebocada. Após uma longa, lenta e cansativa escalada de alguns centímetros, às vezes até dois metros, as ninfas param. Ficam ali, penduradas ao léu, estáticas. Pouco a pouco, e magicamente, uma fenda aparece ao longo das costas da ninfa, e por ali vai emergindo o indivíduo adulto. Primeiro surge a cabeça com os enormes olhos que brilham à luz da minha pobre lanterna. Depois parece que o corpo mole do adulto escorrega vagarosamente pelo exoesqueleto até liberar as pernas. Finalmente, já fora da carapaça, mas agarrado a ela, as asas começam a inflar até se formarem completamente.

A metamorfose da cigarra do estágio de ninfa para o indivíduo adulto. Foto: M. Rodrigues | Clique para ampliar
A metamorfose da cigarra do estágio de ninfa para o indivíduo adulto. Foto: M. Rodrigues

Todo esse processo pode durar horas, e é chamado de metamorfose incompleta, que é o termo que se usa quando a ninfa é muito parecida ao adulto, mas sem asas e sem órgãos reprodutivos maduros. Isso é diferente da conhecida metamorfose completa típica das borboletas, quando existe uma forma larval e um estágio de pupa, totalmente diferentes do adulto. Lá está a cigarra adulta, sob o mesmo céu escuro iluminado por Vênus.

Mas é durante o alvorecer do dia, e quando o sol está a pino e também na boca da noite que sentimos a presença destes adultos. Em todo o centro sul-sudeste do Brasil, nos meses de dias quentes de outubro e novembro, os machos das cigarras adultas emitem seus vigorosos e, para alguns, estridentes, cantos nupciais. Geralmente, a espécie que associamos a este canto é a cigarra-gigante (Quesada gigas), mas na realidade, existem muitas espécies de cigarras e cada uma com seu canto característico. Esse canto é feito por um par de estruturas abdominais chamadas tímbales, que é uma placa estriada situada em uma membrana. Internamente a essa estrutura há um saco aéreo traqueal que funciona como uma câmara de ressonância.

O som de algumas destas espécies pode atingir até 120 decibéis, o que já é classificado na faixa de som ensurdecedor. Para termos uma ideia, é comparável ao barulho do decolar de um avião de grande porte. O ruído de um trânsito de carros numa avenida movimentada chega a 80 decibéis.

Mas o som destas cigarras não é privilégio das regiões tropicais. Na região do Mediterrâneo, milhões destes seres surgem nos meses de verão boreal, junho, julho e agosto. Lá costumam cantar nas horas mais quentes do dia, e o canto é tão alto que a maioria das espécies de aves se cala durante estas horas. É que o canto daquelas cigarras simplesmente as ensurdece. Este fenômeno é chamado de mascaramento, ou seja, quando um som se sobrepõe a todos os outros. Imagine-se num ambiente fechado com o show de uma banda muito barulhenta. Lá dentro, o som ambiente simplesmente impede a comunicação entre as pessoas. Lá dentro, você tem que gritar para ser ouvido. No caso do Mediterrâneo, as aves não se engajam nesta atividade que demanda muita energia, o grito, e, portanto, simplesmente se calam.

Na verdade os machos das cigarras têm pouco tempo de vida. Na fase de ninfa elas podem viver anos, às vezes 2, às vezes 17 anos debaixo da terra, numa vida que consiste em apenas sugar a seiva das raízes que a cercam. Mas quando chega a hora de se transformar num adulto, tudo muda. Na fase adulta ela tem a oportunidade de voar, cruzar os céus, enfrentar a liberdade da vida em todo o seu fulgor. Mas nada é de graça. Essa vida dura não mais do que um singelo mês. Além disso, há perigos por toda parte, e o maior deles são os predadores. Entre estes, as aves são os mais vorazes.

Túneis de saída escavados pelas ninfas de cigarra. Foto: M. Rodrigues | Clique para ampliar
Túneis de saída escavados pelas ninfas de cigarra. Foto: M. Rodrigues

No meu jardim, a época das cigarras é também a época em que ocorre a visita de várias espécies de aves que ali encontram fartura alimentar. Primeiro surge um bando de anus-brancos (Guira guira). Quem conhece esta espécie sabe do seu ímpeto predatório. A começar pela sua face de olhos grandes, quase voltados para frente (na maioria das aves os olhos estão posicionados na lateral da cabeça) e um topete de penas na cabeça que nos remete a uma grande águia predadora. Os anus-brancos vivem em famílias comunitárias, de vida social complexa, onde há líderes e liderados. Eles chegam ao meu jardim num grupo que varia de 8 a 12 indivíduos. Muito barulhentos e espalhafatosos, pousam sobre o solo um ao lado do outro e começam a fazer uma varredura. Enquanto andam em zigue-zague, procuram sua presa ativamente. Insetos e lagartos se afugentam inutilmente frente ao exército de anus, e claro, eventuais ninfas de cigarras que estejam saindo dos seus túneis subterrâneos na hora imprópria. É por isso que a maioria das ninfas só sai à noite.

Os anus-brancos também conseguem capturar cigarras adultas que descansam sobre os troncos e galhos de árvores, embora de maneira não muito eficiente, pois anus não são bons voadores. Mas é aí que entram as almas-de-gato (Piaya cayana), coincidentemente um parente próximo do anu-branco, ambos pertencendo à mesma família, Cuculidae. As almas-de-gato também não são grandes voadoras, mas correm pelos galhos com exímia facilidade. Aparecem e desaparecem na ramagem como um fantasma. Por isso talvez o nome alma-de-gato. Não há cigarra que seja páreo para estas aves. Elas as capturam como capturamos amoras negras e suculentas, da maneira mais fácil e aprazível.

Há dezenas, talvez centenas de aves que se aproveitam deste festim proporcionado pelas cigarras adultas. Bem-te-vis comuns (Pitangus sulphuratus), bem-te-vis rajados (Myiodnastes maculatus) e bem-te-vis de bico largo (Megarhyncus pitangua) se refestelam sobre os galhos horizontais com suas presas agarradas ao bico. Eles costumam retirar apenas a parte mais polpuda do ‘fruto’ batendo o corpo da cigarra contra um galho e assim retirando suas asas, provavelmente indigestas. O João-de-barro (Furnarius rufus) e até mesmo a pequena cambaxirra (Troglodytes musculus) aproveitam pedaços suculentos ainda presentes nestas cabeças de cigarras ceifadas e desprezadas pelos bem-te-vis. O choró-boi (Taraba major) é outra ave visitante ocasional do meu jardim, que costuma frequentá-lo exatamente na época das vacas gordas, ou melhor, das cigarras adultas. Até mesmo pequenos gaviões como o carrapateiro (Milvago chichima) aparecem ocasionalmente para caçar cigarras adultas. Há relatos de outros pequenos gaviões que acabam se especializando na caça de cigarras durante está época, como o gavião-sovi (Ictinia plumbea) e o suveiro-do-norte (Ictinia mississippiensis).

O pouco tempo de vida das cigarras adultas faz com que elas tenham que agir rápida e assertivamente. Precisam atrair uma fêmea o mais rápido possível, antes que um desses predadores vorazes a transformem em refeição. Assim, cantam o mais alto possível durante o máximo de tempo possível. É um jogo perigoso, mas inexorável. Além de tentar atrair uma parceira, os pobres machos precisam ficar em constante estado de alerta. Não há estresse maior do que esse.

Esopo e La Fontaine colocam as cigarras injustamente como insetos preguiçosos. Na agricultura, a cigarra é considerada uma praga, seja porque as ninfas diminuem o fluxo de seiva nas raízes, seja porque aumentam a inoculação de potenciais patógenos à planta, ou porque os adultos necessitam danificar as folhas ou galhos finos para depositar seus ovos. Agora, os cidadãos urbanos pedem a cabeça das cigarras por serem barulhentas e irritantes. Não é fácil ser uma cigarra. Mas o que seria da vida destas belas aves predadoras que tanto queremos preservar e tanto queremos que continuem gorjeando sobre nossas palmeiras se essas criaturas tão estranhas, e para alguns irritantes, fossem eliminadas?

Volto ao jardim. O céu azul pálido sustenta gordas nuvens de barriga magenta no final do crepúsculo, e aos poucos os troncos e as folhas se tingem de negro, restando-lhes apenas as silhuetas e uma atmosfera surrealista. Vênus aparece solitário e brilhante, dando início a mais uma noite quente de verão. As cigarras estão a pleno vapor gritando loucamente pelas amadas, futuras mães de sua prole.

*Reportagem editada em 02/10/2020 para ajustes de paginação das fotos.

