Os oportunistas da notícia

Adamastor Martins de Oliveira
quarta-feira, 1 outubro 2008 18:19

Quando da divulgação da lista dos 100 maiores desmatadores do Brasil, surgiram, de imediato, os mesmos oportunistas de sempre a dar à notícia a versão torpe garantidora dos interesses escusos do capital predador.Nas primeiras horas após a divulgação, um Blog da Veja já estampava: “Incra é responsável por 44% do desmatamento; então Blairo é inocente, e Lula, culpado”.Então, para os mais esclarecidos, vejamos o gráfico (produzido pela CGFIS/IBAMA) abaixo:Ora, esse gráfico representa a evolução do desmatamento em Km2 desde 1977, a lista divulgada contém apenas 100 dos maiores desmatadores autuados nos anos de 2006 e 2007, de uma lista de milhares de desmatadores desde 1988 e que foram responsáveis por um total acumulado de 342.442,00 Km2 devastados, desde aquele ano. Como o total desmatado e autuado pelos assentamentos foi de 520.000,00 ha ou o equivalente a 5.200 Km2 desde 1992 e o acumulado de 1992 a 2006 foi de 278.672,00 Km2, isso significa que os desmatamentos de responsabilidade do INCRA, que aparecem na lista, representam apenas 1,86% do total desmatado nesse período, os demais 98,14% são de responsabilidade, em sua grande maioria, dos grandes latifundiários da Amazônia. Então, os 44% que aparecem na chamada do Blog sensacionalista da Veja é apenas mais uma das falácias dos que defendem a devastação das nossas florestas!O Secretário de Meio Ambiente de Mato Grosso também se apressou em utilizar a lista para alfinetar o Ministro do Meio Ambiente insinuando que o Governo Federal, através do INCRA é quem seria o responsável pelos desmatamentos em Mato Grosso.Os Números acima evidenciam as tentativas de engodo.Além disso, dever-se-ia, no mínimo, por honestidade social informar que esses 5.200 Km2 são ocupados por milhares de famílias que foram beneficiadas por um pedaço de chão que como diria os poetas João Cabral de Melo Neto e Chico Buarque no famoso poema Funeral de um Lavrador: “É de bom tamanho nem largo nem fundo  É a parte que te cabe deste latifúndio  Não é cova grande, é cova medida  É a terra que querias ver dividida”Não se pode olvidar também de como se deu o processo histórico de ocupação dos assentamentos do INCRA nesses últimos 30 anos de luta dos vários movimentos sociais pela reforma agrária no Brasil e que teve, em sua grande maioria dos casos, assentamentos de áreas regularizadas após serem invadidas. Isso produziu vícios e irregularidades de origem, tais como a falta de licenciamento ambiental e planejamento na execução da exploração florestal dessas pequenas propriedades.Mas daí a culpar os pobres assentados e sem terra de serem os grandes responsáveis pelo desmatamento no Brasil, aí já é demais!E nós sabemos a quem servem essas análises apressadas e distorcidas e devemos ficar atentos para não sermos iludidos ingenuamente.Adamastor Martins de Oliveira é Analista Ambiental – Agente Federal de Fiscalização Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA

Cadâ a pressa da licença ambiental?

Caixa Postal
quarta-feira, 13 agosto 2008 19:41

 De Marina Portolano   Caro Marcos Sá Correa, Sou formada em Ecologia pela UNESP. Gostaria de parabenizá-lo e agradecê-lo pela iniciativa em divulgar os acontecimentos com a regulamentação dos Ecólogos. É uma vergonha a regulamentação ainda não ter sido bem sucedida, Um abraço,

Biomas esquecidos

André Martius
quarta-feira, 30 julho 2008 19:59

De André Martius Sugiro ao nobre biólogo e doutor Fábio Olmos, com gosto pela relação entre ecologia, economia e antropologia, que leia o livro “A ecologia política das grandes ONGs transnacionais e conservacionistas”, elaborado do Professor Antônio Carlos Diegues (NUPAUB – USP), acerca do papel das populações tradicionais e indígenas na conservação da Amazônia (por exemplo) e o tratamento dado a êles por tais ONGs, numa visão do poder do dinheiro “protegendo” interêsses escusos. Sugiro também que a academia priorize a pesquisa sobre o quê as populações tradicionais e indígenas precisam e querem, no tocante à utlilização dos recursos naturais (que podem e devem ser corretamente manejados), pois os mesmos têm o direito manter seus modos de vida e culturas preservados, livres do preconceito europeu e americano, lembrando que em quase todas as UCs brasileiras existem populações, indígenas ou tradicionais e que são BRASILEIROS dignos de respeito.

