MPF discutirá transformação da Reserva Biológica do Tinguá em parque
Salada Verde
Sua porção fresquinha de informações sobre o meio ambiente

MPF discutirá transformação da Reserva Biológica do Tinguá em parque

Sabrina Rodrigues
quinta-feira, 5 setembro 2019 19:37
Cachoeira da Boa Esperança, na Rebio do Tinguá. Foto: Carlos Januzzi.

Há alguns anos, uma proposta de mudança na categoria de proteção ronda a Reserva Biológica (Rebio) do Tinguá, a maior reserva do estado do Rio de Janeiro. Alguns defensores querem abrir a unidade para a visitação pública, transformando-a em parque nacional. Na próxima semana (12), uma reunião na sede do MPF em São João de Meriti discutirá mudanças na zona de amortecimento e mudanças na categorização.

Ontem, na Câmara dos Deputados, foi realizado uma audiência pública para discutir a mesma recategorização.  

Reserva Biológica é a categoria mais restritiva do Sistema Nacional de Unidades de Conservação. Em tese, apenas estudos científicos e visitação de caráter educativo podem ocorrer em uma reserva, por se tratar de uma área sensível. Já para parque nacional, a visitação é uma das razões de sua existência. 

O debate sobre Tinguá já vem sendo feito com moradores do entorno da reserva há algum tempo. No dia 25 de agosto, por exemplo, o Conselho Gestor da Rebio se reuniu com lideranças locais, em Tinguá, em Nova Iguaçu e explicaram as diferenças entre uma Reserva Biológica e um Parque Nacional e as mudanças advindas com uma possível mudança de categoria da unidade de conservação. Os moradores presentes expuseram que não são favoráveis à recategorização, que desejam que ela continue como reserva biológica. 

O debate está sendo aberto nos municípios do entorno da reserva, capitaneados pelo Secretário Municipal de Meio Ambiente, Turismo e Agricultura de Nova Iguaçu (RJ), Fernando Gomes Cid, que defende que a recategorização trará investimentos em turismo para a região. 

Com 24 mil hectares abrangendo 4 municípios do Rio de Janeiro, Tinguá protege a bacia hidrográfica que abastece o sistema Acari da Cedae, responsável por manter as torneiras cheias na Zona Norte da capital. Esse é um dos argumentos apresentados por quem defende que a reserva continue com o status de proteção atual. 

Encontro com o MPF

Na próxima quinta-feira, dia 12 de setembro, está marcado um encontro na Procuradoria da República em São João de Meriti, para discutir debater não apenas a possível mudança na categoria como para discutir a obrigatoriedade do cumprimento de decisões judiciais pelo ICMBio, como a definição da zona de amortecimento (ZA); a instalação de placas de sinalização; a necessidade de mecanismos compensatórios à reserva, uma vez que existem empresas que atuam dentro da unidade sem destinar recursos à Rebio.

A Rebio do Tinguá é considerada como de extrema importância biológica para a conservação de mamíferos, aves, répteis, anfíbios, além da flora e dos recursos abióticos (água, solo, paisagem). Em 1991, foi declarada pela UNESCO como Reserva da Biosfera – Patrimônio da Humanidade.

Para participar da reunião pública é necessário que o interessado envie um e-mail para prrj-sjm-gaboificio3@mpf.mp.br, com o título “Encontro Rebio Tinguá” e informar o nome, número de documento e entidade/órgão. 

 

Serviço

Evento: Reunião pública para debater o futuro da Rebio Tinguá

Quando: 12 de setembro de 2019

Horário: 11h

Onde:  Procuradoria da República em São João de Meriti – Av. Automóvel Clube, 2435 – Vilar dos Teles – São João de Meriti, Rio de Janeiro.

Para participar, enviar e-mail para: prrj-sjm-gaboificio3@mpf.mp.br. Assunto: “Encontro Rebio Tinguá”. Colocar: nome, número de documento e entidade/órgão. 

 

 

Leia Também

Vídeo: Por que devemos lutar pela preservação da Rebio do Tinguá? por Leandro Travassos

MPF quer que ICMBio institua zona de amortecimento na Reserva do Tinguá

Justiça determina que morador desocupe imóvel irregular construído na Reserva do Tinguá

 

3 comentários em “MPF discutirá transformação da Reserva Biológica do Tinguá em parque”

  1. Como a pressão da visitação é caça são incontroláveis e a Baixada precisa de alternativas de lazer, o ideal é que parte da Rebio fosse convertida em parque como parte da zona de amortecimento da Rebio. Com isso se duplicaría os recursos humanos e daria mais foco para cada área.

      • Na verdade o ideal seria a duplicação dos recursos humanos, deixando a atual equipe e algum reforço para a REbio e uma nova para o parque, se possível já turbinada por um programa de concessões de serviços.
        Mas, do jeito que a coisa é, o mais provável é que a "resistência" lute para manter o status de Rebio ou pelo menos atrase bastante… A ver!

Deixe um comentário

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.