Olhar Naturalista
Por aí com Darwin e uma câmera na mão

Ilha Campbell: da tragédia das pragas à recuperação

Fabio Olmos
terça-feira, 16 dezembro 2014 21:32

Perseverance Bay, onde nosso navio ancorou, vista do Lyall Coll, uma das partes mais altas da ilha. Fotos: Fabio Olmos
Perseverance Bay, onde nosso navio ancorou, vista do Lyall Coll, uma das partes mais altas da ilha. Fotos: Fabio Olmos

Oculto sob o oceano ao sul da Nova Zelândia há um grande planalto submarino chamado Campbell Plateau. Uma extensão da plataforma continental daquele país, este planalto e as ilhas associadas a ele são o remanescente de um continente perdido, o Zealandia.

Zealandia, junto com nossa América do Sul, Antártica e Austrália, era parte do super-continente de Gondwana e começou a afundar a uns 85 milhões de anos, submergindo quase totalmente 23 milhões de anos atrás. Entre outros organismos, árvores como os podocarpus (muito diversos na Nova Zelândia) provam as antigas conexões entre nossa terra e a antiga Zealândia.

Cinco grupos de ilhas pontuam o Campbell Plateau ao sul e sudeste da Nova Zelândia, incluindo as que deram nome ao planalto. Campbell é o que resta de vulcões que estiveram ativos entre 6 e 11 milhões de anos atrás e que, ao se erguerem do fundo marinho e rasgarem a crosta continental, trouxeram para a superfície outras rochas como xistos e calcários formados nas profundezas. A erosão marinha e a ação de geleiras hoje desaparecidas cavaram uma ilha cercada por falésias e ilhotas que se erguem como pilares do mar.

Também cavou baías profundas, como Perseverance Bay, que quase divide a ilha principal em duas. Apesar do assalto erosivo, Campbell é uma ilha grande, com 112 km2; em comparação, as ilhas de Fernando de Noronha somam 26 km².

Localizada na latitude 52°S, nos famosos Furious Fifties que intimidam os navegadores, Campbell é cercada por mares nervosos onde ventos de 100 km/hora ocorrem em pelo menos 100 dias por ano e tempestades produzem ondas de 25 m de altura. Chuva ou neve caem durante 300 dias a cada ano e a temperatura média é de 6°C. Não é dos lugares mais hospitaleiros.

Nunca conectada a outra massa de terra, Campbell foi colonizada por organismos que conseguiram cruzar o oceano vindos da Nova Zelândia, a uma distância de 660 km, ou alguma das ilhas “próximas” como as Auckland, a 275 km. Como é praxe em ilhas oceânicas, estes colonos foram moldados pela seleção natural e deriva genética dando origem a novas espécies encontradas apenas em Campbell. Por exemplo, das 275 espécies de insetos, 40% são endêmicas dali.

A ilha abriga 128 espécies de plantas vasculares nativas, além de 81 introduzidas. Como seria de se esperar do clima, dominam espécies herbáceas e gramíneas. A maior parte da ilha é coberta por campos de tussock, gramíneas que crescem formando pedestais que podem ter mais de um metro de altura e formam um labirinto nos espaços entre as moitas. Nas áreas mais baixas e abrigadas há uma “floresta anã” de duas espécies de “árvore-grama” do gênero Dracophyllum. As áreas mais altas têm uma vegetação alpina e há muitas turfeiras, origem de depósitos que atingem vários metros de espessura.

A ilha foi explorada cientificamente pela primeira vez em 1840 durante a expedição britânica dos navios Erebus e Terror (nada como bons nomes para elevar a moral da tripulação). Um de seus membros, o grande botânico Joseph Hooker, declarou que Campbell tinha uma “exibição floral” que nada devia a outras fora dos trópicos. Ele se referia à florada das “megaervas”, margaridas, cenouras e similares gigantes que dominam parte das ilhas.

Isolamento e endemismo

O marreco não voador de Campbell [i]Anas nesiotis[/i] é uma das histórias de conservação mais bem-sucedidas. Quase extinto, sua população se recuperou e cresce graças a ações de conservação mão na massa que ainda precisam se tornar praxe no Brasil.
O marreco não voador de Campbell [i]Anas nesiotis[/i] é uma das histórias de conservação mais bem-sucedidas. Quase extinto, sua população se recuperou e cresce graças a ações de conservação mão na massa que ainda precisam se tornar praxe no Brasil.

“O marreco é uma das estrelas por ser uma das várias espécies de aves que por evoluir em ilhas isoladas sem mamíferos terrestres perdeu a capacidade de voar.”

