Espécies em Risco
A cada semana, uma nova espécie nacional e internacional em risco de extinção. Porque para conservar é preciso conhecer.

Tubarão-baleia: só tem tamanho

Rafael Ferreira
sexta-feira, 28 junho 2013 19:32

Um dos dois tubarões-baleia macho residentes no Georgia Aquarium, EUA. Foto: Wikimedia Commons. | Clique para ampliar
Um dos dois tubarões-baleia macho residentes no Georgia Aquarium, EUA. Foto: Wikimedia Commons. | Clique para ampliar

Um biólogo marinho bem-humorado poderia dizer que a família Rhincodontidae só contém a espécie Rhincodon typus, porque seus indivíduos são tão grandes que ocupam todo o espaço disponível. O maior indivíduo já registrado tinha um comprimento de 12,65 metros e pesava mais de 21,5 toneladas e não são raros os relatos não confirmados de animais consideravelmente maiores, com mais de 14 metros e pesando mais de30 toneladas. Com dimensões que rivalizam as de muitas baleias, o apelido tubarão-baleia lhe cai muito bem.

É a maior espécie de tubarão, identificada pelo corpo robusto, cabeça larga e achatada, boca em posição quase terminal e pela coloração, que inclui numerosas manchas e listras verticais. Apresenta quilhas laterais, a mais inferior continuando até o pedúnculo caudal.

O tubarão-baleia vive em águas oceânicas tropicais e quentes temperadas, na zona epipelágica (até 200 metros de profundidade no mar). Podem ser encontrados nas costas do sudeste e sul da África, Índia, Honduras, Belize, no oeste da Australia, Filipinas, México, Indonésia, Madagascar, Moçambique, Tanzânia, Israel (muito raro) e, claro, Brasil. Aqui, se distribui ao largo de praticamente toda a costa, desde a região Nordeste até a região Sul. Ocorre com maior frequência no Arquipélago de São Pedro e São Paulo, seguido pela região Sudeste, em particular nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro.

A alimentação do Rhincodon typus é constituída de grandes quantidades de pequenos peixes, plâncton, macro-algas, krill, crustáceos, pequenos polvos e outros invertebrados, os quais consome por uma estratégia de alimentação por filtragem. Ele explora regiões de concentração de plâncton ou pequenos peixes através do olfato. As várias fileiras de dentes não atuam na alimentação: a água passa pela boca do animal à uma velocidade de até 1,7 litros/segundo, sai através dos arcos das brânquias e todo o material retido ali é engolido.

Seus hábitos reprodutivos ainda são obscuros. Sabe-se, no entanto, que são ovovivíparos:os ovos permanecem no corpo da fêmea que dá luz a filhotes com 40 a 60 cm. Acredita-se que eles alcancem maturidade sexual por volta dos 30 anos e sua longevidade é estimada como sendo entre 70 e 100 anos.

Embora o animal seja completamente inofensivo ao homem, o revés não se verifica. Ameaçado pela pesca predatória comercial e artesanal nas mais diversas partes do globo, tanto a IUCN quanto o ICMBio, no Brasil, consideram a espécie Vulnerável. Os esforços de conservação da espécie se concentram em unidades de conservação como a Reserva Biológica do Atol das Rocas (RN), Parque Nacional Marinho dos Abrolhos (BA), Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha (PE) e Parque Estadual Marinho Lage de Santos (SP). A espécie também faz parte do Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Tubarões do ICMBio previsto para o ano de 2013.

 

 

 

 

 

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