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Operação afasta superintendente do Ibama no Rio Grande do Norte

Carolina Lisboa
domingo, 17 setembro 2017 19:15
Salineiras. Uma das mais exitosas ações do Ibama, a Operação Ouro Branco, que fiscalizou a atividade salineira (acima) em manguezais, é criticada pelo atual superintendente do Ibama. Foto: Henrique Lage.
Salineiras. Uma das mais exitosas ações do Ibama, a Operação Ouro Branco, que fiscalizou a atividade salineira (acima) em manguezais, é criticada pelo atual superintendente do Ibama. Foto: Henrique Lage.

A Polícia Federal e o Ministério Público Federal deflagraram na terça-feira (12) a Operação Kodama, que visa reunir provas dos crimes de prevaricação (quando funcionário público retarda ou deixa de praticar ato de ofício, visando satisfazer interesse pessoal), corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro, além de evitar a continuidade de atos lesivos contra o meio ambiente no Rio Grande do Norte. O termo “Kodama” que nomeia a Operação foi retirado do folclore japonês e remete aos espíritos habitantes das árvores que conseguem imitar vozes humanas, criando assim ecos em uma floresta.

Conforme denunciado por ((o))eco, o superintendente do Ibama-RN Clécio Antônio Ferreira dos Santos é suspeito de cometer diversas irregularidades, dentre elas pelo menos dez condutas de favorecimento ilícito a pessoas físicas e jurídicas, as quais teriam sido beneficiadas indevidamente por meio da anulação de autos de infração, desembargo de atividade e restituição de bens apreendidos. Cerca de 50 policiais federais cumpriram 11 mandados judiciais de busca e apreensão nas cidades de Natal, Goianinha, Ceará-Mirim e Tibau do Sul, no estado.

Responsável pela indicação de Santos para o cargo de superintendente, o deputado federal Rogério Marinho ( PSDB) divulgou uma nota afirmando acreditar na idoneidade do superintendente e esclarece que sua indicação foi por “critérios técnicos e pelas qualidades profissionais”. A defesa de Clécio dos Santos também emitiu a seguinte nota:

“Entendo por bem, dizer antecipadamente, que não tenho qualquer relação espúria com terceiros investigados, seja pessoa jurídica, seja pessoa física, que não me utilizei do cargo para atender interesses pessoais e que toda minha trajetória está assentada na legalidade e na ética.

Reitero, finalmente, que exerço atividade profissional há 49 anos, servi a quatro governos estaduais, sem qualquer mácula em minha biografia.

NUNCA ROUBEI NEM DEIXEI ROUBAR, NUNCA DEI NEM RECEBI PROPINA, NUNCA CORROMPI NEM FUI CORROMPIDO, de modo que fico a total disposição das autoridades para esclarecer e colaborar com o desenrolar dos fatos, que, por si só, irão me inocentar.

Natal/RN, 12 de setembro de 2017”

Com a operação, Santos foi afastado do cargo. A medida já havia sido recomendada ao Ministério do Meio Ambiente por meio de Relatório de Auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU) e em um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) instaurado pelo Ibama. O referido PAD também recomendou o afastamento de outros envolvidos no esquema, que incluem funcionários de carreira do Ibama/RN que assessoravam o então superintendente Clécio Santos, e principalmente a intervenção no órgão.

 

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