Biomas esquecidos II

Vagner
quarta-feira, 30 julho 2008 19:58

De Vagner Olha, sinceramente, transito nessa área natureza e cultura há alguns anos. Nada mais controverso, complicado e, por isso mesmo, apaixonante do ponto de vista científico.Há um sério problema entre biólogos e antropólogos que não se resolve somente com críticas. Por isso, embora saiba da integridade e responsabilidade científica tanto de um como de outro, não acho que nem o Olmos nem o Diegues sejam as pessoas mais indicadas para isso. Não vejo um conhecimento integral em nenhum dos dois, infelizmente. Nem o “mito do paraíso desabitado” e nem o estricto sensu biológico podem resolver esse problema de terras indígenas, proteção integral e resex na Amazônia. Aliás, o dia em que realmente houver uma integração não apenas teórica do debate, mas de persistência no campo da pró-atividade, isso com certeza pode ter um outro desfecho. A solução disso, meus amigos, está na união dessas áreas às vezes tão díspares.

Parece mais fácil lidar com onça

Daniel Silveira
quarta-feira, 30 julho 2008 19:55

De Daniel SilveiraUm amante da natureza e seu admirador. Prezado Jornalista,Li, com o habitual interesse, sua interessante e colorida crônica sobre as desventuras do naturalista Peter Crawshaw, na busca de fazer valer os seus direitos em face dessas ‘feras’ chamadas seguradoras. Na área em que atuo, por inúmeras vezes defrontei-me com casos que me convenceram de que, salvo raríssimas exceções, só conhecemos verdadeiramente essas empresas quando delas precisamos.O Sr. Crawshaw, evidentemente, não está sozinho na sua luta: há centenas senão milhares de pessoas no país que brigam na justiça pois, após pagarem ciosamente, durante anos, pelo seguro, descobrem, desditosamente, ao necessitar da cobertura, que foram vítimas de um clamoroso engano, representado, no mais das vezes, por cláusulas ‘abertas’, em favor das seguradoras, a que injustamente se dá o nome de ‘leoninas’ (pobres felinos….).De todo modo, creio que seu artigo, relatando o problema, talvez auxilie o Sr. Crawshaw nessa justíssima briga.Registro meus parabéns ao seu lúcido jornalismo.PS: seu artigo foi publicado ao lado da sugestiva fotografia de macacos, que ‘invadem’  uma cidade, à cata de comida. Os indefesos símios assim agem, evidentemente, forçados pelo crescente desmatamento que lhes rouba impiedosamente o pouco que ainda lhes resta do seu habitat, dado por Deus. Isso vem a confirmar aquilo que penso acerca do ser humano, na sua insana e cega busca pelo ‘progresso’: é uma das piores espécies animais da terra, pois é a única delas capaz de destruir todas as outras. Se pudéssemos reunir todas as espécies, numa grande convenção e lhes déssemos a prerrogativa de votar para decidir qual delas deveria ser banida do planeta, pelo bem da vida, advinhe quem seria a escolhida??

Diamante Negro II

((o))eco
quarta-feira, 23 julho 2008 16:50

De Carol Rolim

Sérgio,
parabéns pelo artigo. Me fez sentir todo o desafio e encantamento que a floresta nos provoca. Que mais e mais informação de qualidade possa ser produzida e divulgada sobre essa imensa metade do Brasil, ainda (!!!) tão misteriosa para a maior parte dos brasileiros.

Diamante Negro

((o))eco
quarta-feira, 23 julho 2008 16:49

De Fabiola Borges

Simplesmente a pura, crua e dura realidade, sou Amazonense e Manauara, e para completar ainda moro em São Gabriel da Cachoeira e não paro de me deparar com estas belezas sempre. Adorei o que vc escreveu, meu esposo também é do “Chibio” chefe do Parque do Pico da Neblina outro lugar da Amazônia esquecido e maltratado, na verdade toda a calha do Rio Negro é esquecida, pelos pesquisadores e por todos, acompanho de perto com ele todas as dificuldades de vc querer fazer algo por um lugar que as pessoas não sabem nem que existe.

Tiro pela culatra

((o))eco
sexta-feira, 18 julho 2008 16:09

De Rafael O. Szekir

Boa tarde, sou bisneto de caçador, desde pequeno meu avô sempre orientando, e ensinando a caçar, na época certa, (fora da postura e filhotes), o melhor era sentar com ele e escutar as histórias, quando ele chegava com pencas de marrecão (netta peposaca) a cota ainda era 40 peças por final de semana, nesta época me recordo que muita gente caçava regularizado é claro. Sempre respeitamos o calendário que ele estipulava, as espécies e nunca caçando na volta das casas. Tenho a caça no sangue, gosto muito do banhado, mas aqui no sul tá difícil, até fazendeiros e granjeiros estão sendo inibidos, para não liberarem a caça em suas terras, por um lado acho certo, pois um caçador não é quem tem uma arma e um punhado de cartuchos ou balas, é uma grande responsabilidade, vivemos o ano todo em torno da chegada da temporada, que por sinal não vai ser aberta este ano novamente. Penso da mesma forma, a única maneira de equilibrar é, conservando o habitat e regularizando a caça esportiva, assim temos um controle de quem esta caçando e onde, pois hj quen entra num banhado, vai fazer a festa pois não sebe quando vai ter outra oportunidade…

Temos que nos unir e tentar reverter isto, pois não somos criminosos nem bandidos.

Abraço.