 

Leia também
O efeito do equinócio sobre o canto dos sabiás
A importância das árvores mortas
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34 comentários em “A luta de vida e morte por trás do canto das cigarras”

  1. Estou na varanda de minha residência, descansando , deitado em uma rede na cidade de Mogi Mirim – SP. Ao ouvir esse canto um tanto barulhento, juntamente com minha esposa, resolvemos matar nossa curiosidade a respeito da cigarra, como : Forma de vida, reprodução, quanto
    tempo viveriam, etc. Agradecemos essa publicação, visto que nos trouxe muitos esclarecimentos . Voltei ao meu tempo de crianca , la em minha cidade natal Piracicaba , quando eu e meus amigos também agiamos como predadores praticando a caça desses pobres insetos !
    Obrigado pelo artigo! !!

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  2. Agradeço pelas informações poéticas a respeito dessa curiosa criaturazinha de Deus. Não sei explicar o por quê mas gosto muito desta época do ano em que ouço as cigarras nas árvores de uma praça perto da minha casa. Pensei em escrever alguns versos a respeito dela,mas daí primeiramente procurei saber sobre seu ciclo. Mas você descreveu de uma maneira tão interessante que me deu vontade de escrever uma historinha da cigarra…rsss . Parabéns pelo trabalho.

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  3. Nossa, muito legal. Daniel, aqui em casa ficamos assim mesmo nessa época do ano, deitados na rede e escutando as cigarras, no começo tinha medo e corria, mas hoje é diferente, e me causam bastante curiosidade a respeito delas.
    Adorei o texto.

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  4. UM CANTO BREVE

    Ouça!
    É a cigarra
    que encanta
    Com seu canto mel
    de flauta doce,
    num canto,
    que não sei,
    nem quero,
    vem de longe,
    canto longo,
    canto breve,
    isso eu sei,
    quando canta, tudo pára
    num encanto magistral.
    É um canto derradeiro
    tão profundo, verdadeiro…
    Ouça, silêncio!
    Seu cicio chegou ao fim…
    …Quando penso que findou,
    ouço ainda um pouquinho,
    tão fraquinho, um restinho
    Do seu fôlego terminal.

    Luz Miranda
    Código do texto: T2563864

    Parabéns pela rica produção. Abraço!

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  5. Boa noite, hoje estou aqui ouvindo esses sons que só as cigarras proporcionam aos nossos ouvidos, eu desde criança sempre adorei esse som, que sempre me fez lembrar da época do natal, aqui onde moro em blumenau sc, as cigarras aparecem mais perto do fim de ano até o início, acho elas bichinhos adoráveis, sempre que aparece uma dentro de minha casa faço questão de pega-las em minhas mãos e solta-las nas arvores e folhagens, pra mi a cigarras sempre serão ligadas a boas lembranças de minha infância.
    Obrigado pelo post esclarecedor, adorei saber mais sobre a vida desses bichinhos maravilhosos, não fazia ideia que elas viviam parte de suas vidas na terra.

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  6. Aqui em Nova Fátima Goiás elas são terríveis. cantam o dia todo como também a noite! ensurdecedor! invadem a casa e viram alimento dos gatos. É quase impossível ficar na chácara na época das cigarras.

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  7. Muito obrigada por este maravilhoso texto! Estou lendo e ouvindo as cigarras. Aqui na cidade onde moro Viçosa MG elas estão por todos os lados. So uma duvida: as vezes quando passo em baixo de algumas árvores, sinto umas gotículas cairem em mim. Isto sempre acontecem nesta época. Isdo tem a ver com as cigarras? É algum tipo de líquido que elas soltam? Obrigada! Boa noite!

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  8. Quando eu era mais jovem, escutei uma frase que me marcou muito, parece até um pouco tonta, mas na época me soou extremamente poética.
    "As cigarras cantam um requiem". Lendo seu texto, dou-me conta do engano, porque por mais que o tempo de vidas delas seja curto durante a
    fase adulta, elas cantam para acasalar, é um himeneu.
    Isso me faz pensar também no paradoxo das etapas de vida desses serezinhos. Será que nós preferiríamos continuar no fundo da terra, onde há comida, seguranca, mas também escuridao, solidao, ou sairíamos para viver muito por pouco tempo? Imagino que a luz no fim do túnel de uma cigarra também nao é sinonimo de esperanca , mas da promessa de uma vida intensa e breve.
    Seria melhor ficar no fim do túnel ou ir à superfície?
    Os gregos nao mentiram quando associaram o mito de Titono à semimetamorfose das cigarras, afinal sao seres já bem velhos, se a gente pensa na expectativa do mundo animal (espero nao estar falando bobeira), que vemos nas árvores. Cántico para amada,nao casualmente a deusa do alvorecer. Aurora pediu a imortalidade para Titono, mas esqueceu-se de mencionar a juventude no pedido. Velho e enrrugado, a ponto de tornar-se irreconhecível, Titono foi transformado em cigarra. Mas daí a confusao, canta por que já está perto da morte, na velhice, ou cantapara seu amor um epitalamio trágico, poético e fascinante?