Remota e distante de fontes de outros vertebrados terrestres, Campbell era acessível apenas a aves e mamíferos marinhos. A ilha abriga três endemismos, um biguá Leucocarbo campbelli (população total de mil indivíduos), um albatroz Thalassarche impavida e um marreco Anas nesiotis. Uma narceja Coenocorypha [aucklandica] perseverance e um caminheiro Anthus novaeseelandiae subsp nov (o táxon ainda não foi nomeado formalmente) podem merecer status de espécies plenas.

O marreco é uma das estrelas por ser uma das várias espécies de aves que por evoluir em ilhas isoladas sem mamíferos terrestres perdeu a capacidade de voar. Estes patinhos semi-noturnos se abrigam entre as touceiras de tussock, onde caçam invertebrados no solo úmido, e vão procurar alimento nos bancos de algas expostos pela maré baixa. Eles também são personagens de destaque na saga de Campbell.

Logicamente são as aves marinhas que se destacam na ilha. Seis espécies de albatrozes e duas de pinguins nidificam em Campbell. Além de 100% da população de albatrozes-de-campbell (26 mil casais), cerca de 98% dos albatrozes-reais-do-sul Diomedea epomophora (8 mil casais/ano) nidificam ali, juntamente com albatrozes-de-cabeça-cinza Thalassarche chrysostoma, albatrozes-de-sobrancelha T. melanophris, albatrozes-das-antípodes Diomedea antipodensis e albatrozes-de-costas-claras Phoebetria palpebrata. Também há petréis-gigantes-do-norte Macronectes halli e outras espécies do grupo que, por nidificarem em tocas cavadas na turfa e na base dos tussocks e visitarem a ilha à noite para evitarem as skuas predadoras são mais difíceis de encontrar.

O pinguim mais raro é o de olhos amarelos Megadyptes antipodes. Uma exclusividade neozelandesa, esta espécie ameaçada soma algo como 600 casais que nidificam nas “florestas” da ilha e procuram seu alimento nas águas costeiras. Um parente próximo, o “pinguim-de-waitaha” vivia na South Island da Nova Zelândia, mas foi comido até a extinção pelos primeiros colonizadores Maori.

Os pinguins-de-penacho-orientais Eudyptes filholi, por outro lado, vivem nas costas expostas às tempestades, escalando falésias para chegar às áreas escolhidas para suas colônias e passando dias a fio em alto-mar, onde procuram o krill e pequenos peixes dos quais se alimentam.

Estes bichos com super poderes já somaram 1,6 milhão de aves na década de 1950, mas a população caiu em pelo menos 94% desde então. Este colapso está associado ao aquecimento da temperatura das águas ao redor da ilha e ao deslocamento, para o sul, da zona que convergência onde se concentram suas presas. Resultado da mesma mudança climática que alguns mal intencionados com diploma de doutor dizem não existir.

Além das aves marinhas, elefantes-marinhos e lobos-marinhos colonizaram as ilhas. E tiveram papel importante na sua ocupação humana.

Devastação por humanos

Massacrados para alimentar o mercado chinês de peles no século XIX, as populações de lobos-marinhos [i]Arctocephalus forsteri[/i] estão longe de atingir a abundância de dois séculos atrás.
Massacrados para alimentar o mercado chinês de peles no século XIX, as populações de lobos-marinhos [i]Arctocephalus forsteri[/i] estão longe de atingir a abundância de dois séculos atrás.

Campbell escapou da atenção humana até sua descoberta em 1810 pelo capitão Frederick Hasselburgh, comandante do navio caçador de focas Perseverance (você já descobriu de onde saiu o nome da baía e da narceja). Hasselburg batizou a ilha com o nome de seu empregador, Robert Campbell & Co., de Sydney.

Na época a China era um insaciável mercado consumidor de peles de lobos-marinhos do gênero Arctocephalus, apreciadas pela pelagem densa. Como se vê o papel do mercado chinês no financiamento da extinção de espécies data de muito tempo. Hoje, os chineses bancam a extinção de espécies que vão do sândalo e pau-rosa-de-madagascar às raias-manta, tigres, rinocerontes, tubarões…

Não demorou muito para os lobos-marinhos-neozelandeses A. forsteri serem exterminados e com eles os elefantes-marinhos Mirounga leonina, caçados pela sua gordura. A caça a estes animais se seguiu da caça às baleias-francas Eubalaena australis, que têm ali uma de suas principais áreas de reprodução. A ilha chegou a ter duas estações baleeiras até o fim da atividade em 1918.

