Passarinhando em São Paulo

Cristiane Prizibisczki e João T. Costa
sexta-feira, 22 maio 2009 16:32

Começou ontem (21) na capital paulista o IV Encontro Brasileiro de Observadores de Aves, o Avistar.  Reflexo de como evolui a prática no Brasil, a edição 2009 do encontro traz discussões mais maduras, como a importância do turismo adaptado para o birdwatching e novos usos da tecnologia para aperfeiçoamento das observações.

Além de espaço para discussões sérias sobre o tema, o encontro também é uma “desculpa” para os amantes das aves espalhados pelo Brasil se encontrarem, trocarem idéias e exibirem suas conquistas.

Quem passar pelo Parque Villas Lobos, na zona oeste de São Paulo, até o próximo domingo (24) vai encontrar um bando de gente “esquisita”. Munidos de binóculos e máquinas fotográficas de variados tipos, os birdwatchers geralmente se referem às espécies pelo nome científico e falam de lugares que você nem imaginou que existiam. É uma boa oportunidade de conhecer um pouco mais sobre a ornitologia – ciência que estuda aves – e receber dicas de equipamentos apropriados e lugares interessantes para observação.

Mas o Avistar não é só momento de descontração. Durante a abertura do evento, na manhã de ontem, a conservação da Mata Atlântica foi o tema do debate.  Bastante impactado – restam apenas 11,26% da cobertura original e boa parte do que restou é vegetação secundária ou fragmentada, longe do ideal para a avifauna – o bioma sofre com o possível rebaixamento no status de diversas unidades de conservação e as mudanças no Código Florestal.

Das 1822 espécies de aves brasileiras, 131 são classificadas como ameaçadas. Dessas, 118, ou 90% das espécies ameaçadas, são da Mata Atlântica. Alguns grupos de aves, em particular, têm grande dificuldade de sobreviver em ambientes fragmentados e empobrecidos, como aqueles que se alimentam de frutas de médio e grande porte e de insetos terrestres de médio porte. Isso sem falar nas de grande beleza visual, muito procuradas por caçadores.

Quanto mais íntegra a paisagem, maior a possibilidade de abrigar espécies. Por isso os observadores de aves são grandes interessados na conservação e muitos são parceiros ou executores de projetos neste sentido.

Para os estudiosos da avifauna brasileira, as aves têm um espaço muito especial na relação do homem com a natureza. Personificações da liberdade, da beleza e dos sons agradáveis, sem contar o papel como indicadores do status de conservação de uma área, as aves fazem uma ponte importante com o ser humano. Deve ser por isso que eles não se importam em passar horas esperando para observar uma espécie. Nem que seja apenas por um instante.

Mais informações no Blog do Eco.

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