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Entrada da Environmental Protection Agency. Foto: PSB

Um ex-lobista do carvão será o novo chefe em exercício da Agência de Proteção Ambiental Americana (EPA) depois que o ex-administrador, Scott Pruitt, renunciou na quinta-feira (05), em meio a meses de polêmicas após ajudar a flexibilizar as regras ambientais americanas. O advogado e vice-presidente da EPA, Andrew Wheeler, ficará no comando da agência até que o presidente formalmente anuncie um novo chefe.

As ideias de Wheeler são muito parecidas com as do seu antecessor, Scott Pruitt. Ambos são negacionistas das mudanças climáticas, são comprometidos com grandes empresas de petróleo e carvão e trabalharam intensamente para desmantelar os regulamentos de proteção ambiental e remover a “burocracia” para as empresas. Wheeler já afirmou que "o homem tem um impacto no clima, mas o que não é completamente compreendido é o impacto".

Antes de estar na EPA, Andrew Wheeler trabalhou em duas firmas de advocacia e já teve como clientes a Murray Energy, que se autodenomina "a maior empresa de mineração de carvão da América". Wheeler trabalhou no congresso americano na equipe republicana do Comitê de Meio Ambiente e Obras Públicas do Senado e como principal assessor do senador Jim Inhofe, um republicano de Oklahoma que é um dos maiores negacionistas das mudanças climáticas.

Um ano de mandato de Scott Pruitt

Scott Pruitt. Foto: Wikipédia.

Edward Scott Pruitt, 50 anos, é o ex-Procurador-Geral eleito pelo estado de Oklahoma e em abril de 2017 assumiu o órgão que ele mesmo processou 13 vezes. Enquanto procurador, lutou para impedir os esforços de Barack Obama em limitar as emissões de carbono.

Em um ano e dois meses à frente da EPA, Pruitt assinou nova regra que substituiu o Plano de Energia Limpa do governo Obama para limitar as emissões de carbono das usinas de carvão, lançou um programa que visa questionar a ciência das mudanças climáticas, retirou do site oficial da agência a página dedicada às mudanças climáticas e que destacava o consenso científico de que as alterações no clima eram causadas pela ação humana.

Mas a sua gestão estava tumultuada nos últimos meses. Scott Pruitt estava enfrentando 13 investigações sobre suas ações na agência. Entre elas estão os gastos executados em um condomínio de US$ 50, por noite, alugado da esposa de um lobista com negócios antes da agência; um estande à prova de som de US$ 43 mil instalado em seu escritório; e US$ 3,5 milhões em despesas para sua equipe de segurança em seu primeiro ano de mandato. Além disso, Pruitt também foi acusado de usar funcionários federais para ajudá-lo em assuntos pessoais e retaliar os assessores que o interrogaram. Uma assessora de Pruitt havia sido demitida no ano passado depois que ela questionou se a exclusão de informações confidenciais de sua agenda pública era ilegal. Ele renunciou no dia 05 de julho.

O seu sucessor, Andrew Wheeler, é conhecido por evitar os holofotes, seguir as regras e pela sua habilidade política já que é um “insider” experiente de Washington. Talvez, por isso, os críticos estejam mais apreensivos que Wheeler seja mais bem-sucedido na aplicação dos planos de Trump em relação a sua política ambiental.

 

 

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