Mais de 5 bilhões de pessoas ficarão sem água até 2050, diz ONU

Sabrina Rodrigues
terça-feira, 20 março 2018 19:13
Foto: Eduardo Diez Viñuela/Flickr.

Estima-se que, hoje, 3,6 bilhões de pessoas (quase metade da população mundial) vivem em áreas que apresentam uma potencial escassez de água por pelo menos um mês por ano, e essa população poderá aumentar para algo entre 4,8 bilhões e 5,7 bilhões até 2050. O dado alarmante veio  do relatório  Soluções baseadas na Natureza para a Gestão da Água, lançado pela Organização das Nações Unidas (ONU) durante o Fórum Mundial da Água, que está acontecendo nesta semana em Brasília.

O documento, lançado em três idiomas (inglês, espanhol e francês), afirma também que a demanda mundial por água tem aumentado a uma taxa de aproximadamente 1% por ano, devido ao crescimento populacional, ao desenvolvimento econômico e às mudanças nos padrões de consumo, entre outros fatores, e continuará a aumentar de forma significativa durante as próximas duas décadas. O ciclo hídrico mundial está se intensificando devido à mudança climática, com a tendência de regiões já úmidas ou secas apresentarem situações cada vez mais extremas.

“A demanda por água das indústrias e das residências aumentará muito mais rápido do que a demanda da agricultura, embora o setor agrícola continuará tendo o maior consumo em termos gerais. O aumento da demanda por água ocorrerá principalmente em países com economias emergentes ou em desenvolvimento”, afirma o estudo.

Tecnologia só não basta

Parece óbvio e é. O relatório ressalta a importância de se investir mais nas chamadas Soluções baseadas na Natureza (SbN), que aproveitam, conservam e recuperam os ecossistemas naturais que têm papel fundamental na questão da água. As SbNs proporcionam o fornecimento de recursos hídricos por meio da gestão da precipitação, da umidade e do armazenamento, infiltração e transporte de água e, dessa forma, são geradas melhorias na distribuição em termos de espaço, tempo e quantidade da água disponível para as necessidades humanas.

“A degradação dos ecossistemas é uma das principais causas dos crescentes desafios relativos à gestão da água. Embora cerca de 30% das terras em todo o mundo permaneçam com cobertura florestal, pelo menos dois terços dessa área se encontram em estado de degradação. A maioria dos recursos do solo em todo o mundo, especialmente em terras destinadas à produção agrícola, encontra-se apenas em condições razoáveis, precárias ou muito precárias, e a perspectiva atual é de que essa situação piore, com graves impactos negativos no ciclo da água, devido ao aumento das taxas de evaporação, à redução da capacidade de armazenamento de águas subterrâneas e ao aumento do escoamento superficial, acompanhado pelo aumento da erosão”, afirma o relatório.

Mas o levantamento alerta que apesar do rápido crescimento dos investimentos em SbN, eles correspondem a menos de 1% do investimento total em infraestrutura para a gestão dos recursos hídricos.

O estudo aponta os desafios para que o uso das SbN atinja o seu pleno potencial e afirma que ainda existe uma inércia histórica contra as SbN devido ao predomínio contínuo de soluções de infraestrutura cinza (obras de saneamento e captação de água ou construção de diques) nos atuais instrumentos dos Estados-membros – das políticas públicas aos códigos e normas de construção.

“As respostas necessárias para esses desafios envolvem basicamente a criação de condições favoráveis para que as SbN sejam consideradas de forma justa, ao lado de outras opções de gestão da água’, aponta o relatório.

Saiba Mais

Relatório da ONU – Soluções baseadas na Natureza para a Gestão da Água (em inglês)

Relatório da ONU – Soluções baseadas na Natureza para a Gestão da Água (em espanhol)

Relatório da ONU – Soluções baseadas na Natureza para a Gestão da Água (em francês)

 

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