Herança exterminadora

Um periquito [i]Cyanoramphus novaezelandiae[/i]. Um complexo de táxons muito parecidos existia na Nova Caledônia (de onde se originaram), ilhas principais da Nova Zelândia e nas ilhas subantárticas ao sul. Alguns foram extintos por ratos e outros predadores introduzidos, como o da ilha Campbell enquanto outros, como esse [i]Cyanoramphus n. novaezelandiae[/i] das ilhas Auckland ainda sobrevivem.
Um periquito [i]Cyanoramphus novaezelandiae[/i]. Um complexo de táxons muito parecidos existia na Nova Caledônia (de onde se originaram), ilhas principais da Nova Zelândia e nas ilhas subantárticas ao sul. Alguns foram extintos por ratos e outros predadores introduzidos, como o da ilha Campbell enquanto outros, como esse [i]Cyanoramphus n. novaezelandiae[/i] das ilhas Auckland ainda sobrevivem.

“… ratos e gatos foram introduzidos na ilha principal e rapidamente exterminaram todas as aves terrestres e as marinhas de menor porte.”

Como outras indústrias que mineram recursos vivos, esta também colapsou. Além de exterminar as espécies de que dependiam, estas atividades também deixaram uma herança maldita: ratos e gatos foram introduzidos na ilha principal e rapidamente exterminaram todas as aves terrestres e as marinhas de menor porte. Estas só sobreviveram nos ilhotes inacessíveis às pragas.

Entre estas o marreco, que sobreviveu apenas na ilhota de Dent, com 23 hectares, e a narceja, que só sobrou em Jaquemart, com 19 hectares. O marreco foi descoberto pela primeira vez quando um exemplar foi coletado no mar a 3 km da ilha, em 1886, e descrito como uma espécie nova. Entretanto, apenas em 1975 a espécie foi redescoberta, viva, em Dent.

Ao contrário do que aconteceria no Brasil, onde se priorizam eventos e papel à ação, equipes do Department of Conservation neozelandês realizaram um levantamento da população (encontraram 60-100 aves) e capturaram algumas para um programa de reprodução em cativeiro. Este teve sucesso suficiente para criar uma população cativa robusta e outra, solta em na ilha Codfish, próxima à ponta sul da South Island, como reserva para que se reproduzissem naturalmente. O objetivo era soltar aves em Campbell no futuro.

A redescoberta dos patos em Dent levou à exploração de outras ilhas e, em 1997, a narceja foi descoberta em Jaquemart, onde restavam talvez 60 aves. O detalhe é que narcejas nunca haviam sido reportadas nas ilhas. Esta é uma espécie que poderia perfeitamente ter se extinguido sem que ninguém soubesse que existiu. Como aconteceu com outras.

Ossos subfósseis provam que pelo menos uma espécie de periquito Cyanoramphus viveu na ilha, assim como falcões. Espécies que ocorrem em outras ilhas ao sul da Nova Zelândia, como as Auckland, mas que nenhum europeu havia reportado.

Com o colapso das atividades extrativas, a ilha foi concessionada em 1895 para que fazendeiros criassem gado e cultivassem a terra. A agropecuária colapsou em 1931 graças a transportes não confiáveis para escoar a produção, acidentes e a crise econômica iniciada em 1929. A ilha foi abandonada. Aí está uma lição que poderíamos usar no Brasil: estradas ruins e ausência de subsídios ajudam a despovoar áreas importantes por sua biodiversidade e serviços ambientais.

Erradicação de pragas

Antes da erradicação dos ratos, em 2001, o caminheiro [i]Anthus novaeseelandiae[/i] só ocorria nas ilhotas livres dos predadores. Hoje, é uma das aves mais comuns na ilha principal.
Antes da erradicação dos ratos, em 2001, o caminheiro [i]Anthus novaeseelandiae[/i] só ocorria nas ilhotas livres dos predadores. Hoje, é uma das aves mais comuns na ilha principal.
“Cento e vinte toneladas de iscas com brodifacum foram despejadas nos 112 km² da ilha. Os pilotos, hábeis, conseguiram lançar iscas mesmo nas falésias onde ratos predavam aves marinhas.”

Campbell ficou largada até 1954, quando todo o arquipélago foi declarado uma reserva natural. As coisas caminharam devagar e o gado remanescente só foi removido em 1987. Os carneiros, gradativamente encurralados por cercas, foram removidos em 1981.

Sem vacas e carneiros a vegetação começou a se recuperar e as condições frias e úmidas ajudaram na extinção espontânea dos gatos no início da década de 1990. Restavam os ratos. Ou melhor, as ratazanas Rattus novergicus: a maior e mais predatória das espécies.

Começando com ilhas de 1 hectare, o Department of Conservation da Nova Zelândia (o ICMBio deles) acumulou quatro décadas de experiência na erradicação de predadores introduzidos, que levaram muitas de suas espécies nativas à extinção. O país é uma referência no manejo ativo que envergonha os adeptos da contemplação bovina da extinção baseada no discursinho do “não sabemos o que pode acontecer, então nem vamos tentar”.

