Meu Passeio: da foz aos bons ares!

Karina Miotto
quarta-feira, 2 fevereiro 2011 18:27

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Garganta de quem?

Olhar para aquela cachoeira me fez parar de pensar em qualquer coisa. Me voltou corpo, mente, emoção e coração totalmente para ela, a ponto de eu interromper um papo filosófico que estava levando com uma pessoa. Só consegui balbuciar: “putz-minha-nossa-senhora-putz-minha-nossa-senhora”. Tudo o que havia visto até então era diferente daquela velha senhora poderosa (poderosíssima) cachoeira que estava lá, na minha frente, olhos vidrados em mim.
Chovia. Fazia frio e eu tremia. Tínhamos que ir embora em pouco tempo. O barulho, altíssimo. Nunca vi tanta água na vida numa cachoeira só. O mundo parou. Por um instante, por mínimo que fosse, eu meditei sem fazer esforço. Ela, ela…

As águas vêm em certa velocidade, se desdobram sobre as pedras e caem numa outra velocidade quase furiosa. Antes de chegar não sei onde, vira fumaça que parece subir do rio, como se fosse vapor.

Sabe quando uma paisagem te absorve por completo? Quando te tira da sua vidinha preocupada com mesquinharias e contas? Quando te mostra o quanto você ainda tem para crescer, o quanto deste planeta você ainda não conhece e precisa conhecer? Quando te mostra que as coisas mais simples são de fato as mais belas e quando te envolve de súbito com paz de espírito e esperança numa vida feliz?

Virei para o lado e o que consegui dizer à pessoa com a qual eu estava conversando foi “God-exists”. Esta cachoeira não deveria se chamar Garganta do Diabo: é a própria garganta de Deus.

No final do ano, com alguns dias de folga, veio a pergunta: para onde ir? Diante de um Brasil tão imenso e de um planeta lindo por conhecer, até que não foi difícil escolher o meu destino: Foz do Iguaçu, no Paraná, seguido de Buenos Aires, na Argentina. Um roteiro que certamente é feito por milhares de pessoas todos os anos e não poderia ser diferente.

Em três dias dá para se divertir em Foz e se encantar com estas velhas senhoras gigantes – não deixe de conhecê-las. Eu, que amo cachoeira – achei que já havia visto muita coisa linda por aí e vi mesmo, inclusive em áreas remotas da Amazônia -, não imaginei que ficaria tão perplexa com tamanha beleza e força daquelas águas.

Viajei com minha irmã e nos hospedamos no Hostel Paudimar Campestre Cataratas, que tem passeios montados a preços em conta para facilitar a vida de turistas. No primeiro dia, conhecemos o Parque das Aves, com espécies nativas de várias partes do mundo. No segundo, fomos ao Parque Nacional del Iguazú, lado argentino das quedas. Com as passarelas, chegamos bem perto delas. Arriscamos um passeio de barco e salve água na cabeça para começar bem 2011! Depois de me deparar com a maior das quedas, a Garganta do Diabo, escrevi um texto que gostaria de compartilhar com vc (box ao lado).

No dia seguinte foi a vez de conhecermos o Parque Nacional do Iguaçu, território brasileiro, de onde se tem uma visão panorâmica das cachoeiras. Nosso passeio foi feito em um caminhão pelo meio da mata e também a pé entre trilhas, de onde pudemos contemplar de perto a fauna e a flora local. Ambos parques estão de parabéns pela infraestrutura turística, limpeza e organização. São belos exemplos parques nacionais – e a natureza não deixa por menos: este lugar é reconhecido pela UNESCO como Patrimônio Natural da Humanidade.

Seguimos para Buenos Aires no quarto dia e, na capital do tango, dos alfajores e do dulce de leche, descobrimos muitas cores, arte e lindas áreas verdes. Caminhamos por ruas arborizadas, pelos famosos bosques de Palermo. Vale muito a pena conhecer a capital da Argentina, localizada na costa oriental do Rio da Prata. Com mais de 3 milhões de habitantes, é um pedaço delicioso da Europa na América do Sul. Antes de sair do Brasil, me disseram que cinco dias seriam suficientes para conhecer a cidade – ledo engano! O tempo voa em “Bons Ares” e o que menos queremos fazer quando estamos lá é justamente ir embora, pois há muito por ver, inclusive nos arredores. Recomendo o roteiro! (Karina Miotto)

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