As caras do Avistar 2009

Cristiane Prizibisczki
terça-feira, 26 maio 2009 21:51

Se há quatro anos o Avistar era restrito a ornitólogos e fotógrafos de aves, hoje, definitivamente, não se pode mais dizer o mesmo do encontro. Segundo Guto Carvalho, organizador do evento, este ano o mix de participantes foi grande e enquadrou várias categorias de observadores. Pesquisadores da ornitologia, biólogos que não são ornitólogos, observadores que não são biólogos e aqueles que estão iniciando na observação. “O público acadêmico foi de 25%. A grande parcela, cerca de 40%, foi de observadores não-acadêmicos, ligados ao turismo ou à observação”, disse. Com tal perfil de participantes, o Avistar é bem diferente de um encontro técnico, onde as discussões são focadas em pesquisas e trabalhos acadêmicos. Segundo Mário Conh-Haft, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), o evento é uma oportunidade para o pesquisador entrar em contato com aqueles que, de forma direta ou não, contribuem para os trabalhos de academia. “O corpo técnico [de ornitólogos no Brasil] é pequeno e também tem gente que não está cobrindo grandes extensões territoriais. Certamente o número de birdwatchers é maior do que o de pesquisadores, por isso a participação de leigos é importante, porque eles podem gerar registros, facilitados pelo uso da tecnologia. O observador pode gravar, fotografar a ave, e estes dados são avaliáveis como registros. Assim, a observação cria uma exército de leigos contribuindo para a pesquisa e levantamento da distribuição de aves no país”, disse. Do outro lado, observadores não-pesquisadores se beneficiam com informações que dificilmente teriam de outra forma. “As palestras são acessíveis e a iniciativa indispensável para os interessados”, diz Thaís Borges, professora de música e observadora há quatro anos. Segundo ela, as palestras poderiam até ser mais aprofundadas, com mais tempo para discussão. “Acho que houve um excesso de assunto em palestras curtas. Gostaria que tivéssemos mais tempo, que os palestrantes  tivessem uma atitude menos preocupada com o tempo.” Além da troca de experiências e informações, o Avistar, segundo o pesquisador do Inpa, é uma chance que ornitólogos têm de travar um contato diferenciado com seu objeto de estudo. “Não precisa ser cientista pra apreciar aves e nem todo cientista se interessa por elas, ou se permite, explorar este lado. Para mim, a oportunidade de me envolver em atividades não somente cientificas em relacão a aves foi otimista.  É bom lembrar porque a gente estuda o que estuda”, arrematou.

A imagem do som

Cristiane Prizibisczki
sábado, 23 maio 2009 4:52

  Imagem do programa Cool Edit mostra  a  representação gráfica do canto do tico- tico (Zonotrichia capensis)

A prática da observação de aves também exige um bom conhecimento dos sons que as espécies emitem. Este é o primeiro passo para acha-las em seu habitat. Em ambientes fechados, como florestas, por exemplo, é possível que o birdwatcher escute até 30 vezes mais os sons do que veja o animal. Isso sem falar em espécies que fisicamente são muito parecidas entre si. As tovacas na Mata Atlântica são exemplos clássicos. Pequenas e de hábitos ligados ao extrato da vegetação, as três tovacas que existem no bioma são de difícil visualização e, quando avistadas, de difícil identificação pelas semelhança entre elas. Nessas horas, saber como é o canto de cada uma é essencial para a identificação correta.
 Com o desenvolvimento da internet e surgimento de aparelhos como IPod, tudo ficou mais fácil para o observador. Quer saber como é o canto de um tico-tico (Zonotrichia capensis)? É só realizar uma busca em sites específicos de canto e fazer o download.

Clique aqui para ouvir o canto do tico-tico representado pelo gráfico acima

Descrever uma ave também não é tarefa complicada. Tamanho, cores e características físicas são fáceis de transformar em palavras. Agora, o que dizer do som? Como descrevê-lo? “Somos animais essencialmente visuais. Então é bom usar um sonograma”, explicou Jeremy Minns, um dos maiores especialistas em gravação e vocalização de aves no Brasil, durante a programação de ontem do Avistar.
O sonograma a que Minns se refere é um programa de computador que representa graficamente o canto, indicando a frequência e o tempo gasto em cada som emitido pela ave. “No começo vai ser muito difícil, mas depois de um certo tempo que você compara o som com a imagem dele, você consegue aprender”, diz Minn, com a sabedoria de quem, há décadas, trabalha com o assunto.
Onde achar gravações de cantos:
www.xeno-canto.org www.aves.brasil.nom.br DVD-ROM – Aves do Brasil (a ser lançado no próximo semestre)
Software para visualização e edição de sons:
Cool Edit 2000 – http://baixaki.ig.com.br/site/dwnld1245.htm                    Audacity – http://audacity.sourceforge.net/ Syrinx – www.syrinxpc.com Raven Lite – www.birds.cornell.edu/brp/raven/Raven.html  

Ilustre visitante no Avistar

Cristiane Prizibisczki
sexta-feira, 22 maio 2009 18:08

Imagine a sensação de encontrar uma suçuarana em plena cidade de São Paulo. A surpresa certamente seria grande. Foi mais ou menos assim que se sentiram observadores de aves na tarde de ontem, no Parque Villa-Lobos, ao descobrir entre as árvores um pavó (Pyroderus scutatus). Espécie que se alimenta de frutas de árvores de médio e grande porte, o pavó é típico de florestas e áreas preservadas. A visita deste indivíduo ao parque, que fica às margens da marginal Pinheiros, em área densamente urbanizada, talvez seja apenas parte de seu deslocamento entre os remanescentes de floresta que existem nas bordas da capital, as serras da Cantareira e do Mar. Mas mesmo sendo uma passagem rápida, a presença do pavó no Villa-Lobos atiçou os ânimos dos birdwatchers presentes no Avistar, que correram para fotografá-lo. Acima, um dos resultados dessa corrida.

Passarinhando em São Paulo

Cristiane Prizibisczki e João T. Costa
sexta-feira, 22 maio 2009 16:32

Capital paulista recebe encontro brasileiro de observadores de aves. um dos debates trata da consolidação do birdwatching no Brasil. Confira slideshow e cobertura no Blog do Eco.

A morte do Mar de Aral

Geonotícia
sexta-feira, 22 maio 2009 16:18

Um dos maiores lagos de água doce do planeta já perdeu 60% de sua extensão graças a projetos de irrigação na antiga União Soviética. Veja imagens de satélite que mostram a redução do volume da água nos últimos dez anos.

Potencial nordestino para observação de aves

Cristiane Prizibisczki e João T. Costa
sexta-feira, 22 maio 2009 14:56

Capital paulista recebe encontro brasileiro de observadores de aves. um dos debates trata da consolidação do birdwatching no Brasil. Confira slideshow e cobertura no Blog do Eco.

Passagem pela Irlanda do Norte

Gustavo Faleiros
quarta-feira, 20 maio 2009 18:07

As áreas protegidas de Larrybane/Carrick-a-rede e Giants Causeway são manejadas pelo National Trust, referência em como envolver proprietários rurais na conservação.

Bons modos para a vida citadina

Andreia Fanzeres
quarta-feira, 13 maio 2009 19:09

As aparências enganam. Mas Cambridge, famosa cidade universitária inglesa, ensina que, por mais que nem tudo esteja perfeito, a sustentabilidade deve caminhar junto com o conceito de civilidade.