Esta experiência e a importância de Campbell levaram ao mais ambicioso projeto de erradicação de ratos até então. Em 2001 foi montada uma operação que envolveu a construção de pontos de estocagem de iscas envenenadas, o transporte de quatro helicópteros e o treinamento de equipes. Erradicação significa que até o último rato deve ter a chance de encontrar uma isca e comê-la.

Foi o que aconteceu.

Cento e vinte toneladas de iscas com brodifacum foram despejadas nos 112 km2 da ilha. Os pilotos, hábeis, conseguiram lançar iscas mesmo nas falésias onde ratos predavam aves marinhas. O projeto envolveu o Department of Conservation, prestadores de serviços e as forças armadas neozelandesas.

Refaunação

A narceja [i]Coenocorypha [aucklandica] perseverance[/i], foi uma das espécies mais interessantes que encontramos. Por cerca de dois séculos a espécie estava reduzida a seu último bastião na ilhota Jaquemart, com 19 hectares. Hoje, voltam a recolonizar a ilha principal.
A narceja [i]Coenocorypha [aucklandica] perseverance[/i], foi uma das espécies mais interessantes que encontramos. Por cerca de dois séculos a espécie estava reduzida a seu último bastião na ilhota Jaquemart, com 19 hectares. Hoje, voltam a recolonizar a ilha principal.

“Narcejas e marrecos, antes à beira da extinção, são fáceis de observar. Caminheiros, antes presentes só nas ilhotas, estão por toda parte. A vegetação se recuperou a ponto de você desaparecer nas moitas. Você tropeça em leões-marinhos e albatrozes.”

Em 2005, após rigoroso monitoramento que incluiu cães treinados para encontrar ratos, as ilhas Campbell foram declaradas livres de todos os animais introduzidos. Mas o sucesso da operação já era visível antes disso e, em 2004, os primeiros 50 marrecos não voadores foram reintroduzidos, seguidos por mais em 2005 (55) e 2006 (54). Eles começaram a nidificar logo depois e hoje se estima que há algo como 200 aves adultas e talvez mais de 300 no total.

O interessante é que, sem os ratos, patos vindos de seu refúgio em Dent também começaram a colonizar o norte da ilha. Exatamente o que as narcejas, que por séculos perseveraram em seu refúgio de 19 hectares, também fizeram. As primeiras apareceram na ilha principal já em 2003, o mesmo valendo para os caminheiros, antes restritos às ilhotas.

A restauração de Campbell continua hoje e a ilha está aberta à visitação por cruzeiros de turismo devidamente licenciados. Visitei a ilha em novembro e tive a oportunidade de ver os resultados. Narcejas e marrecos, antes à beira da extinção, são fáceis de observar. Caminheiros, antes presentes só nas ilhotas, estão por toda parte. A vegetação se recuperou a ponto de você desaparecer nas moitas. Você tropeça em leões-marinhos e albatrozes.

A consolidação de Campbell como uma unidade de conservação não se limita aos ambientes terrestres. Em 2014, a reserva marinha Campbell Island/Moutere Ihupuku foi criada juntamente com outras reservas no entorno de outras ilhas. A reserva Campbell Island/Moutere Ihupuku cobre 39% do mar territorial ao redor das ilhas. Trata-se de uma “área protegida marinha tipo 2”, onde é proibida a pesca de arrasto.

Campbell provou que pestes como ratos podem ser erradicadas de ilhas com mais de uma centena de quilômetros quadrados localizadas no fim do mundo, onde a logística é complicada e o ambiente é hostil. Este sucesso é resultado de um longo processo de aprendizado e da dedicação do Department of Conservation da Nova Zelândia, e levou a projetos ainda mais ambiciosos. No futuro escreverei sobre alguns.

Campbell também mostra como um país pequeno e com recursos limitados pode ser um gigante na conservação (e em indicadores sociais e econômicos).

O que me faz pensar: Fernando de Noronha (26 km²) e Abrolhos (5 ilhotas somando ) têm ratos e outros predadores introduzidos que destroem sua fauna nativa, embora tudo pareça bonitinho para os desavisados.

Por que não realizar um projeto sério de erradicação dos ratos de Abrolhos e dos ratos, mocós, teiús, gatos e cães de Noronha para que aves marinhas hoje restritas aos ilhotes possam prosperar?

Tecnologia existe e aquela famosa taxa ambiental poderia financiar algo realmente … ambiental.

Veja mais registros de Perserverance Bay

 

 

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3 comentários em “Ilha Campbell: da tragédia das pragas à recuperação”

  1. Excelente texto!! Compartilho da mesma opinião a cerca de espécies exóticas invasoras! No Brasil as pessoas têm medo de propor certas medidas, ficam preocupados com o que a população pode achar de exterminar gatinhos e ratinhos assassinos. Enquanto isso nossa fauna segue desaparecendo em silêncio.

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