O homem (ainda) no centro do mundo

Cristiane Prizibisczki
sexta-feira, 17 julho 2009 20:20

Há alguns dias, participei aqui em São Paulo de um evento sobre seguros para jornalistas, onde foram apresentados os resultados de uma importante pesquisa sobre mudanças climáticas, num tom bastante conservacionista. Mas o que me chamou mesmo a atenção foram algumas conversas cruzadas que ouvi na hora do coffee-break
Entre um lanchinho e outro, um senhor muito distinto, figura importante no evento, disse para seu interlocutor, que concordava com movimentos de cabeça, algo como: absurdo fazerem um estardalhaço pra salvar a tal ararinha-azul enquanto tem um monte de criança morrendo no mundo. Meu desgosto foi alimentado ainda outro momento, quando o mesmo senhor, desta vez para toda platéia, soltou: não concordo com os africanos se mobilizando pra salvar o mico-leão-dourado lá deles enquanto tem 500 mil crianças morrendo de fome na África.
Símbolo nacional do esforço pela preservação, o mico-leão-dourado é exemplo emblemático do impacto do homem na natureza. A espécie, endêmica da Mata-Atlântica brasileira (esqueceram de avisar ao distinto senhor), chegou a contar com apenas 250 exemplares na década de 1970, vítima do tráfico de animais e da perda de habitat. Atualmente, segundo a Associação Mico-Leão-Dourado, existem cerca de 1.500 exemplares na natureza. Para que ele deixe de ser considerado sob ameaça de extinção, a população em vida livre tem que chegar a pelo menos dois mil indivíduos.
O caso da ararinha-azul é ainda mais grave. Espécie natural da Caatinga, sua população foi praticamente dizimada, também pela caça e destruição de habitat. Faz nove anos que um exemplar da espécie foi visto pela última vez na natureza, no sertão da Bahia. Hoje, existem apenas 68 ararinhas oficialmente registradas pelo programa de reprodução em cativeiro do governo brasileiro. Destas, apenas seis exemplares estão no Brasil. Isso mesmo, apenas 68 ararinhas em todo o mundo! E quantos nós somos, mesmo? Às 15h36 (GTM) de hoje (17), o site do governo americano U.S. Census Bureau contabilizava 6,771 bilhões de habitantes.
Não estou aqui defendendo a morte de criancinhas inocentes – no Brasil ou na África – em favor da salvação de micos-leões ou ararinhas-azuis. Mas sim a necessidade de uma visão global da preservação da natureza, independentemente da espécie. O homem depende, sim, da sobrevivência de ararinhas e micos, por serem eles importantes atores na intrincada rede de manutenção da biodiversidade. Me pergunto quantas espécies ainda vão desaparecer para sempre, até que o antropocentrismo (declarado ou não) e a visão fragmentada da realidade deixem de dar o tom em debates sobre preservação.
 

Planeta em chamas

((o))eco
sexta-feira, 17 julho 2009 19:16

O fogo queima todos anos milhares de hectares de vegetação. Focos de calor e colunas de fumaça podem ser vistas nas lentes dos sátélites. O Eco preparou um mapa virtual das queimadas ao redor do globo.

Gorilas na floresta

((o))eco
quarta-feira, 8 julho 2009 16:46

Depois de entrevistar o biólogo Thor Hanson para uma reportagem, recebi uma cópia de seu livro “A floresta impenetrável”. Foi uma boa surpresa: a obra conta sobre a experiência de dois anos de Hanson como voluntário em um programa de conservação de gorilas em Uganda.

Proteção contra o avanço do mar

Gustavo Faleiros
terça-feira, 7 julho 2009 11:27

De olho na elevação do nível do mar, os holandeses construíram a maior e mais moderna barreira de controle de enchentes do mundo, a Maeslant. O Eco esteve lá e preparou uma viagem virtual pela gigantesca estrutura, no Mar do Norte.

De cavernas eles gostam mais

Aldem Bourscheit
segunda-feira, 29 junho 2009 13:45

Última sexta (26) estive na Embaixada Francesa, em Brasília, para conferir a exibição de três pequenos documentários sobre espeleologia, a exploração de cavernas. Os dois primeiros trataram de expedições à Serra do Caraça, em Minas Gerais, e à Serra do Ramalho, no sul da Bahia. O último apresentou treinamentos e técnicas para o duríssimo resgate de pessoas feridas em cavidades subterrâneas. Muito bem editados, mostram impressionantes e pouco conhecidas paisagens dos interiores do país. Havia mais franceses que brasileiros na apresentação, reflexo do pouco gosto que os nativos daqui devotam à atividade. Na França há uns 7.500 espeleólogos registrados e ativos. Por aqui mal chegam a 300. Lá eles exploraram e mapearam toda e qualquer caverna e reconhecem seu valor ambiental e turístico; aqui pouco exploramos, pouco estudamos e ainda tentamos “flexibilizar” a lei para mais facilmente pô-las abaixo. O desprezo nacional por essas formações volta e meia ganha força com textos de repórteres que vêem o Brasil com olhos urbanos ou têm fobia a esforço físico, mato e morcegos. Com turismo forte, a França conta com grupos organizados e muitos voluntários para resgates em cavernas. Os incidentes não chegam a 50 por ano, mas quando um ocorre um salvamento correto é fundamental para se salvar uma vida. No Brasil não há estatísticas sobre visitação ou acidentes nesses locais. Lá fora também foi fundada a Spelunca, a mais antiga revista espeleológica do mundo. Ela é publicada pela Federação Francesa de Espeleologia, outro fruto do trabalho do Edouard Alfred Martel (1859-1938), visto por muitos como o pai da espeleologia.

Um vôo pela Baixada Santista

Cristiane Prizibisczki e Gustavo Faleiros
terça-feira, 23 junho 2009 12:41

O Eco preparou uma viagem pelos estuários da Baixada, por meio de imagens de satélite e fotos que indicam pontos do Zoneamento Ecológico Econômico da região criticados por ambientalistas

Uma universidade diferente

Aldem Bourscheit
terça-feira, 16 junho 2009 22:44

Na última semana, frequentei por dois dias a Udesc (Universidade do Estado de Santa Catarina), em Lages. Cheguei no domingo à tarde, com termômetros registrando sete graus centígrados. No dia seguinte, o frio invernal perdia força com o sol brilhando a mais de mil metros de altitude no pequeno e simpático campus, onde alguns estudantes protagonizam cenas insólitas em seu tempo livre, jogando rugby ou experimentando laçadas em um cavalinho de madeira. Minha atenção foi novamente despertada dentro do prédio do Centro de Ciências Agroveterinárias. Lá se pode conferir uma foto de tempos mais vigorosos do senador Jorge Bornhausen (veja aqui) entre certos homenageados, a poucos metros do Centro Acadêmico Chico Mendes.

Canastra: parque ameaçado

((o))eco
segunda-feira, 15 junho 2009 12:18

Um dos mais importantes parques do Cerrado pode perder 48 mil hectares se projeto de lei for aprovado no Senado. Veja em mapa interativo o novo desenho proposto e as áreas que serão excluídas.

Três picos italianos

Andreia Fanzeres
quarta-feira, 10 junho 2009 15:36

Parque italiano se aproxima do verão ainda coberto de neve, o que não é comum para esta época. Entre dezenas de trilhas, a mais procurada leva à base de três imponentes picos.