O crescimento urbano é o problema do século

O crescimento urbano é o problema do século

Cristiane Prizibisczki
quarta-feira, 29 maio 2013 22:31
Típica paisagem urbana: as movimentadas ruas de Madurai, no sul do Índia. Foto: McKay Savage
Típica paisagem urbana: as movimentadas ruas de Madurai, no sul do Índia. Foto: McKay Savage

O crescimento das cidades é um processo irrefreável e, muito provavelmente, será irreversível. De acordo com o Programa das Nações Unidas para Assentamentos Humanos (UN-Habitat), a população urbana foi multiplicada por cinco entre 1950 e 2011 no mundo todo. Foi em 2007 que, pela primeira vez na história da humanidade, o número de pessoas vivendo em cidades ultrapassou a cifra daquelas baseadas no campo.

Até 2030, a ONU prevê que mais pessoas em todas as regiões do globo terão deixado as zonas rurais, mesmo na África e Ásia, que atualmente estão entre as menos urbanizadas do globo. O maior crescimento, como é de se esperar, vai ocorrer em países em desenvolvimento. Por volta do meio do século, o total da população urbana destes países vai mais que dobrar: de 2.5 bilhões em 2010 para 5.3 bilhões em 2050.

Para dar um exemplo do potencial desse processo, somente entre 1995 e 2005, a população das cidades nos países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento cresceu, em média, em 1.2 milhões por semana, ou cerca de 165 mil habitantes por dia.

E não pense que será a China ou a Índia a liderar esse novo paradigma. É a América Latina que vai estar na primeira posição do ranking mundial. No meio do século XXI, 91.4% da população dos países latinos estará vivendo em cidades, seguido pela Europa (90,7%) e América do Norte (90,2%). As regiões menos urbanizadas continuarão sendo Ásia (66.2%) e África (61.8%).

De maneira geral, em 2050, espera-se 86% da população de países ricos e 67% de habitantes de países pobres estejam vivendo fora do campo. Isto nos dá uma média de 75%, o que significa que três quartos da população mundial estarão empenhadas em ocupar áreas hoje cobertas por vegetação, devastando matas para criar espaços diminutos de sobrevivência ou favelas, utilizando recursos naturais sem restrição e despejando no solo seus detritos.

E quem pensa que o problema do crescimento no número de pessoas vivendo em cidades para neste aspecto pode ser considerado um otimista. O aumento no número absoluto de habitantes é apenas uma das facetas desse imenso abacaxi. Segundo o Banco Mundial, as cidades terão também de lidar com um não-sincronizado crescimento na área de terra utilizada.

Se a ONU prevê que o número absoluto de habitantes urbanos vai dobrar em 2030, em comparação com 2010, as contas do Banco Mundial indicam que a área global construída será três vezes maior, na mesma data. Isso significa um dramático crescimento na demanda por energia e custos de nova infra-estrutura, além dos outros tantos problemas associados.

É de perder o sono, não é?!

*Os dados apresentados nesta coluna fazem parte da pesquisa “(Mis)Informed cities? The urban level of climate change as reported on the pages of UK prestige press”, conduzida no âmbito do PressFellowship Programme – Easter Term 2011, da Universidade de Cambridge/UK.

12 comentários em “O crescimento urbano é o problema do século”

  1. Assustador ver como o tamanho da população esta crescendo, se não começar a educação ambiental nas escolas desde o primário esse mundão não vai mais ter jeito.

  2. Fiquei com medo só de imaginar os números citados no texto, se a população não for orientada desde cedo vai virar um caos. Não sei porque meio ambiente ainda não virou matéria obrigatória nas escolas, se desde o começo do período escolar as crianças tiverem informações, contato e conhecimento do que é bom e o que não é bom para o planeta, vão crescer com a ideia formada do que pode ou não fazer pelo nosso planeta, e tenho a certeza que serão pessoas melhores…..

    • Camila, concordo plenamente com você. Alocar a disciplina Matéria Meio Ambiente nas escolas as crianças vão conscientizando, aprendendo e automaticamente vão re-educando os adultos. Trabalho de formiguinha… Mas é assim que começa!

  3. Com a predominância do Capitalismo no mundo, acredito que não será possível deter este expressivo crescimento urbano. O que vamos assistir é o sumiço significante da áreas verdes no planeta. Mesmo as cidades planejadas, não têm como evitar o desmatamento porque estas cidades só são planejadas para garantir a organização habitacional e de infraestruturas assim como mobilidade urbana.
    Lamentável!

    • Sr. Horacio, penso em controle de natalidade e acrescentar a Matéria Meio Ambiente nas escolas. Primeiro, conseguiremos frear o crescimento desordenado da população com uma cultura mais evoluída. Com isso conseguiremos preservar e cuidar melhor do nosso Meio Ambiente

  4. Acho que a população mundial precisa de uma educação ambiental em todos os sentidos e isso tem que começar nas escolas.
    O crescimento urbano atual está chegando à limites impossíveis de se reformular. Temos que criar critérios para as futuras ge-
    rações se deixarmos continuar do jeito que está caminhando o futuro delas (futuras gerações) será inviável.

  5. Impressionante ,como o ser humana esta acabando com o planeta, temos que criar métodos para reverte essa situação que esta ficando cada dia mais caótica,, temos que investir em reciclagem bicicleta e muitas outras coisa

  6. Nos podemos criar métodos de diminuir o efeito estufa , diminuir a poluição, e concientizar ainda mais as empresas a implantar projetos para nosso planeta

  7. O texto da Sra. Cristiane Prizibisczki mostra números assustadores. Os problemas ambientais urbanos são cada vez mais visíveis na paisagem urbana das cidades, principalmente pelas constantes transformações que o homem faz na natureza. Dentre os muitos impactos ambientais nas áreas urbanas podemos destacar as enchentes, lixos urbanos, poluição do ar, poluição sonora e despejo de esgoto sanitário nos rios, problemas estes que afetam DIRETAMENTE os RECURSOS NATURAIS e a QUALIDADE DE VIDA DAS PESSOAS que residem nas cidades.
    As dicas para lidarmos com a poluição são simples… Separe o lixo limpo, não despeje óleo de fritura na pia da cozinha, não jogue lixo nas areias das praias, não descarte móveis usados em terrenos abandonados, descarte pilhas e baterias em locais apropriados e etc… Porém, a população mais carente só vai entender se iniciarmos uma metodologia nas escolas com as crianças. Por exemplo: Matéria Meio Ambiente, com isso as crianças vão aprendendo e automaticamente vão conscientizando e re-educando os adultos. Trabalho de formiguinha… E para os adultos multas por desrespeito ao Meio Ambiente.

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