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  9. Hije encontrei uma cigarra morrendo no meu quintal,entao resolvi pesquisar,muito interessante essa matéria,esclareceu minhas duvidas sobre a vida desses insetos barulhentos qui nos deixa muito feliz quando começa a cantar,pois ja esperamos a chuva,mais hoje descobri qui nao é bem assim,obrigado

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  10. E com esse belo texto vou dormir, sabendo um pouco mais, coisas "boba", corriqueira, que desperta novas curiosidades a cada dia…
    Obrigado por compartilhar isso conosco!

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  11. Gostei bastante da explicação… acredito que todos os curiosos, ao ouvirem o conta das cigarras neste período do ano, vão até o Google p/ tentar e tender está mágica/magia!

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  12. Amei o texto!
    Tenho uma pergunta, os "esqueletos" das cigarras que vemos grudados nos troncos das árvores (vejo muitos), já mortos e ocos, são então o que resta das ninfas depois da metamorfose?

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  13. Obrigada, encontrei esse texto pq estou em quarentena 23/3/2020… e comecei a filmar da minha varanda pra fora pq ouvir o som da natureza com elas, as cigarras, q relembram tanto a minha infância e a minha (saudosa) mãe falando comigo sobre as cigarras e o qto ela gostava. E enfim na data de hoje vim procurar uma imagem da cigarra pra mostrar a um amigo uruguaio pq eu não sania como se escrevia "cigarras" em espanhol.
    O texto e os comentários que aqui vi valeu muito ler em tempps de confinamento. Um abraço

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  14. Parabéns pelo lindo texto. Bem escrito e muito explicativo. Pude saber com detalhes como vivem esses seres que desde de pequeno, aprendi que cantam bem alto chamando o calor e o sol que alegram nossos dias. Obrigado por ter compartilhado seus estudos e seus conhecimentos com a gente. Um Forte Abraço

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  15. Excelente texto…senti passeando pelo seu jardim, caminhando sob a luz de uma lanterna e sob o esplendor de um céu de verão, no olhar distante de Vênus…você consegue conduzir o leitor para seus caminhos e mostrar a beleza e a leveza de sua profissão…gostaria de continuar a ler você…persevere na escrita…

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  16. Obrigada pelo testo,já gostava das cigarras, agora por entender melhor gosto mais,pela sua singeleza história de vida e de morte, seu canto me encanta,com belas recordações.

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  17. O tipo de canto do fim da tarde até que é bonito. Mas vocês não conhecem o outro tipo de canto, surgindo LOGO pelas manhãs, que é extremamente incômodo. Parece um rádio fora da estação, e num volume altíssimo, durante HORAS! O bico fica zuando incansavelmente! Esse defintivamente não é um canto, é um teste de paciência. Tira até o sono de manhã, de tão alto e irritante! Alguém sabe dizer que espécie é essa? Um canto horroroso e alto, que às vezes pára quando a gente chega perto. Às vezes, não! São extremamente audaciosos esses machos! O triste é que eu não vejo nenhum pássaro ousando atacar esses demônios! Não me importo com o "verdadeiro canto", aquele do final de tarde. O que é insuportável é esse "canto" chiado da manhã, que se estende até a tarde, sem dó dos nossos ouvidos!

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  18. Estava escurecendo, chovera o dia todo, mas havia cigarras cantando! Fiquei intrigada. Para mim elas só cantavam sob o calor do sol, e olha que desde criança as ouço. Catava suas carapaça secas e vazias pelos troncos das árvores colando na blusa. Então fui procurar saber se cantavam pelo desespero de uma vida curta, tentando num último fôlego deixar seus genes no planeta. Aí encontrei seu blog, gostei muito, e li os comentários que tb são muito interessantes!

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  19. Que maravilha de texto. Poético e informativo ao mesmo tempo. Brilhante, eloquente e, educativo. Com uma linguagem de quem transmite e sabe o que diz. Parabéns para todos nós que saborosamente desfrutamos desta dádiva concebida e concedida pelo autor invulgarmente surpreendente.

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