Colunas

No Laos, sob chuva, uma visita ao parque dos elefantes

Por proteger espécies ameaçadas, o parque de Xe Pian, na bacia do rio Mekong, é considerado uma das 10 unidades de conservação mais importantes da Ásia.

30 de dezembro de 2011 · 10 anos atrás
  • Gustavo Faleiros

    Editor da Rainforest Investigations Network (RIN). Co-fundador do InfoAmazonia e entusiasta do geojornalismo. Baterista dos Eventos Extremos

Elefante Asiático, espécie cuja existência selvagem está seriamente ameaçada. Nesta foto, o registro de um indivíduo domesticado, utilizado para transportar turistas para as partes altas do parque de Xe Pian
Elefante Asiático, espécie cuja existência selvagem está seriamente ameaçada. Nesta foto, o registro de um indivíduo domesticado, utilizado para transportar turistas para as partes altas do parque de Xe Pian

Setembro de 2011. As monções estão no auge. Quando chegamos à Área Nacional de Conservação da Biodiversidade de Xe Pian a 150 Km ao sul da capital do Laos, Vientiane, chovia torrencialmente. Os guardas-parque, com camisetas do WWF, comiam caramujos cozidos e jogavam cartas. Apesar de não ser possível compreender uma palavra do que diziam, a impressão dada pelos olhares sorridentes era de que estávamos perdidos por ali naquela época do ano.

Instalados no Ecolodge Kingfisher, localizado dentro do parque, observamos a chuva cair sem parar por horas e horas. Logo se entende a razão pela qual Xe Pian abriga um grande charco, reconhecido como sítio Ramsar, a convenção internacional que protege as áreas úmidas.

Visualizar Área Nacional de Conservação da Biodiversidade Xe Pian em um mapa maior

O parque tem 240 mil hectares. É um dos maiores e mais importantes de toda Ásia. Possui 29 ecossistemas distintos, de vegetação de altitude a florestas densas que lembram a nossa Mata Atlântica. Rios nascidos dentro da área são tributários do Mekong, cuja a gigantesca bacia abarca 4 países do Sudeste Asiático. Por ali vivem diversas espécies, com destaque para 13 mamíferos ameaçados de extinção. Entre eles, o elefante asiático, o tigre, o gibão de bochecha amarela, o golfinho irrawady e o urso negro asiático.

Por sorte, a chuva deu uma trégua no dia seguinte e com o sol escaldante saímos caminhando pelas matas de Xe Pian. Infelizmente não vimos tigres, elefantes ou macacos. Não faltaram no entanto, belas aranhas e libelulas pelo caminho. Os nossos guias, experientes e falantes, decifraram as plantas e suas aplicações, como a palmeira utilizada para fazer os tradicionais chapéus cônicos vistos nas plantações de arroz.

Vejam no slide-show as fotos de nossa aventura. Crédito das fotos: Gustavo Faleiros e Renata Nitta

 

 

 

Área Nacional de Conservação da Biodiversidade Xe Pian (Laos)

Como ir – É possível chegar de avião tanto pela capital Vientiane quando na cidade de Pakse, no sul. Xe Pian está no meio do caminho entre estas duas cidades, percorrendo-se a Rodovia 13.

Onde ficar – O local de mais fácil acesso é a vila de Kiet Ngong, onde o único hotel na área protegida é o Ecolodge Kingfisher. Mas fora da temporada de chuvas, os laotianos tem o costume de oferecerem suas casas para os turistas. É preciso combinar com antecedência. Detalhes podem ser encontrados no site da área protegida.

Mais informações – http://www.xepian.org/

Leia também

Salada Verde
23 de julho de 2021

Registro raro mostra uma mamãe onça com seu filhote na Serra do Mar

A cena foi flagrada por um armadilha fotográfica instalada pela equipe do Programa Grandes Mamíferos da Serra do Mar, que monitora a presença de animais como a onça-pintada e a anta na região

Análises
23 de julho de 2021

Termo ‘savanização’ precisa ser revisto nos discursos sobre degradação florestal

Associar a savana à ideia equivocada de que esta seria uma vegetação degradada e pobre favorece o discurso de que não há nada a ser conservado

Notícias
22 de julho de 2021

Ibama fecha acordo com agência japonesa para monitoramento via satélite da Amazônia

Acordo de cooperação foi assinado nesta quinta-feira e terá duração de 5 anos. Expectativa do Ibama é aumentar precisão da detecção de desmatamento na Amazônia

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta